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CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO NAMORA

8 janeiro
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Fernando Gonçalves Namora nasceu em Condeixa-a-Nova a 15 de abril de 1919, filho de António Mendes Namora e de Albertina Augusta Gonçalves Namora.
Concluída a instrução primária na escola da localidade, ingressa no Colégio Camões, em Coimbra, que abandona em 1932 e parte para Lisboa onde, como discípulo de Jorge de Sena, permanece durante dois anos. De regresso a Coimbra em 1935, ingressa no Liceu de José Falcão inscrevendo-se no ano seguinte nos preparatórios médicos da Faculdade de Medicina. Licenciou-se em 1942, vindo a exercer em Condeixa-a-Nova e nas regiões da Beira Baixa e Alentejo.
Fernando Namora revela desde muito cedo forte propensão para as letras e para as belas-artes, possuindo já aos 15 anos uma biblioteca considerável e invulgar para a sua idade.
Inicia nos anos 30 uma ativa e fecunda carreira literária repartida entre a poesia e a prosa, integrado no grupo literário designado de “geração de 40”, que incluía escritores como Carlos de Oliveira, Joaquim Namorado, João José Cochofel ou Mário Dionísio, nomes ligados ao grupo da Presença. Com Artur Varela e Carlos de Oliveira, publica em 1937, no pequeno volume Cabeças de Barro, o conto O Mono, participando no mesmo ano na preparação de Cadernos da Juventude, de que se conhece apenas um exemplar do primeiro número, que não chegou a público. No ano seguinte, sai o seu primeiro livro de poesia, Relevos, e o romance As Sete Partidas do Mundo (Prémio Almeida Garrett), que marca já a viragem para o neo-realismo. Em 1939, participa na organização da revista Altitude, com Cochofel e Coriolano Ferreira, e no ano seguinte, 1940, publica o seu segundo livro de poesia, Mar de Sargaços. A publicação da coleção Novo Cancioneiro marca efetivamente o surgimento do neo-realismo, tendo sido Namora a iniciá-la com o livro Terra, que marca uma viragem no plano literário português.
Neste mesmo ano surge, incluído na coleção Novos Prosadores, o romance Fogo na Noite Escura, considerado o seu primeiro grande romance. A partir daqui publica regularmente, tendo a sua obra sido moldada dentro de um cunho neo-realista de cariz pessoal, de análise social.
Publica, em 1945, Casa da Malta, em 1946 As Minas de S. Francisco, Retalhos da Vida de Um Médico (duas séries), em 1949 e em 1963 (Prémio Vértice), A Noite e a Madrugada, em 1950, O Trigo e o Joio, em 1954, O Homem Disfarçado, em 1957, Cidade Solitária, em 1959, Domingo à Tarde, em 1961 (Prémio José Lins do Rego), Os Clandestinos em 1972 e Rio Triste, em 1982. Diálogo em Setembro, em 1966, um novo livro de poesia, Marketing, em 1969, Um Sino na Montanha, em 1970, Os Adoradores do Sol, em 1972, Estamos no Vento, em 1974, A Nave de Pedra, em 1975, Cavalgada Cinzenta, em 1977 e Sentados na Relva, em 1986, obras de crítica e de memórias e impressões de viagem.
Paralelamente à sua obra literária desenvolveu um grande interesse pela pintura, tendo frequentado a Escola Aberta do Padre João Antunes, o célebre “Padre Boi”, dinamizador em Condeixa de inúmeras iniciativas de índole cultural.
Fernando Namora recebeu diversos prémios como o "Prémio Ricardo Malheiros" em 1953, o de "Grande Oficialato da Ordem de Santiago", a "Medalha de Ouro da Literatura da Sociedade Francesa de Encorajamento do Progresso" e a "Medalha de Ouro da Bulgária", em 1981. É eleito "Membro Honorário da Universidade do Alasca", em 1983, foi eleito membro da "Hispanic Society de Nova Iorque" e do "Instituto Médico de Sófia", em 1984. "Membro titular da Academia Europeia das Ciências, Artes e Letras", em 1985, foi eleito membro da "American Association of Teaching of Spanish and Portuguese", em 1986, tendo sido agraciado com a "Grã Cruz da Ordem de Infante D. Henrique", em 1988 e com a "Grã-Cruz da Ordem da Liberdade" em 2019, a título póstumo.
Faleceu em Lisboa a 31 de janeiro de 1989, aos 69 anos.

A assinalar o centenário do seu nascimento, encontra-se patente na Sala do Catálogo de 20 de dezembro de 2019 a 31 de janeiro de 2020 uma exposição bibliográfica com a sua bibliografia.