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Nova espécie de planta do Cretácico português homenageia docente da FCTUC

24 setembro
Imagens obtidas através de microscopia electrónica de varrimento da nova espécie
Imagens obtidas através de microscopia electrónica de varrimento da nova espécie
© DR

Uma nova espécie de planta do Cretácico descoberta em depósitos sedimentares da Formação de Almargem, na jazida fossilífera de Catefica, Torres Vedras, foi batizada com o nome científico "Watsoniocladus cunhae", em homenagem a Pedro Proença Cunha, professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Esta nova espécie de conífera do período Cretácico Inferior, já relatada na revista científica Review of Palaeobotany and Palynology, foi descoberta em 2020 por uma equipa liderada por Mário Miguel Mendes, investigador do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), da Universidade de Coimbra, e da Universidade Fernando Pessoa, no Porto.

A "Watsoniocladus cunhae" distingue-se «sobretudo por ter ramos com folhas decussadas com ápice pontiagudo, semelhantes a escamas. As folhas possuem margem inteira e são anfiestomáticas, com estomas dispostos em fiadas longitudinais irregulares», descreve Mário Miguel Mendes.

Ao atribuir o nome "Watsoniocladus cunhae", o investigador do MARE-UC afirma que pretendeu homenagear o professor catedrático do Departamento de Ciências da Terra da FCTUC, Pedro Proença Cunha, «pela importância e relevância científica dos trabalhos que tem vindo a realizar no âmbito da geologia e da estratigrafia do Cretácico de Portugal».

A nova espécie «representa mais um contributo para conhecimento da composição da flora do Cretácico Inferior (dominada por fetos e coníferas) e pode ser utilizada como indicador paleoambiental e paleoclimático devido às suas características xeromórficas», salienta.

Mário Miguel Mendes explica ainda que os estudos da vegetação cretácica portuguesa são «essenciais para o conhecimento das etapas iniciais de desenvolvimento das plantas e para a caracterização dos paleoambientes e dos paleoclimas em que viveram, possibilitando contribuição fundamental para o estabelecimento das mudanças globais ocorridas em momento particularmente significativo da história da Terra. Portugal, a nível global, é uma região que reúne condições excelentes para o estudo destes temas, pelo que, o desenvolvimento desta linha de investigação interdisciplinar é imprescindível e do maior interesse científico, com benefícios diretos para a qualidade da educação e do ensino».

Por seu lado, Pedro Proença Cunha considera que esta homenagem «representa que o Doutor Mário Mendes pretendeu distinguir a investigação que tem feito em Litostratigrafia e Sedimentologia do Mesozóico e Cenozóico de Portugal, relevante para complementar estudos de palinologia».