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Introdução

A história das colecções recolhidas na Viagem Philosophica pelas Capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Cuiabá, do Brasil em 1783-1792 remetidas por Alexandre Rodrigues Ferreira para o Real Museu da Ajuda em Lisboa é verdadeiramente atribulada e teve como desfecho a perda do acervo original, a destruição e a dispersão dos espécimes por diferentes instituições de Portugal a França. Foram enviadas 19 remessas de material para o Real Museu da Ajuda em Lisboa ao longo da década em que decorreu a viagem do naturalista. A destruição e dispersão do acervo original decorreram desde 1808, por ocasião das invasões francesas quando ocorreu o saque ao espólio de história natural do Museu, até 1978, data da ocorrência do incêndio do Museu Bocage no antigo edifício da Escola Politécnica, em que se perdeu algum do espólio zoológico que restava.

Na primeira década de oitocentos verificou-se o envio de remessas de espécimes do Real Museu para a Universidade de Coimbra, uma das quais se identificou através do manuscrito, Relação Dos Productos Naturaes e industriaes que deste Real Museu se remetterão para a Universidade de Coimbra em 1806 (FERREIRA?, 1806) que hoje se encontra no antigo arquivo do Museu Bocage (MNHN) em Lisboa. Tendo este documento como ponto de partida, foi já desenvolvido e publicado um estudo em profundidade do sector do acervo de antropologia desta colecção de Coimbra (AREIA et al., 1991; FERRÃO & SOARES, 2005; ver também o poster “Materiais botânicos e zoológicos das viagens philosophicas no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra”, de Silva et al. neste congresso). Outros estudos do acervo documental e espécimes zoológicos de Lisboa e de Paris foram publicados em FERRÃO & SOARES (2002, 2003).

Por ocasião da transferência das colecções de história natural da Universidade de Coimbra para a gestão do Museu da Ciência, em Julho de 2010, o Museu tem vindo a desenvolver no âmbito do projecto História da Ciência na Universidade de Coimbra (1547-1933); Da Fundação do Colégio de Jesus ao início do Estado Novo (FCT HC/0119/2009), uma pesquisa de espécimes das colecções fundadoras de história natural do séc. XVIII, que se referem aos materiais botânicos, zoológicos e mineralógicos, entre os quais se contam os espécimes remetidos por Ferreira, do Real Museu da Ajuda para Coimbra. A redescoberta do herbário de peixes do Brasil foi um momento de grande surpresa e emoção pelo seu significado; ela decorre neste contexto de investigação, ficando, contudo a perplexidade de passados mais de dois séculos ser possível encontrar exemplares desconhecidos destas colecções. O ciclo de estudo dos espécimes de Ferreira continua, afinal “Os exemplares e estampas [não] estão esgotados, e resta apenas a exegese dos textos, até hoje muito mal aproveitados.” VANZOLINI (1996:198).