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História da Ciência na UC

Identificação do projecto

Projecto HC/0119/2009 - História da Ciência na Universidade de Coimbra (1547-1933). Da fundação do Colégio de Jesus ao início do Estado Novo, financiado  pela FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

ÁREA CIENTÍFICA PRINCIPAL

História da Ciência e da Técnica

ÁREA CIENTÍFICA SECUNDÁRIA

História - Herança - Cultural

Palavras-chave:

  • História da ciência
  • Universidade de Coimbra
  • Património
  • Museu da Ciência

Data de início do projecto

1/10/2010

Duração do projecto em meses

40 meses

2. Instituições envolvidas

Instituição Proponente e de Acolhimento: Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra.

3. Componente Científica

Sumário

O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC), inaugurado na sua fase de prefiguração em 2006 após um processo de requalificação arquitectónica e patrimonial, aproveita um espaço de ciência do século XVIII como moderno espaço expositivo. A sua abertura no Laboratorio Chimico, num edifício que data da Reforma Pombalina, permitiu não só mostrar ao público um novo pólo de cultura científica, mas também preparar conteúdos e conhecimentos para a segunda fase do desenvolvimento do Museu, que contemplará na segunda fase uma intervenção de grande envergadura no antigo Colégio de Jesus, um dos mais antigos colégios da Companhia de Jesus no mundo, onde um vasto conjunto patrimonial em várias áreas da ciência (astronomia, física, química, geologia, biologia, medicina, farmácia, etc.) será objecto de requalificação.

Tal esforço, que se relaciona de perto com a preparação da candidatura da UC a Património Mundial da UNESCO, tem alimentado o interesse pela história da ciência na UC, uma história que se confunde nos tempos mais remotos com a história da ciência em Portugal. O presente projecto centra-se na investigação da história da ciência na UC desde a edificação daquele colégio jesuíta em 1547, no tempo de D. João III (portanto, ainda na época dos Descobrimentos Portugueses), até 1933, quando começa o Estado Novo. Procurará, com base nos estudos disponíveis, efectuar uma síntese assim como realizar trabalhos de digitalização de fontes documentais e de objectos e instrumentos científicos, que poderão servir de base a novas investigações.

Em 1772 o ensino das matemáticas e das ciências físicas e naturais conheceu um forte impulso com a Reforma Pombalina, que pretendeu romper com a neoescolástica e estabelecer o ensino experimental. Desde essa altura que o ensino dessas ciências passou a ter uma relação estreita com o ensino das ciências da saúde na Universidade de Coimbra, desde há muito ministrado na Faculdade de Medicina. Foram criadas as Faculdades de Filosofia e de Matemática e modernizou-se a Faculdade de Medicina. Em meados do século XIX, passadas as vicissitudes do início desse século, o ensino das ciências experimentais e das ciências médicas conheceu um novo impulso influenciado pelo intercâmbio com o exterior. As Faculdades de Matemática e Filosofia deram lugar à Faculdade de Ciências em 1911, pouco depois da implantação da República.

O desenvolvimento de todas as Faculdades da UC na área das ciências ao longo dos séculos permitiu reunir um valioso património científico que tem sido objecto de interesse por vários investigadores da história das ciências. Este património está na origem da criação do Museu de Ciência, que foi distinguido pelo Forum Europeu dos Museus com um prémio para o melhor museu de ciência e tecnologia do ano de 2008. A gestão do Museu será da responsabilidade da Fundação Museu da Ciência (reunindo a UC e a Câmara Municipal de Coimbra). As colecções científicas da UC, que têm sido usadas em várias exposições de prestígio mundial, foram objecto de avaliações extremamente positivas por especialistas estrangeiros de renome (em 1994, por Michel van Praet, Robert Halleux, Roger Miles e Samuel Taylor, em 2008 também por Steven Engelsman, Robert Bud e Christophe Dufour). A concretização da primeira fase do Museu da Ciência da UC e o início já em curso da segunda fase daquele Museu no Colégio de Jesus, com a abertura de concurso internacional para projectistas e a constituição de uma comissão científica, muito podem beneficiar e ser beneficiados pela consolidação e expansão da investigação em história da ciência, que este projecto pretende assegurar.

Para além da elaboração de uma síntese histórica com base na extensa bibliografia existente, o presente projecto multidisciplinar e interdisciplinar, que reúne investigadores de diversas Faculdades e centros da UC assim como de Faculdades e centros exteriores à UC, permitirá a continuação do estudo do rico acervo científico da UC, dando particular atenção ao antigo Colégio de Jesus. O edifício desse Colégio, profundamente adaptado a colégio universitário pela Reforma Pombalina, serviu, ao longo dos século XIX e XX, como pólo de ensino e desenvolvimento das ciências experimentais e das ciências da saúde (medicina e farmácia). Importa, ao mesmo tempo, que se planeia a sua requalificação e musealização conhecer melhor a ciência que se fez (ou, por qualquer motivo, não se fez) na UC e, dada a importância nacional e internacional do espólio da UC, abri-lo ainda mais aos investigadores do país e do mundo.

O essencial dos resultados deste projecto será apresentado em 2011, por altura do centenário da constituição da Faculdade de Ciências da UC, numa conferência internacional, com a publicação das respectivas actas no ano seguinte.

Revisão da Literatura

Criada em 1290 pelo rei D. Dinis, a UC é a mais antiga escola superior de Portugal e uma das mais antigas da Europa. Já existia desde o século XII – julga-se que remonte a 1131 – um ensino regular da medicina no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, uma escola que viria a participar na fundação da UC. A UC foi por diversas vezes transferida entre Coimbra e Lisboa até 1537, data em que o D. João III a fixou definitivamente em Coimbra. Até 1911 e com a excepção dos dois séculos em que existiu a Universidade de Évora, não tão completa, foi a única universidade nacional. A história da ciência na UC tem uma relação muito estreita com a história da ciência no Brasil e nas antigas colónias portuguesa na África e Ásia. Sobre a história da UC existe uma vasta literatura.

A UC, que desde há alguns anos prepara a sua candidatura a Património Mundial da UNESCO, é detentora de um acervo museológico único a nível nacional e de grande valor internacional que muitio valoriza essa candidatura. Em particular, as suas colecções de instrumentos de astronomia, física, química, história natural e ciências médicas do século XVIII documentam bem o modo como foi perseguido o ideal iluminista da procura do conhecimento por via experimental. Por outro lado, as colecções do século XIX permitem caracterizar a evolução das ciências experimentais nessa época, de grande progresso em todo o mundo, documentando o seu desenvolvimento entre nós. Este património fornece informação sobre a história da ciência em Portugal, testemunhando o modo como um país na periferia da Europa acompanhou e até contribuiu nalgumas áreas para a evolução da ciência mundial. Por exemplo, as viagens filosóficas a vários continentes efectuadas por várias personalidades formadas ou que exerceram a sua actividade na UC, merecem maior aprofundamento e maior destaque do que aquele que têm tido.

O património científico da UC, abrangendo as diversas disciplinas, constitui para o Museu da Ciência da UC objecto de preservação, exibição e estudo. O edifício do Laboratório Chimico, onde se encontra instalado, numa primeira fase, o Museu resultou da Reforma Pombalina da UC. Nesse espaço está patente uma exposição permanente sobre Segredos da Luz e da Matéria (http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Museu&iArea=3). O livro associado a essa exposição dá conta dos aspectos mais relevantes da história da ciência na UC desde o século XVI até ao início do século XX. Em 2007 foi inaugurada no Museu uma exposição temporária, exclusivamente baseada no espólio científico da UC, intitulada A Diversidade de Vida: 300 anos de Lineu.

(http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Actividades&iArea=exp_temporaria) e abrirá em breve uma exposição sobre Darwin e a teoria da evolução, intitulada “Darwin 150, 200”. Por sua vez, a Biblioteca Geral da UC, detentora conjunatmente com o Arquivo da UC de larga memória histórica, organizou em 2005 a exposição “Einstein entre nós” (sobre a recepção de Einstein em Portugal) e em 2007 “Azulejos que ensinam” (sobre o ensino da matemática no Colégio das Artes), tendo actualmente em exibição uma mostra bibliográfica sobre a recepção de Darwin em Portugal.

Alguns dos investigadores de várias áreas de especialização que participam no presente projecto têm estado envolvidos em projectos relacionados com o estudo, preservação e exibição do património científico da UC. A divulgação a nível internacional desses trabalhos ficou assinalada, em 1991, por uma exposição de grande êxito, na Europália, em Charleroi (Bélgica), para a qual foi preparada um livro-catálogo sobre a história das ciências físico-matemáticas em Coimbra intitulada Les Mecanismes du Genie – Instruments Scientifiques du XVIIIe e XIXe Siecles. Nesta exposição e no seu catálogo colaboraram alguns dos investigadores deste projecto, bem como especialistas estrangeiros em história da ciência, tais como Robert Halleux, Anne-Catherine Bernes, Diane Lalevitch e Pascal Lefebvre. Na National Gallery of Art em Washington, Estados Unidos, realizou-se em 1993 a exposição The Age of the Baroque in Portugal, também com a publicação do catálogo, que incluía instrumentos de Física do século XVIII pertencentes à UC. No ano seguinte, no âmbito de uma exposição realizada na Fundação Gulbenkian, que incluiu alguns instrumentos científicos, foi publicada, sob a coordenação de Angela Delaforce, a obra The Alliance Revisited: Portugal and the United Kingdom. Ainda na Fundação de Gulbenkian esteve exposta a mostra “Engenho e Arte” inteiramente baseada nos instrumentos de Física da UC. Na área da etnografia foi exposta em 1991 em Coimbra e Lisboa a exposição “Memória da Amazónia”, que documenta a expedição de Alexandre Rodrigues Ferreira ao Brasil no final do século XVIII. Peças das colecções etnográficas da UC representativas das culturas índias do Brasil foram expostas em Manaus, em 1998, no quadro da comemoração dos 500 anos da descoberta do Brasil. Mais recentemente, em 2006, a exposição “Laboratório do Mundo. Ideias e saberes do Século XVIII” esteve patente na Pinacoteca de S. Paulo, exibindo também peças da UC.

O ensino de pós-graduação tem beneficiado da existência do referido património científico. Assim, na UC e fora dela têm sido submetidas várias teses de doutoramento e de mestrado sobre temas ligados ao património científico que foram orientadas por membros da equipa de investigadores deste projecto. Actualmente estão em curso outras teses relacionadas com a história científica da UC, das quais, tal como das outras, tem resultado a apresentação de várias comunicações em congressos e a publicação de vários artigos em revistas.

Plano e Métodos

Os fundos da UC reunidos nas várias bibliotecas, são muito vastos, constituindo no seu conjunto um dos mais importantes recursos bibliográficos nacionais. A fim de aprofundar o conhecimento da evolução da ciência ligada à UC, o projecto começará por reunir publicações e documentos sobre história da ciência na UC no período em causa (fontes primárias e secundárias). A Tarefa 1 – Síntese da história da ciência na UC - baseia-se nessa recolha, procurando cruzar informações relativas às várias áreas. Serão analisados os programas curriculares, os inventários de colecções, as actas das Faculdades, os documentos sobre docentes no Arquivo da UC, etc. O levantamento das teses académicas e das publicações dos docentes das várias áreas científicas servirá para analisar o grau de desenvolvimento das ciências nas várias instituições da UC. Com vista à 2ª fase do Museu da Ciência, será dada particular atenção ao Colégio de Jesus, onde teve lugar uma parte importante da história das ciências da UC.

Distinguem-se quatro períodos:

1) Séculos XVI a XVIII (até 1772). Na época de D. João III, que fixou a UC em Coimbra, exercendo aí o ensino o matemático Pedro Nunes, que foi um dos maiores vultos científicos do seu tempo. Só muitos anos após a sua morte, o ensino da Matemática em Coimbra foi retomado por André de Avelar, autor de um tratado que estuda o calendário gregoriano, que tinha sido planeado pelo que é talvez o mais famoso estudante de Coimbra, o jesuíta alemão Christophorus Clavius. A 14 de Abril de 1547, foi colocada a primeira pedra do edifício do Colégio de Jesus, fundado em 1542. Em 1548 começou a construção de um outro colégio jesuíta: o Colégio das Artes, que se destacou pelo Curso Filosófico Conimbricense, base de uma corrente neo-escolástica ligado à Contra Reforma. Estes dois colégios de Coimbra e o de S. Antão em Lisboa foram pontos de passagem de matemáticos e astrónomos de diversos países europeus, que pretendiam estudar ou ensinar antes de se dirigirem para o Oriente ou para outros sítios (por exemplo, o austríaco Grienberger e os italianos Lembo e Borri, que contribuíram para a divulgação das descobertas feitas por Galileu em 1609). Embora a sua actividade científica em Portugal não tenha atingido o nível observado noutros países, os jesuítas em Portugal foram pioneiros da cultura científica entre nós, tendo exercido influência até 1759, quando a ordem foi expulsa pelo Marquês de Pombal.

2) Final do século XVIII (de 1772 a 1837). Este período corresponde à Reforma Pombalina, que readaptou o Colégio de Jesus no contexto de criação das Faculdades de Filosofia, Matemática e da reforma da Faculdade de Medicina (foram criados o Gabinete de História Natural, o Gabinete de Física, o Hospital, o Dispensatório Farmacêutico e o Teatro Anatómico) e construiu o Laboratorio Chimico. A Química e a História Natural tiveram especial relevo sob a influência do italiano Domenico Vandelli. Alguns diplomados nas Faculdades de Filosofia e Matemática tornaram-se célebres na ciência portuguesa: Alexandre Rodrigues Ferreira, que fez a célebre viagem filosófica à Amazónia; Francisco José de Lacerda e Almeida, que realizou expedições ao Brasil e a África; e João António Monteiro, que ganhou fama na cristalografia e mineralogia. No início do século XIX, deram-se desenvolvimentos importantes nas áreas da Mineralogia, Metalurgia, Botânica e Agricultura, aos quais estão associados os nomes de José Bonifácio de Andrade e Silva e Félix Avelar Brotero. Em 1836-1837 foram reorganizadas as escolas de cirurgia de Lisboa e Porto, que passaram a ser escolas médico-cirúrgicas. Foram também criadas a Academia Politécnica do Porto e a Escola Politécnica de Lisboa. A UC teve de se adaptar à nova realidade.

3) Século XIX e XX (de 1837 até 1911). Na segunda metade do século XIX ocorreram reformas nas Faculdades de Matemática, Filosofia e Medicina, com progressos no ensino das ciências experimentais. Também as colecções científicas tiveram um grande desenvolvimento neste período. Assistiu-se à saída do Hospital do edifício do Colégio de Jesus, à transferência dos materiais de botânica do Colégio de Jesus para o Convento de S. Bento e à criação do Observatório Meteorológico e Magnético. Foi um período marcado pelas relações com prestigiados centros europeus, graças a viagens ao estrangeiro de professores da UC. Notabilizaram-se, na Matemática, Francisco de Castro Freire, Rodrigo Ribeiro de Sousa Pinto e Francisco Gomes Teixeira, e nas ciências experimentais, Júlio Augusto Henriques (Botânica), Roque Fernandes Thomaz e António Gonçalves Guimarães (Mineralogia e Geologia), António dos Santos Viegas (Física), e Mathias de Carvalho e Vasconcellos (Química). A evolução da Faculdade de Medicina ficou marcada, em 1863-1872, pelo reforço da experimentação, em consequência das viagens ao exterior de alguns professores. Neste período surgiram ou foram melhorados os Gabinetes de Toxicologia, Histologia, Fisiologia Experimental, Química Médica e Anatomia Patológica. António da Costa Simões, António Gonçalves da Silva e Cunha e Bernardo Serra de Mirabeau foram médicos ilustres. Egas Moniz, Prémio Nobel de 1949, licenciou-se na Faculdade de Medicina da UC em 1911.

4) Século XX (depois de 1911). Em 1911 foi reorganizado o ensino das ciências na UC logo no início da República. Foram então criadas as Universidades de Lisboa e do Porto, ambas com Faculdades de Ciências. Desde a sua fundação que as Faculdades de Filosofia e de Matemática da UC eram complementares, justificando‑se por isso a sua fusão. Originaram a Faculdade de Ciências, que daria lugar em 1973 à actual Faculdade de Ciências e Tecnologia. Nas primeiras décadas do século XX foram introduzidos os estudos sobre a constituição atómica da matéria. As obras do químico Egas Pinto Basto são referências na ciência desta época. Em 1912, sob a supervisão de Francisco da Costa Lobo, teve início a instalação de um moderno espectroheliógrafo no Observatório Astronómico. O físico Mário Silva alcançou notoriedade devido à sua actualização científico-pedagógica. Trabalhou no Instituto do Rádio, sob a orientação de Madame Curie. Os novos conhecimentos de física também começaram a ter aplicações médicas em Coimbra Foi exemplo desta relação a criação do Laboratório de Radiologia na Medicina. A Faculdade de Farmácia foi criada em 1921, voltando a ter estatuto de Escola em 1932. Coimbra teve nessa época uma notável escola de antroplogia, onde pontificou Bernardino Machado.

O Serviço Integrado de Bibliotecas da UC (SIBUC) está a organizar a Biblioteca Digital da UC, formada por cópias digitais de livros e documentos antigos, que assim ficam acessíveis à comunidade científica assim como ao público. Entre os seus subprojectos inclui-se a Biblioteca Geral Digital, que faculta cópias de documentos da Biblioteca Geral e de outras. Está também em curso um projecto apoiado pela FCT de inventariação do espólio do Instituto de Coimbra, academia criada em 1852, e de digitalização da sua revista. Por seu lado, a Biblioteca do Departamento de Botânica da Faculdade de Ciências e Tecnologia criou a Biblioteca Digital de Botânica. Dar-se-á continuidade a esses trabalhos com a digitalização de um conjunto escolhido de obras de história da ciência, todas elas fontes primárias, não digitalizadas antes. A Tarefa 2 tem esse objectivo, contemplando de modo equilibrado as várias disciplinas.

As colecções da UC, enquadradas pelo Museu da Ciência, estão hoje organizadas em unidades temáticas de acordo com as disciplinas: Observatório Astronómico, Museu da Física, Museu de História Natural, incluindo como secções o Museu Zoológico, (http://www1.ci.uc.pt/museuzoo/), o Museu Botânico, o Museu Mineralógico e Geológico http://www1.ci.uc.pt/mmguc/ e o Museu Antropológico. Além disso, a UC possui um extraordinário espólio nas áreas da Medicina e Farmácia, que está a ser organizado. O Museu da Ciência está a desenvolver o Museu Digital, que mostra parte das colecções científicas da UC. Tal projecto, além de as tornar mais acessíveis, permitirá uma gestão mais eficaz das colecções, contribuindo para a sua preservação e valorização. O presente projecto dará continuidade a esses trabalhos, digitalizando mais peças e investigando a origem e finalidade das que forem tidas como mais relevantes. A Tarefa 3 tem esse objectivo. As Tarefas 2 e 3, embora tenham relação com a tarefa 1, serão efectuadas em paralelo, respectivamente pelo SIBUC e pelo Museu de Ciência.

Os resultados do projecto serão apresentados em 2011 numa reunião internacional, por ocasião do centenário da Faculdade de Ciências da UC (Tarefa 4). As respectivas actas serão publicadas no ano seguinte, ficando como registo dos trabalhos deste projecto.

Tarefa 1- Síntese da História da Ciência na UC

Nesta tarefa efectuar-se-á um estudo de síntese da história das ciências na UC no período considerado. Será feito em primeiro lugar um levantamento e estudo de fontes documentais de interesse para a história da actividade científica nas Faculdades de Filosofia, Matemática, Medicina, Farmácia e Ciências.

A investigação, baseada na análise da bibliografia recolhida, debruçar-se-á sobre quatro períodos ao longo dos séculos XVI ao século XX. Os quatro períodos de estudo avançarão simultaneamente, sendo para o efeito constituídos grupos multidisciplinares, agregando especialistas das várias áreas científicas. As relações interdisciplinares entre as referidas Faculdades também serão objecto de análise. Uma atenção especial atenção será dada à ocupação do Colégio de Jesus, que vai albergar o Museu da Ciência, na segunda fase deste.

O presente estudo permitirá uma melhor compreensão da actividade científica desenvolvida nas instituições de ciências e medicina de Coimbra no contexto do desenvolvimento científico europeu. O edifício do Colégio de Jesus após a Reforma da Universidade de 1772 e ao longo do século XIX agregou em si instituições científicas estatutariamente distintas, mas que tiveram uma relação muito estreita (os estudantes de medicina tinham de frequentar classes preparatórias nas Faculdades de Matemática e Filosofia). A análise das relações de complementaridade científica destas Faculdades e o estudo da formação multidisciplinar recebida nelas será um dos objectivos do estudo.

Será analisada, em particular, a evolução funcional do edifício do Colégio de Jesus, com vista a ajudar os trabalhos de intervenção no âmbito da segunda fase do Museu da Ciência da UC. Para isso será necessária uma pesquisa de documentação iconográfica, concretamente o levantamento exaustivo das plantas de Guilherme Elsden, bem como os projectos que deram continuidade à adaptação do Colégio de Jesus, após 1777, para o ir adequando às necessidades da actividade científica Com a criação da Faculdade de Ciências, criaram-se museus autónomos no Colégio de Jesus, dos quais resultou mais tarde o Museu de História Natural. Verificou-se uma crescente perda de importância do papel desempenhado pelos espaços e pelas colecções científicas no ensino e investigação.

Tarefa 2 - Digitalização do Fundo Antigo de Ciências e Medicina da UC

Data de inícío de actividade

2010

Duração da tarefa

Dois anos

Pessoa mês

Contratação de um profissional com as qualificações de técnico superior de Biblioteca e Documentação, durante a duração em meses do projecto, pelo menos a 50% do tempo.

Descrição da tarefa

 Objectivos:

  1. Trabalho de direcção e coordenação técnica das operações de conversão da catalogação para o sistema Millennium de todas as publicações impressas identificadas pela equipa de investigação.
  2. Gestão de projecto que permita organizar e lançar os procedimentos públicos e a preparação dos respectivos cadernos de encargos, com vista à aquisição externa de serviços de Digitalização, Encadernação Digital, e de Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR) das publicações impressas, de forma a que estas passem a estar disponíveis para navegação e pesquisa na Biblioteca Digital da UC, na Biblioteca Nacional Digital e na Internet.
  3. Articulação e coordenação, entre o Serviço Integrado das Bibliotecas da Universidade de Coimbra (SIBUC) e os serviços de biblioteca das faculdades envolvidas, bem como com a equipa de investigação do projecto para assegurar a concretização da tarefa.

Tarefa 3 - Estudo das colecções e alargamento do Museu de Ciência Digital

Data de inícío de actividade

2010

Duração da tarefa

Pessoa mês

Descrição da tarefa

Houve ao longo da história da UC a reunião de importantes colecções de instrumentos científicos e objectos das diversas áreas do conhecimento. Levantar-se-á a história e o estado actual dos núcleos museológicos da UC, a considerar para a segunda fase do Museu da Ciência, a fim de melhor compreender a realidade actual do seu estado de conservação e chegar a conclusões e sobre o valor histórico e museológico do acervo científico das várias instituições de ensino e de investigação. Objectos e instrumentos científicos de maior interesse histórico serão motivo de digitalização fotográfica e de divulgação através das páginas web do Museu da Ciência, devendo ser efectuada investigação sobre a história das peças mais relevantes.

Tarefa 4 - Realização de uma conferência internacional

Data de inícío de actividade

2011

Duração da tarefa

 1 ano


Pessoa mês

Descrição da tarefa

O tema geral da Conferência será: História das Ciências na Universidade de Coimbra - Centenário da Criação da Faculdade de Ciências. Além dos investigadores da UC e de outras as universidades portuguesas, deverão participar investigadores de História da Ciência de Universidades de integram o Grupo de Coimbra da Universidades Europeias e o Grupo de Coimbra das Universidades Brasileiras.

Esta realização deve ser feita sob a égide da Reitoria da Universidade, do Instituto de Investigação Interdisiciplinar, das Faculdades de Ciências e Tecnologia, de Medicina e Farmácia, da Biblioteca Geral e do Museu da Ciência, em articulação com a Comissão para as Comemorações do Centenário da República. Desta conferência resultará a publicação das respectivas Actas (eventualemnte em vários volumes). 


3.2.4. Descrição da Estrutura de Gestão

Como este projecto conta com a colaboração de especialistas de várias áreas científicas e técnicos, nele participam membros de diversas unidades orgânicas. O organismo agregador é o Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universidade de Coimbra. Este Instituto, criado por deliberação do Senado de Abril de 2001, foi constituído em Unidade Orgânica (nº 2 do artº 24º dos Estatutos da Universidade de Coimbra), publicado em D.R., II Série, nº 108 de 8 de Maio de 2004. Os seus objectivos centram-se no desenvolvimento do diálogo interdisciplinar, consolidando e incrementando através dele a produção do conhecimento no âmbito dos Centros de Investigação sediados na UC (http://www.uc.pt/iii).

Coordenação: Carlos Fiolhais, Director do SIBUC e da BGUC, com Paulo Gama Mota, Director do Museu da Ciência.

3.2.4.b Lista de Milestones

Algumas Referências Bibliográficas

ALVES, Francisco António (1862) – Breve notícia do gabinete chimico da Faculdade de Medicina – O Instituto, vol. X, ps.126/7: Imprensa da Universidade de Coimbra.

ALVES, Francisco António (1869) – Elementos de anatomia pathologica geral – Imprensa da Universidade de Coimbra.

CARVALHO, Joaquim Augusto Simões de (1872): Memoria historica da Faculdade de Filosofia. Coimbra : Imprensa da Universidade, 1872.

CARVALHO, Joaquim Augusto Simões de (1872): Additamento à memoria historica da Faculdade de Filosofia. Coimbra : Imprensa da Universidade.

CARVALHO, Rómulo de (1978): História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra desde a sua fundação (1772) até ao jubileu do professor italiano Giovanni Antonio Dalla Bella (1790). Coimbra : Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

COSTA, A. M. Amorim da, (1986) – Thomé Rodrigues Sobral (1759-1829) : a química ao serviço da comunidade. Lisboa : Acad. Ciênc. Lisboa. ps. 373-401.

FERNANDES, Ramlho (1946) – História do Laboratório de Radiologia da Faculdade de Medicina de Coimbra. Coimbra : Coimbra Editora.

FREIRE, Francisco de Castro (1872): Memoria historica da Faculdade de Mathematica nos cem annos decorridos desde a reforma da Universidade em 1772 até o presente. Coimbra : Imprensa da Universidade.

FREIRE, Francisco de Castro et al. (1884): Projecto de Reforma da Faculdade de Philosophia da Universidade. O Instituto. Imprensa da Universidade. Vol. 31(4), ps. 186-193; 228-240.

GUSMÃO, F. A. Rodrigues de (1866) – O Ensino Clínico na Universidade de Coimbra – O Instituto, vol. XIII, 133/4.

MARTINS, Décio Ruivo (2000a) – As ciências Físico-matemáticas em Portugal e a Reforma Pombalina. In O Marquês de Pombal e a Universidade. Coord. Ana Cristina Araújo. Coimbra. Imprensa da Universidade. ps. 193-262.

MARTINS, Décio Ruivo (2000b) – A Ciência em Coimbra no século XIX – Actas do 1º Congresso Luso-Brasileiro de História da Ciência e da Técnica. Ed. Comissão Organizadora do Congresso – Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência da Universidade de Évora, ps. 333-345.

MARTINS, Décio Ruivo (2001) – As ciências Físicas em Coimbra desde 1850 até 1900. Gazeta de Física. Vol. 24, fasc 1, ps. 15-19.

MIRABEAU, Bernardo António Serra de (1872) – Memoria histórica e comemorativa da Faculdade de Medicina nos cem annos decorridos desde a reforma da Universidade em 1772 até o presente. Coimbra : Imprensa da Universidade.

MIRABEAU, Bernardo António Serra de (1892) – Additamento à memoria historica e commemorativa da Faculdade de Medicina, 1872-1892. Coimbra : Imprensa da Universidade.

MUSEU DA CIÊNCIA (2006) – Luz e Matéria. Universidade de Coimbra : [catálogo] / textos Carlos Antunes et al. ; coordenação de Paulo Gama Mota. Coimbra : Universidade de Coimbra.

PITA, João Rui (1996) – Farmácia, medicina e saúde pública em Portugal (1772-1836). Coimbra : Minerva.

RASTEIRO, Alfredo (1968) – Cem anos de oftalmologia na Universidade de Coimbra. Separata de: Coimbra Médica, XV, V.

RASTEIRO, Alfredo (1999) – O ensino médico em Coimbra : 1131-2000. Coimbra : Quarteto, 1999.

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SIMPÓSIO Comemorativo do Centenário da Descoberta dos Raios X, – Coimbra – 1895-1995. Coimbra : Universidade, (1996).

CUNHA, Pedro José da (1937): A Escola Politécnica de Lisboa, breve notícia histórica, Lisboa, Faculdade de Ciências de Lisboa, Primeiro Centenário da Fundação da Escola Politécnica de Lisboa 1837-1937

FITAS, Augusto J. Santos (2004) : A Teoria da Relatividade em Portugal no Período entre guerras in Gazeta de Física nº 27, Fasc. II, p. 4 – 10

GOMES, Joaquim Ferreira (1990): A reforma universitária de 1911 in Sep. Da Revista de História das Ideias, nº12.

GOMES, Joaquim Ferreira (1990): A Universidade de Coimbra durante a primeira república: 1910-1926: alguns apontamentos, Lisboa, Instituto de Inovação Educacional.

GOMES, Maria Emília Jacinto Vaz (2007): Desenvolvimento do ensino da Física Experimental em Portugal 1780-1870, Tese de Doutoramento apresentada à Universidade de Aveiro.

MALAQUIAS, Isabel; THOMAZ, Manuel Fernandes (2000): Aspectos do desenvolvimento do ensino experimental em Portugal e seu contributo para a propagação da revolução científica, actas do 1º congresso luso-brasileiro de História da Ciência e da Técnica, Universidade de Évora.

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PRATA, Manuel Alberto Carvalho (1994): A Academia de Coimbra: 1810-1926: sociedade, cultura e política, Tese de Doutoramento em Ciências da Educação, especialização em História da Educação, apresentada à Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

SERRÃO, Joaquim Veríssimo (1997) História das Universidades, Porto Lello & Irmão, X.

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