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Teresa Mendes – Uma década a dirigir os destinos do Instituto Pedro Nunes “Estou sempre a lutar pelo que falta”

Por Marta Poiares e Pedro Dias da Silva

Professora Catedrática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), ao longo da década de 1990 exerceu funções na Reitoria da UC, como Pró e Vice-Reitora. Foi precisamente aí que, enquanto responsável pelo pelouro de Instalações e Equipamentos, se iniciou a concretização do Pólo II da UC, local onde viria a sediar-se o Instituto Pedro Nunes (IPN). Apesar de nunca ter pensado que aí fosse estar o seu futuro, há já uma década que Teresa Mendes é Presidente da Direcção do IPN.
Liderou ainda a Comissão Científica do Departamento de Engenharia Informática da FCTUC, de 2001 a 2005, e colaborou em inúmeros projectos internacionais, tendo publicado cerca de uma centena de artigos em revistas e participado em diversas conferências da sua área científica.


Nestes dez anos enquanto líder do IPN, que aspectos destacaria?
São muitos anos e muitos aspectos. O IPN reforçou bastante as frentes de actuação que tem, foram reforçados os laboratórios, intensificou-se bastante o cumprimento de projectos, havendo um salto muito grande de projectos internacionais. A nível da Incubadora de Empresas do IPN (IPN-Incubadora), houve também um salto muito grande – nos primeiros edifícios, vivia numa área relativamente pequena, e em 2007, passou para o dobro da área. No outro edifício, havia capacidade para o máximo de 20 empresas, este novo tem para 40 empresas. A nível da formação, a nossa terceira frente, evoluiu-se em termos de tipologia de cursos, aproximámo-nos mais dos projectos com uma componente de formação em consultadoria. Ou seja, é feito para empresas o diagnóstico de necessidades ao nível da formação, tecnológicas e de outras áreas, e depois dar formação para suprir essas necessidades. É uma componente que me agrada bastante porque está ligada às outras componentes do IPN. Desta forma, ajudam-se as empresas da IPN-Incubadora, é mais um apoio que elas têm para evoluir, e para as outras que não são do IPN, mas são nossas clientes, em termos de serviços. É uma mais-valia. No projecto que temos em curso este ano, já apoiámos mais de 43. Entretanto, começámos este ano com este de consultadoria, de diagnóstico de necessidades nas empresas e formação. Outro aspecto que se tem intensificado na formação é servirmos de entidade formadora para a formação que as empresas necessitam. Já somos entidade formadora de várias empresas e isso é também importante.

Pela elevada taxa de sobrevivência e sucesso das empresas apoiadas pela IPN-Incubadora, esta é, sem dúvida, uma experiência de sucesso. Em sua opinião, quais os factores que a têm permitido solidificar?
O que contribui para o sucesso da IPN-Incubadora e do apoio às empresas é, sobretudo, o nosso modelo integrado – esta proximidade com os laboratórios, com acesso aos investigadores da UC. Isso é essencial. E, por outro lado, a outra componente da formação.
Há aqui um ambiente que é diferente de que se estivéssemos mais isolados, porque presta um leque de serviços muito mais alargado. Por outro lado, a equipa técnica que temos à frente do IPN: muito empenhada, muito entusiasta. É determinante haver uma preocupação com as empresas. As pessoas desdobram-se em arranjar pretextos para ajudar. É este o ambiente que se vive na IPN-Incubadora. Quando uma empresa vem, passa por uma grelha de avaliação, em que um dos critérios é precisamente o potencial de networking, de sinergias, quer com a UC, com os laboratórios do Instituto de Tecnologia, quer com as empresas que estão na IPN-Incubadora. Há uma preocupação muito grande de as ajudar a crescer. Isso faz com que surjam mais ideias novas, porque torna fácil a cooperação e complementaridade.

É da opinião que a ligação do IPN e da sua Incubadora de Empresas à UC, que dispõe de uma grande concentração de infra-estruturas tecnológicas, tem sido fundamental na potenciação de uma relacionamento privilegiado entre investigadores e empresários?
Claro. Isso é essencial. Aliás, sem a Universidade não faria sentido. A IPN-Incubadora foi mesmo criada para isso, para ajudar a Universidade a transformar as ideias que surgem da investigação em negócio, levá-las até ao mercado. Essa é a nossa missão. Ao longo dos cerca de 13 anos de vida da Incubadora, mais de 60 por cento das empresas provêm da UC. Não podia acontecer noutro sítio.

Que importância atribui ao pioneirismo e sucesso de uma empresa como a Critical Software, na sua génese ligada ao IPN, para a afirmação e consolidação da Incubadora de empresas?
O que eu costumo dizer a brincar, mas muito a sério é que a Critical Software ajudou mais a Incubadora do que a Incubadora ajudou a Critical Software. E é verdade. Por um lado, porque na altura em que a Critical esteve cá, nós não tínhamos tantos serviços de apoio como temos agora. É natural, mal tínhamos começado, e fomos pioneiros. Tivemos de descobrir o nosso próprio caminho, sempre a tentar descobrir novas coisas, de forma a conseguir prestar o apoio. E não tínhamos, obviamente, os apoios que temos hoje. De facto, foi muito importante para nós, principalmente pelo efeito de contágio. Efectivamente, numa cidade e numa universidade onde havia pouca sensibilidade para o empreendedorismo, haver alguém que consegue ter sucesso e ganhar visibilidade, torna-se numa fonte de contágio importantíssima, porque as pessoas começaram a pensar: “Eles foram nossos colegas de curso, porque é nós não havemos de conseguir?”. Claro que as coisas não são assim tão simples, mas foi óptimo, pela visibilidade que teve de imediato. Foi desde essa altura que começámos a ter a IPN-Incubadora cheia e nunca mais parou. É interessante ver, à distância, que a Critical Software, como a conhecemos hoje, foi criada com o dinheiro que ganhou no Concurso de Ideias de Negócios, organizado pela FCTUC e pelo IPN. Foram os vencedores, ganhando o dinheiro suficiente para criar a empresa. Para nós, é extremamente compensador e uma fonte de enorme satisfação vê-los a sair daqui e a darem cartas por esse mundo fora.

A conquista, em 2008, do segundo lugar no concurso Best Science-Based Incubator Award, competição que envolveu meia centena de Incubadoras sedeadas em duas dezenas de países, foi, de facto, um enorme reconhecimento do trabalho desenvolvido desde 1996…
Esse prémio foi para nós uma grande satisfação, tanto que é um prémio que já existe há seis anos. Tínhamos concorrido em 2007, quando ficámos em quinto lugar e nem soubemos [risos]. O Dr. Paulo Santos, director da IPN-Incubadora, esteve em Sevilha, no congresso onde foi anunciado, ouviu os primeiros três lugares, mas não se lembrou de perguntar em que lugar tínhamos ficado, julgando que estávamos num dos últimos. No ano passado, o segundo lugar foi uma surpresa enorme, dado que os critérios são extremamente exigentes. Eles pedem uma série de dados, como por exemplo, o modelo de negócio e sustentabilidade, o retorno do investimento público, a taxa de sobrevivência e a lucratividade das empresas incubadas, o volume de emprego directo criado, etc. No fundo, sendo critérios exigentes, mais nos satisfaz. Sendo uma competição aberta, e sendo tantos os países a concorrer, foi compensador. Não trabalhamos para os prémios, mas sabe bem. Não há razão para deixarmos de concorrer. Nós pertencemos a uma rede europeia de Incubadoras, que já estiveram cá várias vezes, em dois congressos que organizámos e onde estiveram as melhores Incubadoras, desde Cambridge, Oxford, dos países nórdicos, e as pessoas normalmente gostam de vir e gostam muito do nosso modelo. Isto porque não é muito comum haver este modelo integrado de Incubadoras com o sistema científico e tecnológico e com as outras valências que o IPN tem. É um modelo que foi considerado uma boa prática, há três anos. É interessante, porque o modelo surgiu assim, já há muitos anos e acaba por ser, neste momento, reconhecido pelos melhores da Europa. Temos uma colaboração muito intensa com outros países e novos projectos sempre a decorrer. Neste momento, temos um projecto muito interessante, o Erasmus do Empreendedor, em que vão empreendedores daqui para outros países – já foram vários e já recebemos cá, também. Temos outros projectos de boas práticas, de motivar os intercâmbios nas empresas, trazê-las cá e ir lá, no fundo para tentar alargar os mercados. Tenho empresas nossas daqui que quiseram internacionalizar-se, duas delas, que me lembre, nós ajudámo-las através da nossa rede de Incubadoras, a resolver problemas, uma delas em Paris e outra na Polónia. Havia uma necessidade de um espaço, num sítio e no outro, e, para sediarem lá um primeiro, escritório, foi através da nossa rede de Incubadoras. Tudo isto faz com que as empresas também fiquem satisfeitas, porque há realmente um leque variado de apoios que transcende o mero apoio local.

Numa cidade e numa região onde o tecido industrial consolidado é praticamente inexistente, o facto de ter possibilitado a criação de cerca de mil postos de trabalho directos, ocupados por mão-de-obra altamente qualificada, e ter, em 2008, gerado um volume de negócios de aproximadamente 50 milhões de euros, converteu a IPN-Incubadora numa das principais forças dinamizadoras empresariais da urbe. Como é que encara o futuro de uma estrutura como esta?
Uma estrutura destas é sempre muito importante, em todas as fases. Agora, foi a fase difícil, mas eu considero até que já se deu a volta e já não há retorno, não se vai voltar para trás, relativamente ao que já se alcançou. É evidente que isto é uma escala pequena, mas acho que foi um contributo importante para a cidade, ainda assim. Daqui para a frente só pode ser para melhor. A Incubadora tem um leque limitado de apoio, uma vez que no máximo, apoia os primeiros quatro anos de vida das empresas. Felizmente, há empresas que saem antes, porque já cresceram tanto que já não precisam desse tempo. Nós temos, neste momento, um projecto que, estou em crer, vai ser pesado, mas está bem encaminhado, que consiste no passo seguinte, isto é, uma estrutura que vai acompanhar a empresa não na parte de arranque, mas na fase de crescimento, aquilo que nós denominamos uma aceleradora de empresas. É um projecto que tem sido preparado pela Associação Tecnopólo de Coimbra, cujos associados são quase os mesmos do IPN e que vai ser, se se concretizar, um bom complemento, porque surge de forma natural. Neste momento, temos duas modalidades de incubação: a física, as empresas estão fisicamente sediadas no edifício; e a virtual, que tem duas modalidades – a start, quando a empresa ainda chega em projecto/ideia, e há todo o apoio até que se desenvolva o plano de negócio para a criação da empresa, e nessa altura não faz sentido que estejam aqui, há apenas o apoio; e depois, a follow-up, numa fase em que as empresas saem da IPN-Incubadora, para mantermos os laços e toda a cooperação de toda esta rede que é criada. Esta incubação virtual tem-nos permitido - e somos solicitados frequentemente para tal - dar apoio às empresas que já saíram daqui, por exemplo, em casos de internacionalização, de criação de núcleos de investigação e desenvolvimento dentro da própria empresa e outras necessidades que a empresa tenha, o que não é muito comum nos primeiros quatro anos, quando ainda não é altura de precisar deste tipo de apoios. Esta nova estrutura é uma aposta que permite fazer muito mais, é multiplicador do efeito. 

Ainda insistindo no facto de Coimbra ser uma cidade particular… Gonçalo Quadros, director executivo (CEO) da Critical Software, afirmou recentemente: “Temos uma Universidade que tem grupos de investigação de referência, com pessoas muitíssimo talentosas, mas a jusante acontece muito pouco, porque há um défice de ambição”. O que sente que falta a Coimbra?
Acho que falta muita coisa a Coimbra, seguramente. E ambição falta de certeza, pois não se vê vontade de ir mais longe. Há vontade, mas depois não se consegue, não se concretiza. É uma cidade que ainda tem muitos tiques de comodismo, da altura em que tudo acontecia aqui, não era preciso lutar por nada, e parece que ainda perdura um pouco. Acho que a atitude tem melhorado, mas há muito mais a fazer. Eu, por norma, não sou muito saudosista. Acho que tem de se caminhar para a frente, e pensar no que é importante fazer. Gosto mais de falar no que falta fazer do que propriamente criticar o que está feito e olhar para trás. Há um sentimento de que podíamos estar mais longe do que estamos. Há vários focos de dinamismo e isso, sim, é importante.

Embora a maioria das empresas incubadas no IPN sejam de raiz científica e tecnológica, há igualmente estruturas que se dedicam a outros campos, como o da consultoria sócio-económica e ambiental ou design e comunicação criativa. O objectivo é aumentar ao máximo o leque de opções, indo ao encontro das necessidades existentes?
Temos uma preocupação grande. Nós somos criados pela UC, a nossa missão é servir de interface. E aí, todos os licenciados da UC que quiserem criar empresas, nós acolhemos. Agora, obviamente que é uma Incubadora de base tecnológica e, desta forma, todos os projectos têm de ter essa base e têm de ser ideias inovadoras.
A nossa função é ajudar. Às vezes, surge uma ideia, e desde o aconselhar, a fazer o coaching muito próximo do plano de negócios, até o aconselhamento de outras valências na equipa, apresentarmos a outros grupos… Há todo esse apoio que ajuda a criar a empresa que, quando é criada, até pode nem coincidir com a proposta inicial. Temos sempre a preocupação de manter um certo ecletismo, de forma a fomentar a inovação e a complementaridade de áreas. Isso é muito importante para criar ideias novas. Muitas vezes, um bom negócio pode surgir de uma ideia simplicíssima, apenas aplicada a uma área diferente ou importando um conceito de uma área que trabalhemos aqui para outra completamente diferente. Não é necessariamente uma ideia de alta investigação. Também temos dessas, mas as outras também têm de ser acolhidas. Tudo o que seja uma ideia inovadora com base tecnológica tem lugar aqui. Desde o início, que a grande dominância é das empresas da área das tecnologias da informação, que representam 45 por cento das que acolhemos. Temos tido algumas na área de Bio-Tecnologia (duas), na área da Automação, Electrónica (talvez umas seis) e outras de outras áreas distintas, como os SIGs (duas), etc. Não somos muito fundamentalistas, apreciamos a ideia, a equipa e o empenho. Mas não nos consideramos elitistas, ajudamos no que pudermos. Há, como é óbvio, uma pré-candidatura e uma pré-selecção. Se realmente não tem cabimento, não aceitamos. Aquelas ideias que estão numa zona mais cinzenta, o apoio é-lhes sempre dado, precisamente para ver se se consegue converter numa outra que seja mais adequada. Há uma preocupação muito grande quando se faz o apoio ao plano de negócios em ser exigente, que seja sólido e forte para ser uma ideia com sucesso.

Há cinco anos afirmava, em entrevista ao Público, que o IPN é “um barómetro afinado da economia” nacional. Continua a pensar da mesma forma?
Continuo. Isto porque nós lidamos não só com as empresas da IPN-Incubadora, como com os nossos clientes directos. Temos uma diversidade muito grande, desde empresas locais, regionais, até clientes nacionais, já de envergadura. No fundo, essa diversidade dá-nos uma sensibilidade grande. Há coisas que, aparentemente, são contraditórias… Por exemplo, em anos de crise, aumenta a procura da incubadora, porque as pessoas não têm emprego e pensam em criar o seu próprio emprego. Temos tido sempre procura, no entanto. Na altura de crise, em que está tudo parado, as coisas mexem-se mais do que o costume.

Em Julho de 2008, a UC, o iParque Coimbra, o IPN e a Associação Tecnopólo assinaram um protocolo de colaboração com o objectivo de desenvolverem actividades conjuntas e colaborações em diversos domínios. Em termos efectivos, que mais-valias vão advir desta parceria a quatro?
Esse plano estratégico que referi, vai ser um excelente veículo de articulação de iniciativas deste género. O plano engloba, para além da nossa pequena infra-estrutura, um reforço do Biocant Park, do Coimbra Inovação Parque e mais iniciativas em torno do Politécnico de Leiria e do Parque Tecnológico de Óbidos. É um plano estratégico bastante alargado, tem uma série de actividades de dinamização previstas, o que vai possibilitar uma área de actuação mais estreita entre diversas entidades. Muitas vezes, as agendas estão cheias, não há pretextos, e tem de haver actividades concretas. Sou um pouco avessa a show-offs sociais, de ligação entre instituições. A ideia é mesmo funcionar com coisas concretas. Cada um tem um projecto e faz, esforça-se, empenha-se. Tenho bastante esperança neste novo veículo que vai ser criado. Acho que a aprovação já não está em causa, faltam uns pequenos ajustes.

Na sua perspectiva, parece-lhe óbvio que a única forma do tecido empresarial emergente sobreviver, numa cidade periférica como Coimbra, é através da criação dessas sinergias?
Não será a única forma. Hoje em dia, já não há formas únicas. Um conceito interessante que está a ser ostensivamente utilizado e que inspirou também o Tecnopólo é o de inovação aberta. No fundo, quer dizer que as coisas acontecem em todo o lado. É como na educação – a pessoa vem cá para fora e a informação surge, vamos aprendendo com as experiências. Com as empresas é a mesma coisa. Aquilo que está contemplado no plano estratégico é, precisamente, a criação de um ecossistema de inovação, não fechado, deixando que as coisas ocorram. Neste momento, acho que já há - embora pequena – uma massa criativa instalada, de uma certa tipologia de empresas, baseadas no conhecimento, que eu acho que é irreversível. Quero crer que sim. Isso propicia o crescimento e o surgimento de outras coisas. Há imensas empresas mais pequenas, ainda em fase embrionária, que chegam aqui, são apresentadas a empresas maiores e acabam por estabelecer parcerias, porque se complementam.
Há abertura, as coisas surgem e crescem. Há apoio e atenção dos dois lados.
O networking é, de facto, uma grande preocupação nossa. Temos feito isso sempre com muito empenho, pois temos noção que é dos pontos mais importantes. Neste bar, já há uns meses, tem ocorrido uma vez por mês os Lanches à Sexta, que são precisamente sessões de debate e networking, em ambiente informal, onde há sempre duas empresas que se vêm apresentar. É mais um canal onde são criadas oportunidades. É uma prioridade nossa estimular o networking.

Já este ano, a IPN-Incubadora estabeleceu um protocolo com a Escola Superior de Enfermagem de Coimbra, que pretende demonstrar aos seus alunos que o seu sucesso pode passar pela criação de uma empresa. É isso demonstrativo do reconhecimento das reais capacidades da estrutura por parte de agentes exteriores à sua realidade quotidiana?
Pretendemos reforçar essa parceria, vamos até fazer um convite para que a Escola se torne nossa associada. Não foge à nossa área de actuação, aliás, vem mesmo a calhar com os projectos que temos no IPN, sendo um deles o XHMS, um Centro de Excelência de Healthcare e Medical Solutions, que acabou no ano passado. Tivemos um consórcio com 37 entidades de Coimbra, entre centros de investigação, empresas e unidades prestadoras de cuidados de saúde, isto é, uma rede em que se pretendeu identificar oportunidades de negócio, de forma a juntá-las e perceber o que é que falta, para as coisas serem ainda melhores e podermos daí identificar ideias de negócio. Com este projecto iniciámos uma série de estudos de mercado, no fundo, para potenciar, colocar no mercado global, um produto que surgiu de uma necessidade que foi detectada num projecto network. Esse projecto vai continuar, estando a decorrer uma candidatura da continuação do próprio. E, repare, a Escola Superior de Enfermagem encaixa aqui muito bem. Eles, ainda por cima, estão muito entusiasmados. Já há uma proposta de criação de uma empresa que surgiu no âmbito desta parceria.


Desde há muito que se move em universos onde tem liderado e, sobretudo, trabalhado em equipa. Como se sente enquanto líder de uma equipa de pessoas que está sempre à procura do sucesso e da melhoria das suas performances?
Sinto-me muito bem. Quando passam aquelas nuvens de notícias negativas, o melhor antídoto é vir aqui beber um café ao bar da IPN-Incubadora. Este ambiente de muita gente nova e entusiasmada faz uma pessoa sentir-se com mais força. É muita gente. Há 300 pessoas na IPN-Incubadora – não em simultâneo, claro. É uma realização pessoal. Espero que este último empurrão que estou a dar ao projecto da tal aceleradora de empresas seja bem sucedido. Até porque não me quero eternizar, não tenho feitio para isso. Para mim, foi muito interessante. Sempre fui uma académica, tive para além da investigação e do ensino, a que me dediquei em exclusividade até há 18 anos, depois tive uma passagem pela reitoria, em que nas funções de vice-reitora experimentei um mundo completamente diferente, onde tive de aprender tudo, e agora um complemento – também não percebia nada de empresas [risos], tive de aprender tudo. Ainda não percebo, vou aprendendo. Mas é uma experiência… Não estou aqui para apoiar a parte técnica, não é essa a minha função, mas essa ligação com a UC traz-me até aqui. Acho que foi a coisa mais difícil que fiz na vida. É preciso sensibilidade, perceber os dois mundos. Eu percebia um deles, o outro tive de aprendê-lo. Estando num lugar como este, tem de se perceber alguma coisa dos dois, para permitir que essa ligação se faça. É estimulante e muito diferente.

O que sente que lhe falta ainda alcançar?
Falta sempre quase tudo. Não sou uma pessoa calculista. Não sou obcecada pela programação, nem da minha vida, nem do trabalho. Sou pessoa de planos, ideias e de saber o que quer, mas não gosto de traçar caminhos estreitos. Eu estava na reitoria e tratei, como vice-reitora, do direito de superfície do terreno onde está instalado o IPN. Nunca me passou pela cabeça vir aqui parar. Não tenho essa postura calculista, as coisas vão surgindo. Mas falta sempre muito para alcançar. Estou sempre a lutar pelo que falta.