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A Biblioteca do OAUC

O trabalho astronómico de qualidade faz-se não só com bons instrumentos mas também com acesso a livros e a obras de referência[23]. Cientes disto, também os responsáveis pela construção do OAUC lhe prevêem uma ‘casa de livraria’. Apesar da planta do OAUC (‘Observatorio Conimbricense (1792’ [OAUC G-006]) não apontar especificamente essa divisão, a verdade é que tanto o inventário de 1810 [OAUC Inventário 1810] como o de 1824 [OAUC Inventário 1824] referem a existência de uma biblioteca no Observatório, elencando as obras aí existentes[24].

Através dos dois inventários é possível perceber que entre 1810 e 1824 a biblioteca foi aumentada substancialmente, possuindo um conjunto muito significativo de títulos. No inventário de 1810 constam, entre livros, mapas e cartas celestes, 50 títulos, no de 1824 listam-se 146 títulos.

Estão presentes, no que diz respeito aos livros de astronomia e de instrumentos, autores (maioritariamente franceses) como: Lacaille, Lalande, Delambre, Pingré, Bailly, Bouguer, Borda, Laplace, Bird, Berthoud, entre outros. Possuía as mais representativas efemérides e tabelas astronómicas estrangeiras: as francesas, ‘Connaissance des Temps’ e as ‘Ephemerides des Mouvements Celestes’; o ‘Nautical Almanak’ inglês; as efemérides de Berlim, ‘Berliner Astronomische Jahrbuch’; as do Observatório de Brera (Milão), ‘Ephemeridi Astronomi di Milano’; as espanholas do Observatório de Cádiz, ‘Almanaque náutico y efemérides astronómicas do Observatório Real de Cádiz’; bem como as portuguesas da ACL, ‘Efemerides Náuticas, ou Diário Astronómico’ e, evidentemente, as suas próprias efemérides, ‘Ephemerides Astronomicas calculadas para o meridiano de Coimbra’. Também possuía as de Weimar, editadas por Franz Xaver von Zach (1754-1832), ‘Allgemeine Geographische Ephemeriden’. No que diz respeito a tabelas astronómicas constam nos inventários: as de Halley (1656-1742); de Tobias Mayer (1723-1762); de Lalande, Tables astronomiques pour servir a la trosieme edition de l'Astronomie (Paris, 1792); as de Alexis Bouvard (1767--1843), Tables Astronomiques de Júpiter, de Saturne et d'Uranus (Bureau des Longitudes) (Paris, 1821); as de J. B. J. Delambre (1749-1822) e de Tobias Bürg (1766-1835), Tables Astronomiques (Bureau des Longitudes) (Paris, 1806); entre outras. Também não falta a importante publicação editada por von Zach, as Monatliche Correspondenz. Também possuía as famosas publicações das observações do Observatório de Greenwich, feitas pelos astrónomos reais, James Bradley (1693-1762), Maskelyne (1732-1811) e John Pond (1767-1836). São também várias as cartas celestes possuídas: o famoso atlas de John Flamsteed (1646-1719) – Historia Coelestis Britannica (Londres, 1725) –, bem como a tradução portuguesa feita por Francisco António Ciera (1763-1814) e Custódio Gomes Villas-Boas (1744-1808) e publicada pela Imprensa Régia, em 1804. Da Uranographia (1801) de J. Elert Bode (1747-1826) possuía encaixilhadas várias cartas celestes – «Colecção cartas celestes de Bode (encaixilhadas)».



[23] Darquier adverte que todo o astrónomo deve ter acesso a bons livros teóricos e ele próprio, à semelhança de outros observatórios europeus, possuía no de Toulouse uma biblioteca bem fornecida: «pour la théorie, qu'il faut toujours faire marcher de front, vous avez dans ma bibliothèque tout ce que vous pouvez désirer à cet égard: les ouvrages des MM. de la Caille, le Monnier, de la Lande, &c. vous offrent des secours bien plus puissants que tous ceux que vous pourriez attendre de moi.» [Darquier 1786, p.2].

[24] ‘gabinete dos livros’ e ‘livraria’, assim é designada respectivamente nos inventários de 1810 e 1824.