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Conclusões

Apesar do principal interesse de Júlio Henriques ser a botânica pura, possuía também muitos conhecimentos sobre agricultura. A sua formação académica e científica, aliada ao seu enorme interesse pelo estudo dos territórios africanos e à sua disponibilidade para responder às dúvidas colocadas pelos agricultores, resultou num valiosíssimo contributo para o desenvolvimento agrícola, assim como para o conhecimento da diversidade vegetal daquelas regiões (onde foram descobertas inúmeras espécies vegetais novas para a ciência), como se demonstra no presente trabalho.

Se por um lado, os trabalhos sobre agricultura tropical foram publicados em inúmeras revistas (alguns sob a forma de separata) e em livros, os trabalhos sobre a diversidade vegetal dos territórios africanos foram exclusivamente publicados no Boletim da Sociedade Broteriana (1ª série, 1880-1920). Este facto pode ser interpretado com base no público-alvo das obras de Júlio Henriques. Os estudos sobre a diversidade vegetal, de carácter puramente científico, interessavam principalmente aos especialistas da botânica, daí terem sido publicados na revista fundada por Júlio Henriques com o objectivo de divulgar os trabalhos realizados pelos membros da Sociedade Broteriana. Por sua vez, os trabalhos sobre agricultura tropical eram dirigidos a um público vasto, composto por fazendeiros, agricultores, agrónomos, governadores e outras pessoas com interesse pela prática agrícola, tendo sido publicados em diversas revistas e jornais e, especialmente, sob a forma de pequenos livros de bolso. Estas obras encontram-se escritas numa linguagem simples e acessível, complementadas com ilustrações e esquemas, de modo a transmitir instruções precisas acerca das melhores técnicas para o cultivo das várias espécies de plantas e dos diferentes métodos de colheita e extracção dos respectivos produtos, a qualquer pessoa com interesse nesta área.

Após a morte de Júlio Henriques, os trabalhos sobre os territórios africanos prosseguiram em Coimbra com o seu sucessor Luís Carrisso, cujo interesse se centrou particularmente em Angola[12] e, posteriormente, com Abílio Fernandes[13].



[12] Carrisso realizou três explorações botânicas a Angola: 1) em 1927 acompanhado pelo naturalista do Instituto Botânico, Francisco de Ascensão Mendonça, 2) a Missão Académica de 1929, da qual fizeram parte alunos, professores e assistentes de várias instituições de ensino superior portuguesas e 3) em 1937, na qual acabou por falecer. Foi também o responsável pelo início da publicação da obra Conspectus Florae Angolensis, em colaboração com o Museu Britânico.

[13] Logo após a sua nomeação para Director do Instituto Botânico de Coimbra em 1942, A. Fernandes, mostrou interesse em dar seguimento à publicação do Conspectus Florae Angolensis. No entanto, esses trabalhos não puderam prosseguir durante a Segunda Guerra Mundial, uma vez que as colecções do Museu Britânico tinham sido transferidas para outro local para serem protegidas dos bombardeamentos que atingiam Londres e o naturalista que se encontrava a colaborar no Conspectus – A. W. Exell – estava a prestar serviço no Ministério dos Negócios Estrangeiros, estando indisponível para as tarefas botânicas. Após o final da guerra os trabalhos foram retomados e a elaboração desta obra prosseguiu tendo sido publicados 5 volumes (Fernandes, 1982). A. Fernandes colaborou ainda na Flora Zambesiaca, flora que compreende os países situados na bacia do Zambeze (Zâmbia, Zimbabwe, Botswana, Faixa do Caprivi, Malawi e Moçambique) e iniciou a publicação da Flora de Moçambique (Fernandes, 1992).