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As lições de filosofia química

A publicação, em 1850, das Lições de Filosofia Química surge na sequência da preparação das provas de opositor em 1849 (CARVALHO, 1850), como foi acima referido. Da primeira para a segunda edição são corrigidas algumas gralhas, reformuladas algumas frases, em especial as que envolvem aspectos temporais, e são acrescentados alguns textos e equações. As partes mais aumentadas são a discussão dos trabalhos de Dumas apresentados em 1857-58 que apoiam a hipótese de Prout (CARVALHO, 1859, p. 202 ), a discussão do confronto entre a teoria dualista e a teoria das substituições (CARVALHO, 1859, p. 236-240) e a continuação da discussão da hipótese dos metais conterem hidrogénio (CARVALHO, 1859, p. 264-267). É também aumentada a parte referente ao ozono, entregando-se o autor, na parte aumentada, a alguma especulação sobre o futuro de tão útil material e sobre a sua presença no ar puro e possível papel no branqueamento da roupa (CARVALHO, 1859, p. 260-261).

Fig. 2

Tratando-se de um livro científico, as referências políticas são obviamente muito escassas mas deve referir-se, na 2ª lição, a curiosa, e talvez actual, afirmação: Até à Política ou arte de governar a Química tem aplicações: para preencher os altos deveres que lhe impõe a sua missão, o homem de Estado deve ser versado em conhecimentos em Química; de outra forma ignoraria sempre as condições de melhoramento e utilidade do seu país (CARVALHO, 1859, p. 16). Também, da primeira para a segunda edição do livro, volta a estar em vigor o ensino da Física e da Química e da História Natural nos liceus, o que se reflecte na alteração de uma frase em que criticava a falta desse ensino (Carvalho, 1859, p. 16). 

Na Advertência e na 1ª lição, Simões de Carvalho explica detalhadamente que as obras existentes de Dumas, Berzelius, Baudrimont, entre outros, são insuficientes, desactualizadas, ou têm uma organização inadequada (CARVALHO, 1859, p. ix-xi, 10-11). A disposição das matérias que lhe parece mais lógica e adequada parte dos corpos concretos e considerações gerais sobre as suas propriedades para as leis e teorias abstractas, resumida na sequência: corpos, átomos, moléculas, forças, acções, leis que as regem e teorias (CARVALHO, 1859, p. 11). Seguindo este plano, o livro contém 26 lições e está escrito de uma forma muito pedagógica com abundância de exemplos, sendo as matérias recapituladas frequentemente.
Em especial nas últimas lições, a abordagem é mais abstracta é realizada apresentando as várias teorias e factos que as sustentam, ao mesmo tempo que se procuram enumerar os factos que as contradizem. É dada especial atenção à análise de contra-exemplos, mas não em geral feitas propostas de modificação das leis ou teorias. Em toda a obra, nota-se uma grande preocupação em evitar a proliferação de conceitos e em em agrupar tanto quanto possível os existentes: limite no número de estados da matéria, similitude entre afinidade e coesão, ou entre combinação e dissolução, etc. É também referida com vivacidade a complementaridade entre as ciências. Por exemplo, a electricidade que estreita os laços entre a química e a física e o estudo da atmosfera que não pode passar sem as duas ciências (CARVALHO, 1859, p. 6-8). 

Fig. 3