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Observatório Astronómico: vicissitudes da sua construção

fig. 1

Fig. 1

Hoje, a maior parte dos muitos visitantes que franqueiam a Porta Férrea da Universidade e olham, ao entrar no Pátio das Escolas, à sua esquerda e se aproximam do varandim para desfrutar a imensa vista sobre a baixa da cidade e do rio Mondego, não faz ideia que foi aí que durante muitos anos (quase 150) esteve edificado o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC) – um edifício de configuração rectangular, “constituído por três corpos contíguos em que o central é três vezes mais alto do que os laterais.” [Bandeira 1943-1947, p.129] –, e que foi demolido aquando das obras de requalificação da Universidade de Coimbra nos anos 50 do século XX (fig.1). Porém, este edifício não foi aquele que a Reforma Pombalina previu edificar. O sítio que se determinou primeiramente para a construção do Observatório foi o Castelo da cidade [Lemos 1777, p.260], que se situava na vertente da Alta de Coimbra oposta ao Paço das Escolas, onde hoje é o Largo D. Dinis (no cimo das escadas Monumentais)

O sítio do Castelo da cidade para além de corresponder a um dos principais requisitos que um edifício desta natureza exigia, o ser edificado num lugar alto e “desassombrado por todos as partes” [Estatutos 1772, v.3 p.214][3], desempenharia também um papel simbólico da própria Reforma Pombalina. A monumentalidade da Reforma espelhava-se na obra arquitectónica dos vários estabelecimentos científicos, dos quais sobressairia pela monumentalidade e localização o Observatório Astronómico. É com base neste programa que o arquitecto e engenheiro Guilherme Elsden (?-1779) irá desenvolver as duas versões conhecidas do projecto para o edifício[4].
O Castelo era constituído por duas torres: a de menagem quadrada, de construção afonsina, a que se chamava Torre Nova; e uma segunda, de configuração pentagonal que embora fosse de construção mais recente, pois havia sido erguida nos tempos de D. Sancho I, era designada por Torre Velha [Lobo 1999, p.4].

Fig. 2

Fig. 2 “Planta do Castelo e Casas a ele contíguas em a Universidade de Coimbra [Elsden, 1773]” [BGUC, Ms.3377/41]

Na tentativa de aproveitar as duas torres é delineada uma primeira versão para o projecto do observatório constituído por um volume com três pisos organizado a partir do aproveitamento das duas torres, enquadrando-as nos topos laterais do edifício a construir.

Fig. 3

Fig. 3 alçado do Observatório do Castelo [Elsden, c.1773] [MNMC, Inv. 2945/DA 23]

Assim temos um piso térreo porticado em silharia de junta fendida, com treze vãos formados por arcos de volta perfeita em correspondência aos treze vãos em cada um dos dois pisos superiores, definindo um bloco maciço enquadrado pelas pilastras laterais e entablamento superior de grande contenção e sobriedade, com as duas torres a projectarem-se nas extremidades. À esquerda uma formação aparentemente quadrangular com três vãos por lado, à direita, e assente em estrutura quadrangular rematada por mísulas (com assentamento para uma inscrição ausente e ladeada pela iconografia relativa ao observatório), a outra torre de definição octogonal com um vão em cada um dos lados do octógono. A cobertura apresenta o remate coroado por pequenos balaústres [Martins & Figueiredo 2008]. Esta proposta foi discutida e trabalhada com os vários professores da Faculdade de Matemática, principalmente com Miguel Ciera (1725?-1782), à data o professor da cadeira de Astronomia [Lemos 1777, p.126] e [ANTT MNR Ms.513].

Ao que parece que a torre pentagonal não estava em bom estado de conservação e é demolida, avançando-se assim para outra versão onde a Torre Nova de forma quadrada vai constituir o elemento fundamental, situando-se no centro da composição e não de um dos lados. Com esta 2ª versão, ao deslocar-se a implantação do edifício para mais próximo do Colégio de São Jerónimo, ou seja, ao ficar centrado na torre quadrada, evitava-se um embasamento muito maior, podendo-se assim endireitar o terreno e “formar-se uma planta regular”, como o reitor Francisco de Lemos (1735-1822) afirma. Esta 2ª versão, a mais monumental das propostas para o Observatório do Castelo, será aprovada no último trimestre de 1773[5].

Fig. 4

Fig. 4 “Elevação Geométrica da frente principal do Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra” [Franco 1983]

Estamos perante o projecto de um edifício de dois pisos, porticado no piso térreo, e encimado por um corpo recuado onde se eleva, ao centro da composição, a torre do observatório faz o aproveitamento da torre de menagem afonsina de planta quadrada. Neste projecto, um dos mais belos projectos de Elsden para a Universidade, a galeria porticada do piso térreo, em cantaria de junta fendida, clarificava a função urbana de porta: iniciar o acesso à Rua Larga e prolongar o Passeio Público que vinha desde o já idealizado Jardim Botânico, em confronto com o Colégio de S. Jerónimo; implantava-se no local onde desembocava uma das mais importantes vias de acesso à Alta. O Observatório Astronómico tem assim um forte poder simbólico, pois representa ele próprio o paradigma de uma monumental Reforma: a Reforma dos estudos universitários como um todo e a reforma dos estudos das 'Sciencias Naturaes' em particular[6]

Em 1775 (a partir do mês de Setembro) quando estava realizado o essencial do piso térreo, com o edifício erguido até ao 1º piso, “a uma altura não inferior a 8 metros”, as obras param. O elevado custo dos trabalhos atingido em cerca de dois anos e meio, e quando estava ainda por realizar parte significativa da obra, é a principal causa para a interrupção de tão ambicioso projecto[7]. Entretanto, o Reitor, D. Francisco de Lemos (1735-1822), consciente do tempo que levaria a pôr de pé tal equipamento mandou construir para uso das aulas um pequeno observatório interino (de caracter provisório) no terreiro do Paço das Escolas[8]. A escolha deste local para a construção deste pequeno edifício provisório, que foi realizado de imediato, representa uma opção que era admitida pelos próprios Estatutos, a da comodidade: “procure escolher o lugar, que para o sobredito Observatório for mais próprio; na maior vizinhança da Universidade, que couber no possível; quando não haja a comodidade para o estabelecer dentro nos Paços dela”. Distante dos acessos à Alta, e por isso mais recatado, o local dispunha de um amplo espaço aberto sobre o vale do Mondego. Esta condição talvez explique a posterior escolha deste local, nos finais da década de 1780, para a edificação do definitivo Observatório Astronómico da Universidade (OAUC). O observatório interino terá sido então construído entre 1775 e 1777[9] e com o passar dos anos vai sendo alvo de algumas obras e pequenas requalificações. Deverá ter inclusive sofrido uma ampliação, pois são feitos pagamentos em 1784 ao que se chama “novo acrescento do Observatório dentro da Universidade” (explicando-se assim as despesas que para ele se encontram nos arquivos). Em 1787 é alvo de mais intervenções [ANTT Mç.517 Ministério do Reino]. Este pequeno edifício provisório, construído na década de 1770, e que será alvo de contínuos melhoramentos até c.1787, terá servido até cerca de 1790, data em que se começa a construção do definitivo OAUC, quase em exclusivo para o uso das aulas. (Terá sido demolido aquando da construção do definitivo OAUC, que irá aproveitar parte do espaço que o observatório interino ocupava [Figueiredo 2011, pp.283-305]).

O problema da efectiva falta de um verdadeiro Observatório Astronómico na Universidade exigia uma solução. Será por volta por volta de 1785-87 que tal se começa a desenhar. Terão sido várias as razões para que só por volta desta altura a questão da falta de um verdadeiro Observatório Astronómico volte a estar em cima da mesa. Uma deve-se a questões internas à própria astronomia, as outras a condicionalismos externos.

Por volta de 1785-1787 encontra-se reunido praticamente todo o acervo instrumental indispensável à efectiva função e actividade astronómica que se pretendiam para um verdadeiro estabelecimento científico tal como os Estatutos estipulavam, nomeadamente a elaboração das efemérides astronómicas. O observatório interino, de carácter provisório e relativamente acanhado, construído para uso das aulas não possuía as necessárias condições de acomodação e uso dos instrumentos que entretanto se haviam adquirido, nem as condições mínimas de observação e trabalho para os astrónomos e calculadores das efemérides. Parece-nos bastante provável que o A.R. de 1-10-1787 assinado pelo Ministro do Reino, D. Tomás Xavier de Lima Visconde de Vila Nova de Cerveira (1727-1800), seja uma consequência directa de sucessivas interpelações de José Monteiro da Rocha (1734-1819) (que para além de professor da cadeira de Astronomia é também Vice-Reitor da Universidade desde 31-7-1786) face à inexistência de um verdadeiro Observatório Astronómico na Universidade capaz de trabalhar no “aditamento da Astronomia”[10].

Há outras razões que poderão também ter contribuído para que esta questão se tenha tornado premente. Uma é a actividade científica da Academia das Ciências de Lisboa (ACL), que inaugura o seu Observatório Astronómico, instalado no Castelo de São Jorge, no início de 1787 (3-1-1787), e que tinha também como objectivo a publicação de umas efemérides ‘para utilidade da navegação portuguesa e aumento da Astronomia’, colidindo assim directamente com um dos principais objectivos do inexistente Observatório da Universidade[11]; também data destes anos uma série de discussões no seio da ACL sobre a organização e possível levantamento geodésico e cartográfico do Reino. (Lembremos que data também de 1787 a tentativa (A.R. de 16-3-1787) do estabelecimento da Congregação Geral das Ciências conforme os Estatutos haviam estipulado, mas que não se havia concretizado; numa clara reacção da Universidade face ao papel competitivo que a ACL vinha assumindo). Outra das razões é a mudança de Governo. O Governo que se formou (em 24-02-1777) após a subida ao poder da rainha D. Maria I (1734-1816) não contribuiu para dar um novo impulso às obras da Universidade de Coimbra, que vinham do Governo de Pombal. Pelo contrário, faltou empenho e persistência nos trabalhos públicos ao ministro Vila Nova de Cerveira que substituiu Sebastião Carvalho na pasta do Reino. Este Governo, marcado por hesitações e adiamentos, relegaria a questão do Observatório da Universidade para um esquecimento que a partir de 1785 é reavivada por José Monteiro da Rocha – há instrumentos, há recursos humanos; mas não existe um edifício capaz de albergar as diferentes valências indispensáveis a uma efectiva actividade astronómica. Todavia, com a formação de um novo Governo (em 15-12-1788) que vê nomeado José Seabra da Silva (1732-1813), antigo colaborador do Marquês de Pombal na Junta de Providência Literária, para a Secretaria de Estado do Reino, a questão iria, finalmente, resolver-se.

Fazia parte do programa deste novo Governo, movido pela acção de fomento para o território continental, a conclusão de obras que se arrastavam há alguns anos ou de projectos que não tinham sido postos em prática [Martins 2009]. É assim que a partir de 1788 o projecto da construção de um definitivo Observatório Astronómico na Universidade passa a estar verdadeiramente em cima da mesa. Vários projectos são então delineados por Manuel Alves Macomboa (?-1815), o arquitecto agora responsável pelas obras universitárias[12], sob as ordens e considerações de Monteiro da Rocha. 

A solução para o definitivo Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra (OAUC) passava por fixar a sua localização no topo Sul do Paço das Escolas. Abandonava-se, assim, definitivamente, o longínquo e primitivo Observatório do Castelo projectado por Guilherme Elsden. A concretização da opção de realizar o OAUC no Pátio das Escolas foi muito debatida. No espaço de quatro anos (1788-1792) são conhecidos quatro projectos arquitectónicos (três deles em menos de meio ano): uma primeira versão em 1788; uma segunda versão em Setembro de 1790; uma terceira em Novembro de 1790; e uma quarta versão em Fevereiro de 1791 e Setembro de 1792 (que corresponde à versão construída). A concretização do projecto do OAUC constituiu um processo riquíssimo de desenho, estando em cima da mesa duas hipóteses (que decorrem, aparentemente, entre 1788 e 1791[13]) que têm como pontos comuns: o programa de instalações, o carácter permanente do edifício e a sua localização e amarração do edifício ao muro do Terreiro que dá para a rua da Trindade (hoje Rua José Falcão). Estes dados de trabalho, essenciais para se poder projectar, devem ter passado pela Secretaria de Estado do Reino e deviam constituir temas decididos e acordados entre o Estado e a Universidade, ou seja entre José de Seabra da Silva, o Reitor e José Monteiro da Rocha[14]. Em nenhum dos projectos, realizados nesta fase, estes dados estão em causa. Varia isso sim, e isso os distingue, a forma e a disposição volumétrica.

A forma final do edifício – o projecto final do OAUC é aprovado pela Junta da Universidade em 5-2-1791, estando em 1799 concluído o edifício –, será constituída por um corpo horizontal com um piso e cobertura plana, e uma torre com três pisos definida a partir do vão central, também com cobertura plana.

Fig. 5

Fig. 5 “Prospecto ou vista do patio a Universidade” [BGUC Ms. 3377-44]

Fig. 6

Fig. 6 “Planta do Observatório Astronómico que a Universidade mandou fazer dentro no seu pátio no anno de 1791” [BGUC Ms. 3377-44]

Fig. 7

Fig. 7 “Prospecto ou fasia da rua da Trindade e Expecato emtrior por A B” [BGUC Ms. 3377-45]

Este edifício é um bom exemplo do desfasamento entre as ambições iniciais da Reforma Pombalina e a nova realidade. Pensado no seu início como um edifício destacado de todos os estabelecimentos científicos, o Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra acabava no mais modesto de todos eles[15]. Abdicava-se da carga simbólica e da função urbana iniciais e concentrava-se a atenção na criação de um estabelecimento astronómico [Martins & Figueiredo 2008].

Fig. 8

Fig. 8 “«Observatorium Conimbricense Academian Moderante Ex.mo ac Rmo D. D. Francisco Raphaele de Castro Ex Comitibus Resendiensibus, A Regiis Consiliis, S. E. P. Lisbon principali, Anno M.DCC.XCII exstructumicense (1792)’ [OAUC G-006]



[3] “O dito Observatório deverá ser desassombrado por todos as partes; de sorte, que dele se domine livremente o Horizonte; e se possam observar todos os Fenómenos, que sucederem no Hemisfério superior. Além disso deverá ser amplo, e cómodo; para nele poderem diversos Astrónomos observar ao mesmo tempo o mesmo Fenómeno: Tendo-se grande atenção em dispor as janelas com tal artifício, que se possam fazer as Observações nocturnas em quaisquer distâncias do Zénite, sem os Observadores serem incomodados pelo sereno.” [Estatutos 1772, v.3 p.214].

[4] Guilherme Elsden chega a Coimbra em inícios de Março de 1773 [DRP 1937-1979, v.1 p.80] e no final do mês começam os preparativos da obra com a demolição do Castelo medieval e a regularização do terreno. Os trabalhos começaram em 29 de Março de 1773 com 64 trabalhadores desmanchando as paredes velhas do Castelo [ANTT Mç.513 Ministério do Reino]. Na semana que finda em 3 de Abril de 1773 são pagos os primeiros ordenados e despesas referentes à obra [AUC Liv.1 Est.10 Tab.2 n.15].

[5] Esta é a versão final do observatório astronómico do Castelo, aquela que é apresentada por Francisco de Lemos à Rainha ([Lemos 1777], [Franco 1983]). Na verdade ao longo de todo o ano de 1773 houve imensas indefinições relativas ao projecto definitivo, com várias e sucessivas plantas a serem desenhadas e discutidas (de que hoje se desconhece o paradeiro e que creio mesmo que não será fácil encontrá-los!). No Ofício de 15-4-1773 começam a ser discutidas e aprovadas as plantas das obras [DRP 1937-79, v.1 p.69]. Três meses depois (24-6-1773) o Reitor informa que as obras preparativas para a construção do edifício haviam entretanto começado, estando o Castelo já desembaraçado das muitas paredes velhas que eram necessárias demolir para fundar o edifício [Braga 1898-1902, v.3 p.470]. Em 3-9-1773, ao que parece, as plantas estavam quase prontas com as obras de preparação ainda a decorrer [Braga 1898-1902, v.3 p.504].

[6] Na Provisão de 16-10-1772 o próprio Marquês faz questão de referir essa função simbólica do edifício: “para que a entrada para o mesmo Observatório e para a Rua Larga dos Colégios, sendo uma das principais e mais úteis, e necessárias fique em benefício público dos Académicos, e dos habitantes de Coimbra livre e desembaraçada dos impedimentos, e perigos que nela se acham; e constituindo uma das porções mais formosas da mesma Cidade naquela parte destinada aos passeios públicos”. A respeito do discurso arquitectónico da própria Reforma Pombalina vejam-se [Pimentel 2000] e [Craveiro 2004].

[7] Desde o início da Reforma que o custo das obras foi uma preocupação constante para o Governo e para a Universidade [DRP 1937-1979, v.1 p.71] (em Novembro de 1775 há grandes dificuldades de tesouraria para o pagamento das “Folhas das Obras” [DRP 1937-1979, v.1 p.215]). De facto os livros de despesa referentes às obras do observatório do Castelo fecham as contas no mês de Setembro de 1775 com um custo total de 18879$582reis [AUC: Universidade de Coimbra, Administração e Contabilidade, Obras, Observatório Astronómico. Despesas com Obras. Livro I, II, III] – valores efectivamente elevados, a representarem cerca de 15% do custo global das obras da reforma da Universidade, quando o edifício pouco ia além dos alicerces.

[8] “Para o uso interino das Lições, e Observações Astronómicas fiz construir hum pequeno Observatório no Terreiro dos Paços das Escolas, o qual tem servido até aqui para o dito fim. […] Para se não suspender o Exercício das lições e Observações Astronómicas enquanto não se acabar o Grande Edifício [observatório do castelo] para elas destinado construir-se no Território dos Paços da Universidade uma Casa térrea para servir de Observatório interino” [Lemos 1777, p.214, 127].

[9] Em 1777, segundo John Blankett (1740?-1801), já estava construído [Blankett 1777, p.33].

[10] Nesse A.R. de 1-10-1787 Vila Nova de Cerveira informa o Reitor de que o Observatório da Universidade era para ser efectivamente construído, “Sua Majestade, achando muito justo, e necessário que o Observatório Astronómico, e o Teatro Anatómico se concluam, e acabem, como V. Exa. lhe representou […]” [DRP 1937-1979, v.2 pp.177-178].

[11] O projecto da publicação pela ACL das ‘Ephemerides Náuticas, ou Diário Astronómico’ (Lisboa, 1788) começara a ser pensado cerca de meia dúzia de anos antes (1781), tendo José Monteiro da Rocha sido sondado pelo Secretário da ACL sobre esse assunto (veja-se [Figueiredo 2011, pp.365-369]).

[12] Manuel Alves Macomboa, que chega a Coimbra em 1773 como mestre-de-obras, exercerá a partir do ano de 1782 e até 1810 as funções de arquitecto das obras da Universidade.

[13] A partir de Setembro de 1790 tudo se passa muito rápido dando a impressão que a decisão tem de ser rapidamente tomada, sendo em pouco tempo realizados três projectos.

[14] Para Seabra de Albuquerque o cerne da questão do projecto do novo OAUC ter-se-á desenvolvido num diálogo mais restrito entre Monteiro da Rocha e Macomboa, em que este vai respondendo de acordo com as hipóteses colocadas pelo Vice-reitor [Albuquerque 1876, p.76]. Há porém outra hipótese a considerar, as propostas do arquitecto e de Monteiro da Rocha por um lado serem tratadas directamente com a Junta da Fazenda da Universidade (Monteiro da Rocha era Vice-Reitor e há documentação que explicita “por mando do vice-reitor”). Outra alternativa, que nos parece mais plausível, é a de ter sido um diálogo directo de Monteiro da Rocha com o ministro que tutelava as obras públicas, José de Seabra da Silva. Segundo o investigador Carlos Martins, muitas obras públicas desta altura conhecem vários projectos e alternativas e o processo vai passando directamente pelo ministro, que vai dando instruções caso a caso (as alternativas normalmente vêm da equipa projectista mas passa tudo pelo ministro). Assim no caso do projecto do OAUC estamos em crer que este terá sido fruto de Monteiro da Rocha em diálogo com o Ministro e Macomboa a desenhar e a fazer o que o primeiro manda. (Monteiro da Rocha é referido explicitamente não só nas próprias plantas e desenhos dos projectos do OAUC mas em vários outros documentos justificativos de despesas referentes à obra; note-se que o Aviso Régio de 23-1-1778 autorizava a Junta da Fazenda a dispor sem prévia licença régia de 400$000 reis anuais para despesas de obras).

[15] A 1ª versão do Observatório do Castelo compreendia um edifício com uma frente de 49m e uma altura (pela torre mais alta) de 31m; a 2ª versão compreendia um edifício de frente 58m e uma altura total (do solo ao topo da torre) de 37m. O OAUC construído no Pátio tinha de frente 41m e uma altura total de 24m.