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O Instituto – revista científica e literária

Desde o início, a publicação de um jornal científico e literário surgiu como a principal ferramenta de prossecução dos objetivos definidos para a nova sociedade académica. Proveniente da primeira corporação científica do país (Sampaio, 1852, p. 1), O Instituto, título atribuído à publicação, não se assumiu de modo nenhum como um periódico popular, mas antes como um meio de divulgar os trabalhos dos seus sócios entre os seus pares, mesmo que de áreas distintas, e um espaço de debate de ideias ao promover o “diálogo entre intelectuais” (Xavier, 1992, p. 91). A sua criação pretendeu preencher uma lacuna que então se fazia sentir na produção científica e literária, gerando, desta forma, um ponto de encontro entre os vários pensadores da Universidade, institutos, liceus e escolas, potenciador de reformas e novas ideias, desde que não extravasassem o limite da polémica (Saraiva, 1993, p. 43). Este desiderato integrava-se no novo ideário burguês surgido à luz da nova geração liberal e no espírito da “regeneração”.

Uma importante concessão, numa portaria de 5 de setembro de 1853, autorizou a publicação do jornal científico do IC na Imprensa da Universidade, por conta do Estado, estando apenas o IC obrigado a fornecer o papel. A condição deste privilégio era “que metade das colunas do jornal seja reservada para a parte oficial do Conselho Superior de Instrução Pública e das Faculdades académicas, e para o movimento dos hospitais da Universidade”. Para O Instituto era canalizada muita informação relevante do funcionamento da instituição universitária, que incluía os programas dos cursos universitários, as estatísticas de frequência estudantil, os prémios e informações distintas atribuídos aos estudantes e as propostas de reformas a implementar nas várias Faculdades. Durante a segunda metade do século XIX, esta publicação assumiu-se como o órgão principal de divulgação da atividade científica realizada na Universidade, recolhendo os trabalhos e memórias produzidos pelo corpo académico e os relatórios daqueles que efetuavam missões científicas ao exterior. A história deste estabelecimento de ensino superior foi um tema reincidente em muitos artigos. Estes propósitos ficaram, desde logo, claros na introdução ao primeiro volume de O Instituto, escrita por Adrião Pereira Forjaz: devia ser dada preferência na publicação a tudo “quanto respeitar de mais interessante ao passado, presente e futuro da Universidade”.

Confirmando estas intenções, encontramos nos dois primeiros volumes de O Instituto um conjunto de memórias de José Maria de Abreu que, no seu conjunto, expõem a história da Universidade de Coimbra até 1852. Estas relatam as visitas realizadas pelos reis D. João III e D. Sebastião, em 1550 e 1570, por D. Catarina de Bragança, rainha viúva de Inglaterra, por D. Pedro II e pelo arquiduque D. Carlos, em 1693 e 1704, pelo Marquês de Pombal, em 1772, por D. Fernando, o rei consorte, em 1836, e pela rainha D. Maria II, acompanhada pelo esposo e os filhos D. Pedro e D. Luís, em 1852. Mais extensas são as Memórias Históricas da Universidade de Coimbra, elaboradas por Abreu como “um ligeiro esbôço de uma obra digna de melhores ingenhos, e de mais aprimorado trabalho” (Abreu, 1852, p. 193), que conheceram um desenvolvimento mais profundo prolongado ao longo de dois volumes. 

A revista científica e literária O Instituto adquiriu, pela sua longevidade, singularidade no panorama nacional. Ganhou prestígio ao tornar-se uma obra de troca: Em 1935, O Instituto era permutado com mais de 200 periódicos nacionais e internacionais. Ao longo de 130 anos foram publicados 141 volumes, o último dos quais em 1981, prenunciando já o fim do IC. Em 1942, quando se publicou o centésimo volume de O Instituto, o Secretariado da Propaganda Nacional, órgão do Estado Novo, ofereceu uma lápide comemorativa descerrada na sede do IC, onde, ainda hoje, se pode ler: “Neste edifício tem a sua sede a mais antiga revista literária do país.”