Editorial | O tempo da implementação e do compromisso
Janeiro é um mês de balanços e de recomeços. O ano que agora se inicia marca, para o CEIS20, uma passagem particularmente exigente: da avaliação à implementação, da validação externa à responsabilidade interna, do desenho estratégico à sua tradução em práticas, escolhas e prioridades concretas.
Em 2025, o plano estratégico do Centro foi avaliado como Excelente pela FCT — uma classificação que muito nos honra, mas que, acima de tudo, nos vincula. Vincula-nos a um projeto científico ambicioso para o período 2025–2029, mas também a uma ideia clara de maturidade institucional: a de que um Centro não se define apenas pela qualidade do que propõe, mas pela consistência com que o consegue pôr em prática.
Nesse sentido, o mandato da nova Coordenação Científica iniciado no final de 2025 é de continuidade crítica: continuidade com o projecto estratégico aprovado e avaliado; crítica no sentido em que é orientada para a afinação, a operacionalização e a tomada de decisões que acompanham este processo de implementação — decisões que, em vários domínios, não poderão ser uma simples reprodução do que já existe.
O Plano de Implementação que estamos a preparar — e que será discutido nos vários órgãos do Centro ao longo dos próximos meses — deverá ser entendido como um dispositivo político-científico, que procura articular princípios, ritmos, escalas e responsabilidades distintas, com um objectivo claro: afirmar o CEIS20 como uma referência internacional e como um verdadeiro laboratório para a interdisciplinaridade, entendido não como um rótulo, mas como um espaço de experimentação científica, institucional e metodológica. Destaco alguns aspetos que me parecem decisivos neste momento: a centralidade da interdisciplinaridade como prática efetiva; o reforço de estruturas intermédias de coordenação científica — nomeadamente as Linhas Temáticas — enquanto espaços de definição de prioridades, de agregação de recursos e de representação do Centro; a valorização do trabalho colaborativo e de interdependências disciplinares; a valorização dos percursos científicos e da produção de conhecimento interdisciplinar, com especial atenção para os investigadores em início de carreira e a formação doutoral; e a articulação estratégica do CEIS20 com a Universidade de Coimbra, valorizando o nosso posicionamento institucional e a especificidade do nosso contributo.
Ao mesmo tempo, este é também um ano de oportunidades: novas contratações, novas dinâmicas internas, novos parâmetros de financiamento e de apoio à investigação, novos formatos de encontro e discussão científica, e novas formas de tornar visível — dentro e fora da Universidade — o trabalho que aqui se desenvolve. Estas transformações implicam exigência, mas abrem também oportunidades concretas para investigadores e equipas que pretendam reforçar a sua projeção internacional e desenvolver trabalho interdisciplinar sustentado. Tudo isso exige envolvimento, disponibilidade para o debate e uma disposição para pensar o CEIS20 como um projeto comum, necessariamente plural, mas estrategicamente orientado.
Janeiro de 2026 é, portanto, um ponto de compromisso com a exigência que a avaliação externa nos reconheceu, mas também com a responsabilidade interna de transformar um excelente plano num Centro ainda mais sólido, legível e sustentável — e capaz de consolidar e aprofundar, no plano internacional, a classificação que nos foi atribuída. É com esse espírito que iniciamos este novo ano.
José Oliveira Martins
Coordenador Científico do CEIS20