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Livros de química em português entre 1820 e 1870

A exiguidade do número de manuais ou livros de química escritos em português, ou de autores portugueses, em especial de professores da Universidade de Coimbra, é uma questão crítica que Simões de Carvalho procura justificar com a exiguidade de meios e o excesso de trabalho dos professores (CARVALHO, 1872, p. 71-72).
    Ademais, para além da falta de livros, é notória a falta de gravuras, ilustrações e esquemas, tão importantes em livros científicos, nos poucos livros editados em Coimbra durante este período. Será esse facto o resultado da falta de gravadores em Coimbra, ou do elevado custo das gravuras? A verdade é que as ilustrações estão ausentes das lições de Filosofia Química e da obra, destinado aos liceus, que Mathias de Carvalho e Vasconcellos publicou em 1855, Princípios elementares de Physica e Chimica (VASCONCELOS, 1855). E podemos também especular que seria tão difícil editar livros científicos em Coimbra por essa altura que o volume respeitante à química aparenta nunca ter sido publicado (VASCONCELOS, 1855).  Para além destas obras e do pequeno livro de Pedro Norberto d'Almeida, Philosophia Speculativa, publicado em 1836, não parecem ser conhecidos mais livros relacionados com a química editados em Coimbra de 1836 até à década de 1860.
Em Lisboa a situação era relativamente diferente. Luis Mouzinho de Albuquerque publicou as suas lições de Física e Química proferidas na Casa da Moeda em 1824 (ALBUQUERQUE, 1824) com razoável sucesso; Júlio Máximo de Oliveira Pimentel (2º visconde de Vila-Maior e futuro reitor da Universidade de Coimbra), publicou em 1839 as suas lições de química da Escola Politécnica (PIMENTEL, 1839) e em 1852 lições de química geral em três volumes (PIMENTEL, 1852); Joaquim Guedes publicou as suas lições de Química do Colégio Militar (GEDES, 1863), depois de ter publicado as de Física em 1859.
A maior parte das obras acima são referenciadas na bibliografia seleccionada de química de Bolton, cuja contribuição portuguesa foi compilada por Charles Lapierre (BOLTON, 1893). Nessa compilação aparece também um compêndio popular em dois volumes de física e química aplicada à indústria (FERREIRA LAPA, 1854). Este último autor publicará a partir da década de 1870 vários livros de divulgação científica e técnica. De facto, a partir desta década aparecerão muito mais títulos de química, que escapam ao âmbito deste estudo.