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Bicentenário da Guerra Patriótica de 1812


guerra napoleónica


No ano de 2012, a Rússia celebrou o bicentenário da Guerra Napoleónica, conhecida na Rússia como a Guerra Patriótica de 1812.

A guerra da Rússia contra Napoleão em 1812 é considerada um dos acontecimentos centrais da história. Até à Primeira Guerra Mundial, a chamada Campanha da Rússia era o maior confronto militar da humanidade.

Nos campos de batalha estava em jogo o destino de muitos países e povos. A Rússia era o último obstáculo no caminho de Napoleão para estabelecer seu domínio sobre a Europa e, possivelmente, sobre o mundo inteiro. 

Tratava-se de uma gigantesca operação militar organizada sob o comando do imperador francês Napoleão Bonaparte e dos seus aliados, e o seu desfecho marcou o início do declínio do Primeiro Império Francês.

A campanha começou no dia 24 de Junho de 1812, quando as tropas francesas atravessaram o rio Neman. Napoleão pretendia obrigar o imperador da Rússia, Alexandre I, a permanecer no Bloqueio Continental do Reino Unido, isto é, não queria que nenhum país mantivesse relações comerciais com a Inglaterra; o objectivo oficial era acabar com a ameaça de uma invasão russa da Polónia. Napoleão designou a campanha de Segunda Guerra Polaca, enquanto o governo russo proclamou uma Guerra Patriótica.

Quase meio milhão de homens, o chamado Grande Armée, marchou pela Rússia Ocidental, vencendo uma série de pequenas batalhas e uma grande batalha, a Batalha de Smolensk, entre 16 e 18 de Agosto. Contudo, no mesmo dia, a ala direita do exército russo, sob o comando do general Peter Wittgenstein, bloqueou parte do exército francês, liderado pelo marechal Nicolas Oudinot, na Batalha de Polotsk. Esta acção impediu os franceses de avançar sobre a capital russa de São Petersburgo; o destino da guerra tinha que ser decidido na frente de Moscovo, onde o próprio Napoleão liderava as suas forças.

Embora os russos tenham utilizado a política da terra queimada, e, por vezes, tenham atacado o inimigo com a cavalaria ligeira de cossacos, o seu exército principal retirou-se por cerca de três meses. Este recuo prejudicou a confiança no marechal-de-campo Mikhail Bogdanovitch Barclay-de-Tolly, levando Alexandre I a nomear um veterano, o Príncipe Mikhail Kutúzov para o seu lugar.

A 7 de Setembro, os dois exércitos encontraram-se perto de Moscovo, na Batalha de Borodino. A batalha resultou na maior e mais sangrenta acção num único dia, durante as Guerras Napoleónicas. Envolveu mais de 250 mil soldados e resultou em pelo menos 70 mil vítimas. Os franceses capturaram o campo de batalha, mas não conseguiram destruir o exército russo. Além disso, os franceses não conseguiram substituir as suas perdas, enquanto os russos o podiam fazer.

Napoleão entrou em Moscovo no dia 14 de Setembro, depois de o exército russo ter, novamente, recuado. Mas, por essa altura, os russos tinham já evacuado a cidade. Além disso, o governador, o conde Fiodor Rostopchin, ordenou que a cidade fosse incendiada. Alexandre I recusou-se a capitular e as conversações de paz iniciadas por Napoleão falharam. Em Outubro, sem um sinal de vitória claro, Napoleão começou a sua retirada desastrosa de Moscovo, durante o período de chuvas e lama habituais no Outono russo.

Na Batalha de Maloiaroslavets, os franceses tentaram chegar a Kaluga, onde poderiam encontrar alimentos para os homens e para os animais. Mas o exército russo, bem alimentado, bloqueou a estrada e Napoleão foi forçado a recuar pelo mesmo caminho de onde tinha vindo desde Moscovo, através de áreas fortemente devastadas ao longo da estrada de Smolensk. Nas semanas seguintes, o Grande Armée sofreu golpes catastróficos como o início do Inverno Russo, a falta de suprimentos e constantes ataques de camponeses russos e tropas irregulares. Quando as restantes tropas do exército de Napoleão atravessaram o rio Berezina, em Novembro, já só restavam 27 mil soldados; o Grande Armée tinha perdido 380 mil homens e 100 mil tinham sido feitos prisioneiros. Napoleão abandonou os seus homens e voltou para Paris para proteger a sua posição como Imperador e preparar-se para resistir aos avanços dos russos. A campanha terminou a 14 de Dezembro de 1812, quando as últimas tropas francesas deixaram a Rússia.

A invasão do exército de Napoleão de 1812 deixou uma profunda herança no imaginário russo; da sensação de perdição do país, da completa destruição da capital Moscovo, e da improvável viragem posterior, e o extermínio e expulsão dos invasores. Este episódio marcou a cultura da França e da Rússia e das suas tradições militares.

A importância da campanha na cultura russa pode ser vista na obra de Lev Tolstói, Guerra e Paz, escrita ainda na segunda metade do século XIX, eternizando dezenas de passagens verídicas da campanha. A derrota inicial da Rússia e a sua vitória final também são lembradas na Abertura 1812, de Tchaikovski.

Fonte: Gazeta Russa, Wikipédia