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Erosão nos socalcos

Os campos em socalcos revelam o esforço, a tenacidade e a capacidade de adaptação e sobrevivência do ser humano, face a um ambiente hostil e repulsivo. A realidade mostra-nos que estas antigas estruturas são muito eficientes na protecção contra a perda de material mineral dos campos agrícolas, favorecendo a infiltração e fazendo aumentar a humidade do solo essencial para a instalação da vegetação.

 No entanto, a ausência da sua utilização agrícola e, consequentemente, da sua conservação a médio e longo prazo, vai acarretar uma destruição parcial ou total dos muros de suporte dos socalcos, levando ao aumento do risco de movimentos em massa, com a perda de todo o solo agrícola presente no patamar. Os factores que mais contribuem, directa ou indirectamente, para a erosão na área de estudo são a precipitação, o gelo, a topografia, o coberto vegetal e os incêndios florestais e a acção biológica dos animais.

A análise da erosão registada nas bacias hidrográficas foi realizada a partir da comparação dos valores da precipitação, escorrência e material erosionado.

Apresentam-se os valores de escorrência em cada área-amostra totalizados no período já referido, e contabilizados a partir dos valores obtidos pelas parcelas de erosão.

Destaca-se a parcela experimental de Loriga com valores totais na ordem dos 55 l/m2, que não são de estranhar dado ser o local mais próximo da Serra da Estrela, e que se encontram associados aos quantitativos de água proveniente do degelo verificado, tanto nos meses de Inverno como nos de Primavera.

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O lugar da Cabeça, influenciado pelas condições de Loriga, verifica ainda valores de escorrência elevados representando 39,2 l/m2. Estas áreas-amostra são as que representam melhor a impermeabilidade do solo face à escorrência, se observarmos a reduzida diferença entre precipitação e escorrência, propícios a uma erosão hídrica que desencadeia movimentos de vertentes, como foi possível constatar nas incursões ao terreno.

As restantes áreas apresentam valores de escorrência reduzidos se compararmos com os de precipitação. No caso do Piódão a precipitação total foi de 692,3 mm, e a escorrência ficou-se pelos 24 l/m2, constituindo uma área-amostra representativa no que respeita à acção de permeabilização do solo e à prevenção da erosão hídrica.

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Este é um dos casos em que os socalcos ao limitar a escorrência superficial favorecem a infiltração, prevenindo situações de deslizamentos e desmoronamentos em vertentes.

Apesar da influência exercida pelo declive do patamar ou pela litologia, por exemplo, conclui-se que as parcelas que apresentam maiores quantitativos de material erosionado, correspondem ás áreas que tinham ardido recentemente, nomeadamente, Cabeça e Porto Silvado.

Deste modo, os incêndios florestais, ao eliminar o referido factor de protecção oferecido pela vegetação, potenciam a erosão hídrica acelerada e a situação só fica regularizada após alguns meses, quando a regeneração natural das espécies permitir uma cobertura protectora de gramíneas e espécies arbustivas

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