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Aleksandr Púchkin  (1799-1837)

Vladimir Pliassov
CER, FLUC
https://www.uc.pt/fluc/depllc/CER/centro_de_estudos_russos/cerartigos

Puchkin

Aleksandr Serguéievitch Púchkin (Александр Сергеевич Пушкин) é considerado o maior poeta, romancista e dramaturgo russo e um dos principais fundadores da linguagem literária russa moderna.

Púchkin foi pioneiro no uso da língua vernácula nas suas obras, criando um estilo de narrativa que misturava o drama, o romance e a sátira hoje associados à literatura russa, e influenciando de modo notável os escritores russos que lhe seguiram.

Aleksandr Púchkin nasceu em Moscovo e foi educado pela avó e por uma ama, conhecedora de muitos contos populares. No salão da família ouvia falar de poesia, o pai e o tio faziam rimas e na biblioteca alinhavam-se todos os poetas de língua francesa do século XVIII, língua essa que ele sabia desde o berço.

Em 1811, ingressou no Liceu Imperial fundado pelo Imperador Alexandre I na sua vila Tsárskoe Seló para formar jovens nobres, tornando-os aptos a preencher os quadros superiores do Império. Desde cedo, inicia, ainda como aluno deste liceu, a sua carreira literária. Na verdade, foi aí que recebeu a sua primeira consagração literária. Em 1815, recitou os seus versos num exame público deste liceu presidido por Derjávin, o ministro-poeta. Logo, ao ouvir os primeiros versos, Derjávin levantou-se da cadeira e exclamou "Eis o meu sucessor!". Algum tempo depois, quando Púchkin escreveu o grande poema nacional Ruslan e Liudmila (1817-1820)Jukovski enviar-lhe-ia o seu retrato com uma dedicatória «O mestre vencido, ao discípulo vencedor».

Enquanto terminava o liceu, Púchkin começou trabalhar no Ministério dos Negócios Estrangeiros, como adido, e frequentou também os círculos literários de S. Petersburgo.

Porém, Púchkin não necessitava de aprendizagem, pois o seu génio brilhou desde as primeiras obras. Transformou a língua literária, dando-lhe a pureza, a elegância, a precisão, o laconismo, a simplicidade, a sinceridade e a transparência de uma língua clássica, e forjou para as gerações seguintes os seus ritmos e formas. É por isso que, ainda hoje, os seus versos são sabidos de cor por todos os russos.

Contudo, a incapacidade de traduzir com o mesmo espírito, quer as suas poesias, quer as suas obras em prosa, fez com que Púchkin fosse mal conhecido (e talvez imperfeitamente interpretado) fora da Rússia e não ocupasse o lugar merecido no panteão da literatura mundial.

Os seus primeiros poemas, O Prisioneiro do Cáucaso (1820-1821) e Os Ciganos (1824), carregam em si a influência do romantismo, mas conseguem elevar-se acima dos sonhos sentimentais até as alturas sublimes do classicismo.

Um dos seus mais conhecidos poemas, O Cavaleiro de Bronze, foi escrito em 1833, mas foi apenas publicado após a morte de Púchkin.

(Ao aceder a este link, poderá ver e ouvir a leitura deste poema pelo estudante de língua russa Tiago Loureiro.)

Aleksandr Púchkin escreveu o romance em verso (com 400 versos no total) Evgueni Onéguin (1823-1832), no qual introduziu elementos que o levaram a designar o seu estilo como o primeiro romance realista da literatura russa do século XIX, “o romance nacional sobre a Rússia e para a Rússia”, onde se mostra um retrato panorâmico da vida russa. Possuidora de um cunho de grandeza moral, esta obra é, ao mesmo tempo, o seu mais melodioso poema.

Outras obras importantes de Púchkin:

Poltava (1828-1829), a célebre descrição da batalha entre as tropas russas, chefiadas por Pedro I, e as tropas suecas, chefiadas pelo rei Carlos XII, da traição de Mazepa, o hetman (comandante) ucraniano, etc.

Borís Godunov (1825), um drama histórico digno de Shakespeare, no qual o interesse do autor se divide entre duas personagens: o Czar Borís Godunov, político hábil e firme, e o falso Dmítri, o impostor, que pretende ser czar com a ajuda da intervenção de tropas estrangeiras.

Púchkin dedicou-se também a outro género literário, o conto popular, ao escrever o ensaio O Czar Saltán (1831), considerado uma obra prima, O Conto da Princesa Morta e dos Sete Cavaleiros (1833)Conto sobre o Galo Dourado (1834), entre outros.

Grande poeta, Púchkin foi também um prosador de primeira ordem. As suas Novelas de Bélkin (1830), entre as quais se encontram O Tiro de Pistola e A Tempestade de Neve, são paródias para os cânones da literatura romântica, quando a história, em lugar de um fim trágico, acaba bem.

A Dama de Espadas (1834) e A Filha do Capitão (1836) contêm a essência do futuro romance realista russo, que valerá a celebridade mundial aos seus sucessores. O nome de Púchkin é inseparável de toda a nova literatura russa. Ele é o mais antigo escritor profissional da Rússia: foi o primeiro a ter vivido, grande parte da vida, dos direitos de autor.

Deve mencionar-se ainda a enorme repercussão que a obra de Púchkin teve, e tem, na literatura e em outros campos artísticos, como na música e no cinema, não só na Rússia, mas também em diversas outras partes do mundo. Desta forma, o célebre romance-poema Evgueni Onéguin serviu de inspiração a Piotr Tchaikovski, o qual teve assim o privilégio de o tornar conhecido e enaltecer a obra; Borís Godunov foi adaptada para o palco pelas mãos do compositor Modest Mússorgski na forma de ópera; a novela A Dama de Espadas está na base de um filme inglês de Thorold Dickinson; o romance A Filha do Capitão constitui a fonte à qual Lev Tolstói foi beber na composição de Guerra e Paz; e vários dos seus poemas foram traduzidos para a língua francesa por Prosper Mérimée, escritor francês do séc. XIX, entre outras personalidades.

Если жизнь тебя обманет,

Не печалься, не сердись!

В день уныния смирись:

День веселья, верь, настанет.

Сердце в будущем живет;

Настоящее уныло:

Все мгновенно, все пройдет;

Что пройдет, то будет мило.

(1825)

Se um dia esta vida te desiludir,

Não fiques triste ou aborrecida!

Num dia sombrio, resigna-te:

Tem confiança, dias melhores virão.

O coração vive no futuro; então;

E se a sombra invade o presente:

Tudo é efémero, tudo passará;

E o que passou torna-se, então saudoso.

(1825)

Em 2010, a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional da Língua Russa, uma das suas seis línguas oficiais de trabalho (a par do Árabe, do Chinês, do Espanhol, do Francês e do Inglês), a ser celebrado a 6 de junho, dia de aniversário do grande poeta nacional Aleksandr Púchkin. Este dia foi escolhido pela organização com o intuito de divulgar o Russo como uma das dez línguas mais faladas em todo o mundo e de homenagear o, assim chamado, «Camões Russo».

Veja mais: 215º Aniversário de Aleksandr Puchkin