Novo Túnel Térmico do LEIF

No corrente mês de abril o Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da ADAI (Universidade de Coimbra) terminou a instalação de um Túnel Térmico no seu Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais (LEIF), situado no Aeródromo da Lousã.

15 abril, 2025 ≈ 4 mins de leitura

Trata-se de um equipamento de grande dimensão, com características únicas no País e na Europa, que permite estudar a interação entre o fogo e o seu meio ambiente, nomeadamente a atmosfera, em diversas condições de estabilidade vertical da camada limite. O Túnel Térmico dispõe de três condutas de ar, nas quais se pode criar um escoamento com velocidade e temperatura variáveis, entre 10 ºC e 45 ºC, podendo assim simular-se fisicamente as condições de propagação do fogo numa atmosfera estável, neutra ou instável.

Vista geral do Túnel Térmico, durante os ensaios no Laboratório de Estudos sobre Incêndios Florestais.

Nos passados dias 9 e 14 de abril, realizou-se um conjunto de ensaios preliminares para desenvolver as metodologias experimentais necessárias ao uso deste equipamento ímpar. Estes ensaios, realizados com leitos de combustível florestal constituídos por mato seco, evidenciaram uma variação na interação entre o fogo e a atmosfera, traduzido por um maior desenvolvimento vertical das chamas no caso da atmosfera instável, em relação à estável.

Vista lateral da frente de chamas numa situação de camada limite estável (esquerda) e instável (direita).

Verificou-se ainda que a velocidade média de propagação na atmosfera instável aumentou em cerca de 70%, relativamente à condição de atmosfera estável. Este resultado mostra a importância da interação entre o fogo e o ambiente na propagação de uma frente de fogo.

O estudo da dinâmica deste comportamento será desenvolvido no âmbito do projeto LARGE-FIRES, financiado pela FCT, que o CEIF irá desenvolver nos próximos três anos, em conjunto com o Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da Universidade de Aveiro.

O Túnel Térmico foi adquirido no âmbito do projeto Infraestruturas, financiado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro, e contou igualmente com um apoio financeiro da REN.

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