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Os 130 anos do Orfeon Académico de Coimbra

Orfeon Académico de Coimbra

“...nem mais nem menos: a apoteose continua coroada de flores e palmas num misto de enternecimento saudoso e solenidade empolgante...”
- in jornal “A União”, de 23 de Abril de 1960, sobre o Orfeon Académico de Coimbra.

O que o Orfeon Académico de Coimbra (OAC) é hoje são as notas cantadas no passado, limadas pelos Maestros que por ele passaram e suspensas por inúmeras gerações de jovens estudantes que, com o vibrar das suas vozes, foram marcando estes tão bons longos anos.
João Arroyo deu a entrada para a primeira nota. Foi a 29 de Outubro de 1880 e, tendo por mote a comemoração do tricentenário da morte de Luís de Camões, nasceu a Sociedade Choral do Orpheon Académico.
A 7 de Dezembro do mesmo ano ouvia-se, ao vivo e pela primeira vez, aquilo que é hoje o OAC. Seguiram--se as mãos de António Joyce, Elias de Aguiar, Raposo Marques, Joel Canhão, Cândido Lima, Artur Carneiro, Virgílio Caseiro, Edgar Saramago, Artur Pinho, Paulo Bernardino e novamente Artur Pinho, que rege actualmente o Orfeon. Cada um, à sua maneira, marcou o Orfeon. A todos eles, o Orfeon estará sempre grato!

“Cantando espalharei por toda a parte...” (Luís Vaz de Camões)
Ao longo destes 130 anos, não foram apenas os Maestros que mudaram ou o nome que sofreu alterações. Inicialmente composto apenas por vozes masculinas, o OAC é, actualmente e desde 1974, um coro a quatro vozes mistas, acompanhando desta forma a comunidade académica em que se insere. Cantou um pouco por todo o país e, por diversas vezes, actuou além fronteiras, tendo-se já feito ouvir em vários países da Europa, África, América do Sul, América do Norte e Ásia. Em cada uma das actuações representou sempre e com enorme orgulho a sua Coimbra, a sua Universidade, a sua Academia e as suas tradições.
A primeira digressão do Orfeon foi em 1911, a Paris, França. Seguiram-se muitas outras, tendo sido a primeira digressão fora da Europa, a África em 1949, ao Brasil em 1954 e aos Estados Unidos da América em 1962, esta última com 35 cidades visitadas. Para além de muitos outros países visitados e revisitados, há a destacar a participação do OAC na Expo’98, a digressão ao Brasil em no mesmo ano, à Madeira em 1999, aos Açores 2001, à Suíça e Hungria em 2002, a França em 2005, a Espanha em 2009 e, mais recentemente, de novo aos Açores, em Agosto de 2010.
A nível artístico, o Orfeon tem executado grandes obras, sendo de destacar algumas realizadas nos últimos anos, como a ópera Don Giovanni, Via Crucis de Franz Liszt, Gloria de Vivaldi, o musical Jesus Christ Superstar, Missa Brevis em Fá Maior de Mozart e Messias de Handel.
Não se pode deixar de mencionar o importante papel que o Orfeon teve, e continua a ter, na interpretação da música popular Portuguesa, da Canção de Coimbra, de peças de compositores conimbricenses, além do facto de haver obras escritas especificamente para o mesmo.
Além da música coral, o OAC teve ainda uma Orquestra Ligeira, uma Escola de Jazz, um Grupo Complementar de Música Popular Portuguesa e um Grupo Complementar de Fado de Coimbra, este último ainda existente. Desde sempre possuiu cantores de inegável qualidade, integrantes dos grupos de Fado, que acompanharam o Organismo – seria impossível falar de Canção de Coimbra sem referir o Orfeon e o importante impacte que teve nessa canção tão própria.
Há cerca de dois anos, lançou-se em mais um arrojado projecto, criando uma “Escola de Canto” direccionada não só para Orfeonistas, mas para toda a comunidade. A Escola de Canto do OAC tem a particularidade de, para além de oferecer formação em canto, promover actividades em vários campos relacionados com a voz, como música coral, técnica vocal, direcção coral, oratória, entre outros.
É inegável o importante papel que o OAC tem na formação dos seus membros e do seu meio envolvente, seja ela musical ou social. A organização de palestras, exposições, debates, cursos e workshops em diversas áreas, a colaboração com coros portugueses e estrangeiros, entre outros, fazem parte de um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido ao longo destes anos e que eleva o OAC a algo mais do que um simples coro. O Orfeon é, sem dúvida, uma Escola de Vida!
Aqui fica também uma palavra a todos os Orfeonistas: primeiro, com saudade para todos os que já partiram, depois, erguendo com orgulho os copos e cantando o AMEN de Berlioz!
A história do Orfeon podia ser um romance, escrito de forma muito pessoal, por todos aqueles que por ele passaram. A verdade é que, em conjunto, todas as gerações
de Orfeonistas conseguiram que, ao fim de 130 anos, o OAC se mantenha vivo e cada vez mais jovem. Venham muitos mais anos, é tempo de olhar o futuro!

130º Aniversário: 130 anos – 130 actividades
Tendo-se proposto a realizar 130 actividades, para assinalar os seus 130 anos de existência, o Orfeon, de 7 de Dezembro de 2009 a 7 de Dezembro de 2010, programou um ano repleto de novos projectos.
O Concerto de Aniversário do OAC – abertura das Comemorações do 130º Aniversário, os Concertos Messias de Handel, a digressão a Braga e Vigo, o projecto “Orfeon Solidário”, o Curso de Técnica Vocal, pelo Professor Vianey da Cruz, o Curso de  Direcção Coral, pelo Maestro Artur Pinho, a digressão aos Açores, a gravação e  lançamento de um CD, o Jantar de Gala do 130º Aniversário, o lançamento do “Livro de Espectáculos”, o lançamento do Pin Comemorativo do 130º Aniversário e o  Concerto de Encerramento das Comemorações do 130º Aniversário são apenas algumas das actividades certamente marcantes desta efeméride.