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Introdução

O ano Internacional da Química que se comemorou em 2011, para além de ser um momento de celebração das realizações desta ciência ao serviço da humanidade, homenageia também as pessoas concretas e anónimas que ao longo da história e na actualidade contribuem para a química ser hoje tão presente no dia-a-dia das pessoas e na melhoria da sua qualidade de vida. António Augusto Simões de Carvalho, ligado à Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra, como estudante e depois como professor, de 1836 a 1879, é autor de um dos raros livros de química publicados em Coimbra em meados do século XIX. As suas Lições de Filosofia Química (CARVALHO, 1859), surgem numa altura em que a Química se expandia rapidamente em termos de aplicações industriais e estavam já estavam disponíveis os resultados e ferramentas que conduziriam à fixação das massas atómicas, organização da tabela periódica, classificação dos compostos orgânicos e o entendimento do calor em termos da teoria cinética dos gases, entre outros aspectos da química moderna. Podemos ver que algumas destas ideias já vagueiam pelo livro como espectros, mas que há outras, como uma explicação razoável para a ligação química, que estão ainda muito longe da maturidade. No entanto, um espírito inquieto e crítico, mas confiante na ciência, como Simões de Carvalho consegue ver bem as teorias pouco satisfatórias, os dados incompletos, e projectar de forma optimista no futuro a solução dos problemas científicos da altura.

Estando num país periférico e, não tendo ao que se saiba, realizado viagens científicas, Simões de Carvalho pode analisar de forma crítica e competente, muitas vezes com grande perspicácia e intuição científica, os resultados e teorias da época por ter tido acesso a exemplares actualizados dos livros e revistas científicas da altura e contactado com os conhecimentos de química acumulados na Universidade de Coimbra pelos professores que o precederem no Laboratório Químico, desde a sua criação no final do século XVIII. A esse respeito, vem a propósito referir a questão do fluxo de informação notável que existe nos dias de hoje. Em particular, o número de obras antigas digitalizadas disponíveis nos sites do Google Books, Internet Archive, Biblioteca Nacional, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, entre outros, tem crescido de forma exponencial tornando muito mais acessível a realização de trabalhos da presente natureza.

Uma perspectiva geral da Química em Portugal no século XIX é dada por Amorim da Costa (AMORIM DA COSTA, 1998) que analisou também de forma detalhada os vários aspectos da teoria atómica presentes na obra  de Simões de Carvalho (AMORIM DA COSTA, 2006).  Assim, neste trabalho procuraremos realçar outros aspectos da obra de Simões de Carvalho.