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Linguagens de expressão: o Centro de Línguas da Faculdade de Letras

Ana Beatriz Rodrigues

Quando Goethe afirmou que “aqueles que nada sabem sobre outras linguagens, nada sabem de si mesmos”, sabia o que estava em questão. Actualmente, com cerca de 7000 línguas a serem faladas por todo o mundo, com o incremento da mobilidade estudantil e profissional – muito potenciado pelas políticas da União Europeia – e com as demandas exigidas pelas entidades empregadoras, torna-se premente que novos e velhos se munam de armas e, neste campo, o conhecimento de outros idiomas pode ser uma boa ajuda.
Um pouco como consequência desta conjuntura, o ano de 2005 viu nascer, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), o Centro de Línguas (CL). “A ideia não é, de todo, nova. Há várias faculdades de letras por essa Europa fora que também os têm, devido àquela apetência que as pessoas têm por aprender línguas”, afirma Joana Santos, coordenadora do CL. Porém, uma das mais-valias deste centro é a oferta que foge às línguas clássicas: “Na nossa região, há escolas muito boas para Francês ou para Inglês, mas para aquilo a que se chamam as línguas ainda com menos penetração, que hoje começam a ter muita procura, como o Chinês, o Japonês, o Árabe ou o Russo, não há uma oferta formativa”, explica a docente.

Desde sempre que a Faculdade de Letras tem oferecido aos seus alunos este tipo de cadeiras de opção, todavia, com o plano estratégico da faculdade e com os projectos de formação ao longo da vida da União Europeia, decidiu-se fornecer ao público externo os cursos de línguas. Não obstante, “há outros serviços linguísticos que também podem ser oferecidos pelo CL. Quando se pede um intérprete chinês, quando se pede um tradutor de Romeno, é difícil encontrar nesta zona quem possa fazer esses serviços. O Centro de Línguas nasceu para responder a isso”, continua Joana Santos.

António Sousa Ribeiro, director do departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da FLUC, faz um balanço “extremamente positivo” do trabalho do CL, que, na sua opinião, está “perfeitamente consolidado, a uma velocidade de cruzeiro”. Aliás, segundo o docente, “no panorama mundial hodierno, sendo óbvio o papel das grandes línguas multinacionais – como é o exemplo do Mandarim -, que têm de ser conhecidas, ensinadas e estudadas, é também muito importante não perder de vista as pequenas línguas, que não têm o significado geoestratégico, mas que são uma componente fundamental da herança europeia.”

Mas, como funciona e o que oferece o Centro de Línguas?

Actualmente, as línguas oferecidas são o Inglês, o Espanhol, o Alemão, o Francês, o Italiano, bem como os idiomas menos vulgares, como o Japonês, o Chinês, o Russo, o Neerlandês, o Árabe e a Língua Gestual Portuguesa.

Estas línguas são fruto, igualmente, da procura: “Cada semestre propomos uma oferta e depois, em função das pessoas que se inscrevem ou não, assim se concretizam ou não os cursos. O que não quer dizer que não venham a aparecer mais tarde (Grego e Latim também existiram, no passado), podem voltar a existir, mas depende muito do interesse das pessoas”, esclarece Joana Santos.

Cada curso funciona, no mínimo, com 15 alunos, contudo, alguns cursos de línguas que interessa ao CL encorajar poderão funcionar com um número menor. Por outro lado, não deve haver mais de 35 discentes por turma, o que, este ano, teve de ser ultrapassado, em algumas línguas, como o Inglês ou o Espanhol. “Vamos evitar [esta situação] o mais possível, em especial se forem turmas de iniciação”, afirma a coordenadora do Centro.

A grande maioria do público que procura estes cursos é estudante da Universidade de Coimbra, muito embora o Centro de Línguas esteja a ganhar outras audiências que necessitam de aprender ou aperfeiçoar linguagens, para a sua profissão ou para integrar programas de mobilidade mundial.

Não obstante da consciência das pessoas na necessidade de falar outras línguas ter aumentado e, consequentemente, a oferta de cursos de línguas também, existem outros serviços oferecidos pelo Centro que têm o selo de garantia de qualidade, com docentes qualificados para o efeito. Dentro desses, destaca-se a revisão de textos, trabalhos científicos, publicações, teses ou dissertações. Além disso, é fornecido ao público em geral trabalhos de tradução nos mais diversos idiomas, desde o Persa ao Russo.

Pontualmente, com o apoio do CL e da faculdade, têm lugar algumas actividades, dinamizadas por docentes do centro, como foi o caso da semana cultural do Japão, que surgiu com o intuito de promover a língua e estimular a que, progressivamente, mais gente a estude.

Organicamente, o CL é dirigido pela directora, Joana Santos, secundado pelas duas sub-directoras, Rute Soares e Isabel Botto, e trabalha em articulação com o Conselho Consultivo e com o director da FLUC, Carlos André.