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As colecções

Para além do Herbário que contém mais de 800 000 exemplares, .as colecções científicas da Universidade de Coimbra compreendem cerca de 240 000 objectos distribuídos por quatro categorias principais - História Natural, Etnografia, Instrumentos Científicos, Modelos - e ainda mais de duas mil obras em papel que incluem livro antigo, cartografia, painéis pedagógicos e arquivos. Cerca de 90% destes objectos são exemplares de História Natural das áreas da Zoologia, Geologia, Botânica e Antropologia. Os instrumentos e objectos de astronomia, física, química, história natural e medicina do século XVIII documentam de forma exemplar o ideal iluminista da busca pelo conhecimento científico.

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Fig. 9: O magnete chinês é um dos objectos emblemáticos do Gabinete de Física e a sua história antecede o Colégio dos Nobres. O instrumento possui uma magnetite oculta numa armação que representa a coroa real. A magnetite foi um presente do Imperador da China a João V, Rei de Portugal e o instrumento foi armado por William Dugood (1715–1767), membro da Royal Society que viveu em Portugal (fotografia de José Meneses)

Zoologia - A colecção zoológica é a mais numerosa, atingindo cerca de 200 mil exemplares. Contém o maior exemplar animal em museus portugueses, um esqueleto montado de uma baleia de 20 metros de comprimento, em exposição permanente na Galeria de Zoologia do Museu da Ciência. A colecção de vertebrados representa 5% do total e é composta por peles de espécimes de mamíferos, aves e peixes conservadas em seco e montadas para exposição; espécimes completos de répteis e anfíbios conservados em líquido; e uma colecção osteológica de esqueletos montados e crânios. Entre os mamíferos encontram-se exemplares únicos a nível nacional, nomeadamente um exemplar de urso e um casal de cabras do Gerês, ambos extintos em Portugal. Os invertebrados representam o resto da colecção, dos quais 75% são insectos. As colecções mais importantes são as de escaravelhos, borboletas e conchas.
Botânica – O espólio de botânica é composto por uma colecção de mais de três mil exemplares de frutos, sementes e ramos conservados em seco ou em líquido e uma série de produtos vegetais como resinas, gomas, fibras, cascas e madeiras do Brasil e países africanos de expressão portuguesa. Existe uma colecção importante de cerca de quinhentos modelos de flores e frutos, em cera e papier-maché, produzidos pelas mais famosas casas de modelos na Europa de finais do séc. XIX: Ziegler, Vasseur, Auzoux e Brandel. O acervo de espécimes vegetais é complementado por uma valiosa colecção de fósseis de plantas, de instrumentos como microscópios e lupas, e ainda uma série de artefactos produzidos com materiais vegetais.
Mineralogia e Geologia – No último quartel do Séc. XIX, o Museu de História Natural foi dividido em secções, de acordo com as grandes áreas das Ciências Naturais, sendo então criado o Museu Mineralógico e Geológico, que hoje integra a Galeria de Mineralogia do Museu da Ciência. As colecções de mineralogia, geologia e paleontologia estimam-se em mais de vinte mil exemplares com origem nas colecções criadas no fim do séc. XVIII, resultado de recolhas em Portugal e países de expressão portuguesa. A colecção paleontológica, de cerca de dez mil fósseis, é a mais numerosa. O acervo mineralógico constitui uma colecção de minerais portugueses e estrangeiros com cerca de cinco mil espécimes, assim como um conjunto de modelos cristalográficos. As colecções de rochas de Portugal e estrangeiras contêm mais de seis mil amostras.

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Fig. 10: O mineral Andradite (MIN.SIL.001143), assim nomeado em homenagem a José Bonifácio de Andrada e Silva (fotografia de José Meneses)

Da colecção de mineralogia faz parte o mineral Andradite, assim nomeado em 1868, em homenagem ao mineralogista José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), professor de Metalurgia da Universidade de Coimbra no início do século XIX, que lutou pela liberdade e independência dos povos. Prova da luta que desenvolveu toda a sua vida é o facto de Andrada e Silva ter participado na resistência durante as invasões francesas em Portugal e ter sido em seguida figura central do processo de independência no Brasil.

Antropologia - A colecção antropológica é um acervo de cerca de quatorze mil objectos constituído por colecções etnográficas e de osteologia humana, tendo como núcleo inicial a colecção recolhida por Alexandre Rodrigues Ferreira, na sua Viagem Philosophica à Amazónia no séc. XVIII. Durante a sua viagem, descreveu a aparência, vestuário, adereços, armas, tatuagens e costumes das comunidades índias. Apenas a título de exemplo, Alexandre Rodrigues Ferreira recolheu junto dos índios Jurupixuna várias máscaras usadas em danças de agradecimento ou celebração que remeteu para o Real Museu da Ajuda e que foram integradas na Universidade de Coimbra em 1806, em conjunto com todo o material recolhido durante a viagem. A tribo Jurupixuna já não existe, nem deixou quaisquer máscaras como estas no Brasil, sendo hoje o conjunto de máscaras raríssimo e de valor incalculável.

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Fig. 11: Máscara zoomorfa usada pelos índios Jurupixuna, que representa um papa-formigas (ANT.Br.137). Foi recolhida por Alexandre Rodrigues Ferreira durante a sua Viagem Philosophica ao Brasil, no Séc. XVIII (fotografia de Carlos Barata)

As colecções etnográficas, recolhidas na sua maioria durante o séc. XIX, representam Portugal e os países de língua portuguesa: Brasil, Angola, Moçambique, S. Tomé, Guiné, Macau, Timor e Goa entre outros. Do acervo faz também parte uma colecção notável de modelos de frenologia.
Química – A colecção de química tem o seu início associado às actividades de ensino e de investigação implementados no Laboratorio Chimico em 1772. Destaca-se pela sua raridade uma colecção de fornos cerâmicos de reverbero fabricados no próprio laboratório, assim como um conjunto de sete potes de botica em faiança do fim do séc. XVIII, da fábrica de Domenico Vandelli. A colecção no seu conjunto reúne, para além das raridades da química do séc. XVIII, mais de mil peças maioritariamente datadas do séc. XIX e XX. Deste núcleo faz parte um conjunto de mobiliário químico de bancadas e nichos de evaporação, e um grande número de balanças, retortas, frascos e estufas.
Astronomia - O núcleo mais antigo da colecção de astronomia está associado à actividade científica do Observatório Astronómico fundado no Séc. XVIII, que incidia no estudo da astronomia e da matemática para a geografia e para a navegação. O Padre Monteiro da Rocha, matemático e astrónomo, foi nomeado director do Observatório Astronómico em 1795, equipando-o com instrumentos vindos do Colégio dos Nobres de Lisboa e com encomendas ao construtor João Jacinto Magalhães em Londres. Fazem parte da colecção alguns instrumentos da autoria de um dos mais importantes construtores de instrumentos científicos do Séc. XVIII, George Adams.

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Fig. 12: Esfera armilar com planetário (AST.I.006), construída por George Adams, séc. XVIII. Trata-se de um modelo da Terra, do Universo e do Sistema Solar. A esfera possui, no seu interior, um planetário com o Sol no centro rodeado pelos planetas conhecidos na época (fotografia de José Meneses)

A colecção de astronomia foi saqueada pelas tropas napoleónicas durante as invasões francesas em Coimbra, em 1810. Da colecção faz hoje parte, ironicamente, uma pêndula de compensação de Berthoud, um instrumento utilizado para a determinação da hora de observações astronómicas, que caiu durante o saque partindo-se uma roda dentada, tendo o oficial encarregado desistido dele. A colecção actual é constituída por cerca de mil objectos que incluem mais de 200 instrumentos de observação, complementados por um conjunto de acessórios e ferramentas. Existe ainda uma colecção de desenhos, mapas e cartas celestes assim como um núcleo de livro antigo.