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A Vida e a Obra de Carolina Michaëlis de Vasconcelos – Evocação e Homenagem

Exposição Bibliográfica e Documental

Maria Manuela Gouveia Delille *

A presente exposição – patente na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (UC), na Sala de S. Pedro, entre 12 de Novembro e 18 de Dezembro de 2009 – não surgiu como iniciativa desgarrada, antes se insere num projecto mais vasto, de carácter interdisciplinar, intitulado Carolina Michaëlis (1851-1925) – Joaquim de Vasconcelos (1849-1936): um Encontro de Culturas e de Saberes, cujos trabalhos preparatórios se iniciaram em meados de 2008. Nessa altura, Carlos Michaëlis de Vasconcellos, bisneto dos homenageados, acompanhado por Luís Cabral, representante da Câmara Municipal do Porto (Pelouro da Cultura, Lazer e Turismo), vieram a Coimbra convidar-me para com eles participar na coordenação de um Projecto sobre Carolina Michaëlis e Joaquim de Vasconcelos, com o objectivo de dar a conhecer melhor a vida e a obra de duas figuras que, muito tendo amado as Artes e as Letras, influenciaram e marcaram profundamente a vida científica, artística e cultural da sociedade do seu tempo, não apenas nos espaços em que viveram, no Porto e em Coimbra, mas também a nível nacional e internacional. Começámos então a gizar um plano de trabalhos em que rapidamente se procurou integrar as Faculdades de Letras de Coimbra e do Porto, o Instituto de Língua e Literatura Portuguesas “D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos” da Faculdade de Letras da UC, a Biblioteca Geral da UC, a Biblioteca Municipal do Porto, assim como vários Centros de Investigação das duas Faculdades.

As realizações públicas do Projecto decorreram desde 19 de Outubro de 2009, data em que foi inaugurada, no palacete dos Viscondes de Balsemão da Câmara Municipal do Porto, a primeira exposição que planeámos. Intitulada Lugares de Carolina Michaëlis e de Joaquim de Vasconcelos, nela se recolheram, através da objectiva do fotógrafo Luís Neves, imagens dos principais lugares associados à vida de Carolina Michaëlis e de Joaquim de Vasconcelos, sobretudo no Porto, mas também em Coimbra e em Lisboa.

Seguiu-se, a 12 de Novembro, na Biblioteca Geral da UC, a inauguração da exposição bibliográfica e documental dedicada àquela que foi a primeira Doutora em Letras e a primeira Professora, a todos os títulos insigne, da nossa Escola, onde leccionou desde Janeiro de 1912, isto é, desde o primeiro ano lectivo da então recém-criada Faculdade de Letras, até Fevereiro de 1925, ano em que veio a falecer.

Entre 19 e 21 do mesmo mês realizou-se, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e na Fundação Eng.º António de Almeida daquela cidade, o Colóquio Internacional – Carolina Michaëlis e Joaquim de Vasconcelos: a sua Projecção nas Artes e nas Letras Portuguesas, tendo sido inaugurada ao final da tarde do dia 19, na Biblioteca Municipal do Porto, a terceira exposição, igualmente de carácter bibliográfico e documental, sob a epígrafe Joaquim de Vasconcelos, Homem de Cultura.

Para além das realizações públicas que acabo de enunciar, encontram-se em curso, na UC, no âmbito deste projecto, três subprojectos destinados a preservar a memória da obra de Carolina Michaëlis e de Joaquim de Vasconcelos e a fornecer as necessárias bases para futuros trabalhos de investigação. São eles:

1. Organização, tratamento técnico-documental, digitalização e produção de um catálogo impresso e electrónico da biblioteca pessoal de Carolina e Joaquim de Vasconcelos existente na Faculdade de Letras da UC (com o apoio da Faculdade de Letras da UC, do Centro de Investigação em Estudos Germanísticos, do Centro de Estudos de Linguística Geral e Aplicada, do Centro de Literatura Portuguesa e da Biblioteca de Estudos Portugueses “D. Carolina Michaëlis de Vasconcelos”);

2. Organização e classificação do espólio e, dentro deste, do epistolário de Carolina Michaëlis de Vasconcelos pertencente à Biblioteca Geral da UC (com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Biblioteca Geral da UC, e a colaboração dos Centros acima mencionados, bem como do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos, do Centro Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, e do Centro de Linguística da Universidade do Porto);

3. Levantamento completo e tradução dos escritos camonianos em língua alemã de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, tornando-os assim acessíveis aos investigadores portugueses (colaboração do Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos e do
Centro de Investigação em Estudos Germanísticos).

Trata-se, portanto, de um projecto abrangente e multifacetado, que se irá prolongar por todo o ano de 2010, no decorrer do qual contamos também publicar um catálogo completo da exposição sobre a vida e a obra de Carolina Michaëlis de Vasconcelos; naquele que se distribuiu no dia da inauguração, precisamente por ter de estar pronto nessa data, apenas houve espaço para integrar o roteiro biobibliográfico destinado a orientar a visita e as peças bibliográficas e documentais expostas nas vitrines no interior da sala; os painéis verticais e horizontais, que completaram, de forma tão rigorosa quanto possível, a mostra bibliográfica das vitrines e ilustraram alguns factos e eventos da vida e do currículo científico de Carolina Michaëlis, assim como a bibliografia passiva do espaço vestibular e os conteúdos dos apontamentos multimédia, já não puderam ser incluídos.

Dividida em três grandes períodos – Anos de Berlim (1851-1876), Anos do Porto (1876-1912) e Anos de Coimbra e do Porto (1912-1925) –, a Exposição apresenta como mote a resposta de Carolina Michaëlis de Vasconcelos a um dos muitos pedidos de notas autobiográficas que jornalistas lhe faziam nos últimos anos de vida: “Não tenho biografia. Gastei a minha vida a estudar: In angello cum libello”. É claro que a resposta constitui, até certo ponto, um topos modestiae ou, se quisermos, um lugar-comum retórico, repetido desde a Antiguidade por vários autores, sejam eles artistas ou cientistas. Por muito que tal afirmação contenha de verdade, não a podemos totalmente tomar à letra, e a presente exposição, ao arrepio desta declaração michaeliana, pretende demonstrar que, por detrás da obra verdadeiramente monumental, gigantesca, que D. Carolina como filóloga de dimensão nacional e internacional nos legou, houve uma vida surpreendentemente rica em experiência humana e afectiva, de uma mulher que não se confinou ao seu gabinete de trabalho, mas que se dedicou à família e aos amigos e que também soube inserir-se, como cidadã activa, na sociedade do seu tempo, designadamente através dos esforços desenvolvidos em prol da instrução da mulher e da criança.

Diga-se, por fim, que tanto na obra científica que construiu, como na actividade docente desenvolvida na UC, e na actividade cívica em que se empenhou, Carolina Michaëlis agiu sempre como mediadora entre duas culturas, a cultura germânica e a cultura neolatina, e como mediadora entre duas pátrias, a de origem e a de adopção.

* Professora jubilada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra