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O Texto Breve: Para uma Abordagem Diferencial

Seminário

Participantes: Cristina Robalo Cordeiro, Alain Montandon (Université Blaise Pascal, Clermont-Ferrand), Gérard Dessons (Université Paris VIII, Paris)

Resumo

Contrariamente à opinião comum, a brevidade não é um traço original da modernidade literária. A idade clássica, tão marcada pelo modelo latino, mantém com a estética da concisão uma relação muito mais forte. É com a reacção (parnasiana) ao expansionismo do discurso romântico, que se afirma de novo o adágio “intelligenti pauca” na poesia como na narrativa. A história literária deve procurar esclarecer as verdadeiras motivações (ideológicas) e as modas (retóricas) desta conversão. Mas é sobretudo importante estudar o cruzamento desta tendência para a economia discursiva com uma poética que nasce mais tardiamente: a do fragmento aparecido na última década do século XX. Não se pode, sem grave prejuízo hermenêutico, confundi-las numa abordagem unitária. A nossa tarefe deverá então consistir em apontar a dupla genealogia de onde surgem tão falsas similitudes.

Objectivos

Contribuir, no plano teórico, para uma arqueologia diferencial da brevidade, explorando as fracturas que separam textos situados no limite de dois campos abusivamente confundidos com a mesma designação.
Favorecer, no plano prático, a tomada de consciência das condições de possibilidade de uma renovação da leitura literária num universo quotidiano onde a tecnologia informática, tendo transformado a nossa relação com o tempo e com o espaço, não fez senão agravar a equivocidade da experiência da brevidade.