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Redescoberta da colecção ictiológica do século XVIII no Museu da Ciência, Universidade de Coimbra

A redescoberta do lote de 68 espécimes de peixes, conservados pela técnica de “herbário”, conduziu a esta investigação que pretende recuperar a memória histórica da colecção ictiológica do Gabinete de História Natural da Universidade de Coimbra no séc. XVIII. A maioria dos exemplares encontrados foi alvo de acabamentos únicos na colecção de Coimbra entre os quais se salientam: olho folheado a ouro, inserção do espécime em cartão com filetes e pintura no bordo, nome científico seguindo a taxonomia de Lineu, nomes comuns em português e língua indígena do Brasil. Características que indiciam a origem destes exemplares no acervo de espécimes brasileiros do Real Museu da Ajuda, recolhidos por Alexandre Rodrigues Ferreira durante a maior viagem philosophica realizada por naturalistas à Amazónia, remetidos para Lisboa entre 1783 e 1792. A qualidade das preparações em “herbário” e a caligrafia constituem evidência do trabalho dos preparadores e desenhadores da Casa do Risco. Existe documentação no arquivo do Museu Bocage (MNHN) relativa à remessa de materiais enviados da Ajuda para Coimbra em 1806, que revela uma listagem de 62 espécimes de peixes dos quais uma parte substancial coincide ao nível do género com os da colecção encontrada. As únicas colecções conhecidas deste acervo eram a colecção do Muséum National d’Histoire Naturelle de Paris, uma centena de espécimes levados por Étienne Geoffroy Saint-Hilaire em 1808 no saque das Invasões Francesas, muito rica em espécies tipo e recentemente reclassificada como colecção muito rara de elevado valor científico. Em Portugal encontra-se uma pequena colecção na Academia das Ciências de Lisboa.