Este site utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de utilização. Ao navegar aceita a política de cookies.
OK, ACEITO

Cartografar Voltaire em Portugal e na Literatura Portuguesa (sécs. XVIII-XXI)


Coordenação: Marta Teixeira Anacleto (http://faculty.uc.pt/marta)

1. Justificação e objetivos

a. A consulta do catálogo Porbase e de outras bases de dados de relevância complementar demonstra que os textos narrativos, dramáticos e filosófico-políticos de Voltaire foram abundantemente traduzidos em Portugal, desde o final do século XVIII até à época contemporânea. Infere-se, de uma prévia análise quantitativa e estatística dos catálogos, que: (i) os textos narrativos ficcionais e as tragédias apresentam maior incidência de tradução do que os textos filosófico-políticos; (ii) no final do século XVIII, as ficções narrativas foram objeto de uma censura difusa, figurando no Index Librorum Prohibitorum da Santa Sé; (iii) durante o século XIX existe uma vasta atividade de tradução do teatro de Voltaire (nomeadamente, as tragédias), com reedições sucessivas; (iv) os contos ficcionais figuram, em tradução, nas “Bibliotecas universais” oitocentistas; (v) durante o Estado Novo, os contos são traduzidos, de forma não sistemática, em Coleções como “Os Livros Imortais”, “Colecção Ideal”, “Europa-América”; (vi) após 1974 e no século XXI, existe um boom expressivo na tradução dos contos ficcionais, em editoras com perfis determinados, no quadro da produção literária portuguesa e estrangeira (como a Tinta da China ou a Relógio d’Água).

b. Deduz-se, por conseguinte, que a as assimetrias poéticas e ideológicas que acompanham, do final do século XVIII aos nossos dias, as traduções de Voltaire, dialogam com a temporalidade estética e ética que marca, no mesmo período, a literatura portuguesa, legitimando-se o postulado de que o lugar teórico da tradução se situa entre o movimento de (re)criação do texto e a ordem poética que institui e a que se submete (André Lefevere, Lawrence Venuti, Michael Cronin et al). Nesse sentido, a pretensão de “cartografar Voltaire em Portugal e na Literatura Portuguesa”, permitirá: (i) recontextualizar fenómenos poéticos, históricos, sociológicos, políticos que estão na base desses períodos diferenciados da nossa literatura e cultura; (ii) redefinir marcas identitárias associadas ao conceito de “cânone” (cânone da literatura nacional; cânone da literatura estrangeira). O lugar da tradução encontrar-se-á, assim, entre criação e teoria (Henri Meschonic).

2. Metodologia

Para atingir os objetivos enunciados, proceder-se-á às seguintes etapas: (i) levantamento sistemático do corpus (teatro, ficção narrativa, textos filosófico-políticos , em tradução portuguesa); (ii) análise tipológica das traduções, de modo a identificar processos de apropriação nacional (etnocentrismo) ou de emergência de uma “estrangeirização” codificada; (iii) estabelecimento de uma “cartografia literária”: identificação de confluências poéticas com a literatura portuguesa; (iv) estabelecimento de uma “cartografia política”: relações entre literatura nacional, literatura traduzida e censura(s); (v) síntese: “cartografia” das traduções de Voltaire e cânone (contributos para uma teoria da história da literatura portuguesa). As etapas descritas terão em conta um aparato paratextual que se afigura fundamental no âmbito dos Estudos de Tradução e da Teoria da Tradução literária: paratextos; ilustrações; tradutores; coleções; editoras; imprensa.

3. Objetivos

(i) realização de um Workshop (após cerca de 18 meses de trabalho de investigação) em que participarão os membros da equipa de investigação e convidados do domínio dos Estudos de Teoria Literária, Teoria da Tradução, Teoria da História. O Colóquio visa fazer um balanço do estado da arte, divulgar os resultados da investigação à data e redefinir metodologias do trabalho subsequente.
(ii) publicação – Cartografias de Voltaire em Portugal e na Literatura Portuguesa (séculos XVIII a XXI) – resultante do trabalho de investigação, prevendo-se a existência de uma segunda parte (ou volume) com a digitalização de excertos das traduções, ilustrativos da diacronia estética e histórica da “cartografia” estabelecida.

4. Equipa


Membros integrados do CLP
Ana Paula Arnaut
Maria Helena Santana
Paulo Pereira
João Domingues
Rosário Mariano
Alberto Sismondini

Membros em Formação do CLP
Marta Marrecos Duarte
Licínia Ferreira
Bruna Plácido
Paulo Banaco

Membros colaboradores do CLP/outros Centros
José Camões – FLUL/CET (Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa)
Ana Isabel Vasconcelos – Universidade Aberta/CET (Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa)
Ana Clara Santos – Universidade do Algarve/CET (Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa)
Marta Rosa – CET (Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa)
Rita Bueno Maia – Faculdade de Ciências Humanas - UCP/ CECC (Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa)

Membros externos/outros Centros

Ana Cristina Araújo – FLUC/CHSC (Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra)
Ana Paula Coutinho – FLUP /(ILCML – Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa)
Dominique Faria – UAçores (Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa)
Ana Isabel Moniz – UMaderira (Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa)
Natividade Pires – ESE Castelo Branco (IELT- Instituto de Estudos de Literatura e Tradição da Universidade Nova de Lisboa)

Membros estrangeiros
Laurence Macé - Normandie Université, Université de Rouen/CÉRÈdI)
Sylvain Menant - Université Paris-Sorbonne, Paris IV (CELLF, Centre d’Etude de la Langue et de la Littérature Française)
Stéphanie Géhanne-Gavoty – Université Paris-Sorbonne, Paris IV (CELLF, Centre d’Etude de la Langue et de la Littérature Française)
Renaud Bret-Vitoz – Université Paris-Sorbonne, Paris IV (CELLF, Centre d’Etude de la Langue et de la Littérature Française)
Stéphane Lojkine – Université Aix-Marseille (CIELAM, Centre interdisciplinaire d’étude des littératures d’Aix-Marseille, EA4235)

5. Calendarização

O projeto decorre no período 2019-2023.