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100º Aniversário da Revolução de Fevereiro de 1917

Vladimir Pliassov
CER, FLUC
https://www.uc.pt/fluc/depllc/CER/centro_de_estudos_russos/cerartigos
revoluçºao fevereiro 100

No dia 23 de fevereiro completa-se o 100º aniversário da Revolução de Fevereiro de 1917 (também conhecida por Revolução Democrático-Burguesa de Fevereiro de 1917), a qual durou pouco mais de uma semana mas conseguiu derrubar a monarquia milenar, alterando em pouco tempo, e de forma radical, o destino da Rússia.

A Revolução de Fevereiro começou no dia 23 de fevereiro de 1917 (segundo o calendário antigo ou juliano) em Petrogrado (assim se passou a chamar S. Petersburgo desde 1914) com massivas e espontâneas manifestações antigovernamentais dos operários de Petrogrado e dos soldados da guarnição da cidade. Para o sucesso da Revolução contribuiu também uma aguda crise política nos círculos dirigentes, bem como uma forte insatisfação dos círculos liberais e burgueses para com a política autocrática do czar.

No decorrer da Revolução de Fevereiro de 1917, instalou-se na Rússia uma dualidade de poderes. O primeiro poder (democrático burguês) pertencia ao Governo Provisório e o segundo poder (democrático revolucionário) aos Sovietes dos Deputados de Operários e Soldados. As relações políticas entre estes dois poderes oscilaram entre a colaboração e a concorrência.

O novo poder proclamou na Rússia direitos políticos e civis (liberdade de expressão, de reunião, de consciência, de imprensa, de associação e manifestação). Foi declarada amnistia política e igualdade de todos os cidadãos perante a lei da nova República; foi anunciado um limite de 8 horas de duração do dia de trabalho; a polícia foi substituída por uma “Milícia do Povo”, cuja chefia era sujeita a eleição. Contudo, o Governo Provisório revelou-se absolutamente incapaz de implementar as promessas que os levaram à subida do poder.

A Revolução de Fevereiro de 1917 revelou ser uma inesperada surpresa para todos: começando pelos líderes do partido Bolchevique, que na altura se encontravam no estrangeiro, e abrangendo quem participou diretamente nos acontecimentos de fevereiro. Ninguém podia imaginar que as manifestações e as greves pudessem desencadear a revolução que viria a derrubar o poder autocrático. Até hoje se mantém a polémica: seria a revolução inevitável, devido à crise provocada pelo curso errado do governo de Nicolau II e à existência de uma guerra prolongada, ou os acontecimentos de fevereiro foram resultado de uma bem planeada conspiração, da qual se aproveitaram certas forças políticas para afastar a monarquia e usurpar o poder…


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