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São Tomé e Príncipe

Vitex L. - S. Tomé e Príncipe

BIODIVERSIDADE em SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Desde 1990 que a biodiversidade da República de S. Tomé e Príncipe tem vindo a ser intensamente estudada, tendo sido elaborados um inventário entre 1993-95 pela ECOFAC (Ecosystèmes Forestiers d'Afrique Centrale),

http://www.ecofac.org/

e uma análise para a sua conservação promovido pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (UICN), financiado pela Comunidade Europeia. Foram criadas duas grandes Áreas Ecológicas de Protecção, o Parque Natural do Obô de S. Tomé e o Parque Natural do Obô do Príncipe,

http://www.ecofac.org/Composan.....ipeObo.htm

com inclusão de algumas Áreas de Reservas Integrais e com as respectivas Áreas de Protecção Adjacentes.

Jorge Paiva tem estado envolvido em alguns aspectos desta investigação.

PN d'Obo

 As 4 ilhas e alguns ilhéus Africanos do Golfo da Guiné constituem um paraíso terrestre de relevante biodiversidade.

ILHAS
ÁREA (km2)
DIST. ÁFRICA(km)
ALTITUDE(m)ORIGEM
ENDEMISMOS(%)
S. Tomé
857
         2024
oceânica          15.4
Príncipe
139
          998
oceânica
           9.9
Pagalú
14
  oceânica
           7.7
Bioco
 32.5
 continental
           3.6
A República de S. Tomé e Príncipe inclui 12 ilhéus: Rolas, Cabras, Santana, Quixibá, Gabado, Coco, Pedras Tinhosas, Sete Pedras, Pedra da Galé, Bombom, Boné de Jóquei e Mosteiros. A ilha do Príncipe é muito montanhosa, com numerosos picos mais ou menos agudos, sendo o Pico do Príncipe o mais alto, seguido do Pico Papagaio (680 m), situados na parte central da ilha. S. Tomé também é extremamente montanhosa, culminando com uma aguda escarpa que começa na cratera de um extinto vulcão a 1480 m (Lagoa Amélia) até ao Pico de S. Tomé (2024 m) e alguns fonolitos escarpados, como o Cão Grande (663 m) e o Cão Pequeno (390 m), de muito difícil acesso. Como o país é atravessado pelo Equador (no ilhéu das Rolas), as ilhas apresentam vegetação tropical luxuriante, inclusivé nos picos mais altos. É nestes picos e montanhas que a floresta equatorial húmida (pluvisilva) primitiva perfeitamente preservada está actualmente confinada pela sua inacessibilidade.Cão Grande e Cão Pequeno

As ilhas eram desabitadas até à sua descoberta 1471-72. Os únicos mamíferos existentes eram 3 espécies de morcegos, um mais pequeno, insectívoro (Myonycteris brachycephala) e endémico, e dois maiores e frugívoros (Eidolon helvum e Rousettus aegyptiacus), a que chamam guembú ou fana-lixo (morcego-da-fruta, em português) e que são utilizados na alimentação pela população mais carenciada. Actualmente, além dos humanos, dos mamíferos domésticos (cão e gato), ratos e gado ruminante, introduziram-se alguns outros mamíferos que se naturalizaram, como o porco, o macaco (Cercopithecus mona) e a lagaia (Viverra civetta), um felino africano. Por haver poucos mamíferos, os habitantes caçam e comem qualquer destas espécies, inclusivamente a lagaia. As aves estão bem estudadas, estando recenseadas 143 espécies, sendo 21% endémicas, como o pombo-do-mato (Columba thomensis) e o íbis-de-são-tomé (Bostrychia bocagei).

   A floresta primitiva designada localmente por obó (pluvisilva) que, presumivelmente, ocupava praticamente toda a superfície das duas ilhas, foi “domada”, inicialmente, logo após a fixação dos primeiros colonos para plantações de cana do açúcar (Saccharum officinarum), abandonadas nos finais do séc. 16 e, mais tarde, no séc. 19, para plantações de cafeeiros (Coffea arabica, Coffea liberica, Coffea stenophylla), cacaueiro (Theobroma cacao) e outras culturas menores. Além disso, a pluvisilva foi, desde o início da ocupação, desbastada para madeiramento, como já referia Valentim Fernandes no século XV nas suas crónicas, no que se refere à ilha de S. Tomé.

Como é comum em ilhas habitadas a flora de S. Tomé e Príncipe está repleta de plantas exóticas, sendo várias invasoras. As plantas da quina (várias espécies de Cinchona), introduzidas no séc. 19 e algumas gramíneas como, por exemplo, o pé-de-galo (Eleusine indica) são disso exemplos.
Plantação de Cacaureiro
   A flora vascular destas ilhas é rica em endemismos pois mantiveram-se isoladas de África, não havendo grande permuta genética com populações continentais. Assim, a ilha de Bioco é a menos rica em endemismos vegetais por ser a que se encontra mais próximo do Continente. A que apresenta maior percentagem destes endemismos é a ilha de S. Tomé por ser, das 3 oceânicas, a de maior superfície.

As formações vegetais em S. Tomé resultam da combinação da ocupação humana, do relevo rigoroso e das condições climáticas tropicais. O nordeste é semi-árido devido à desarborização quase completa para o antigo cultivo da cana-de-açúcar. Em altitude verificam-se os seguintes andares:
• a cultura do cacaueiro pode atingir os 800 m de altitude, ocupando zonas de grande humidade;
• 600 - 1000 m, são cultivados cafeeiros, competindo, em algumas áreas, com o cacaueiro, tornando-se grdualmente predominantes;
• 1000- ± 1400 m, estão as formações florestais secundárias (capoeiras), resultantes de alterações da pluvisilva e onde as plantas da quina representam os últimos vestígios da acção antrópica;
•acima dos 1400 m, está a floresta densa e húmida, a pluvisilva. Esta floresta de nevoeiro, típica das altas montanhas da África tropical acima dos 2000 m é abundante em Ericaceae como Philippia thomensis, Campanulaceae como Lobelia barnsii e Podocarpaceae como Podocarpus mannii (pinheiro-de-s.tomé), todas endémicas da ilha.
Pluvisilva
As formações tipicamente litorais como os ecossistemas dunares ocupam áreas reduzidas já que a pluvisilva ocupava praticamente toda a ilha e o solo vulcânico não propicia tais formações. Nessas zonas litorais ocorre frequentemente Ipomoea pes-caprae subsp. brasiliensis (pé-de-cabra), como é habitual nas dunas das regiões tropicais, e mangais, com dominância de Rhizophora harrisonii (mangue-rosso), no sul da ilha. Na rocha vulcânica do litoral vegeta o Pandanus thomensis (pau-esteira), um endemismo da ilha.
Pandanus thomensis
   A vegetação da ilha do Príncipe é muito semelhante à de S. Tomé, verificando-se igualmente o predomínio de Rubiáceas, Euforbiáceas, Orquidáceas e fetos. No entanto, é mais luxuriante e de uma beleza incomparável pois a floresta primitiva não foi tão delapidada por a ilha ter tido menor ocupação humana. Nesta ilha ocorre grande número de Cornáceas, características das florestas secundárias (capoeira), resultantes da destruição da floresta primitiva. Esta sofreu grande redução quando em 1906 se realizou a campanha de erradicação da doença do sono.

Nesta ilha, são reduzidíssimas as áreas com ecossistemas dunares e os mangais estão confinados à bacia da Uba, na foz do rio Papagaio, junto à praia das Burras, cerca da praia da Lapa e na foz do rio Água Grande.
Ilhéu e Príncipe
Em qualquer das ilhas há praias paradisíacas adornadas de coqueiros (Cocos nucifera), uma palmeira originária das costas do Pacífico Ocidental.
Praia
6/4/2007
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