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Congresso Pensar o Século XX. Olhares do século vinte e um

Até 18 de novembro de 2022
5 julho
"Berlarmino", Fernando Lopes (1964)
"Berlarmino", Fernando Lopes (1964)
© Augusto Cabrita


Chamada de participação

Ainda antes do final do ano 2000, já o século XX se constituía como problema em diferentes campos das ciências sociais e humanas. A coincidência entre o final do século e a conclusão de alguns dos seus fenómenos políticos mais emblemáticos – o comunismo no chamado Bloco de Leste, a Guerra Fria – pareceu reforçar a urgência de balanços e novas narrativas. O século surgia aí como uma ‘era dos extremos’ (Eric Hobsbawm) – e a Europa novecentista como um ‘continente sombrio’ (Mark Mazower) –, um ‘mundo de fantasia e catástrofe’ (Susan Buck-Morss) alternando entre a promessa utópica e a queda no abismo, ou, para citar alguns títulos mais recentes de histórias do século, uma ‘ida e volta ao inferno’ (Ian Kershaw), oscilando entre a ‘barbárie e a civilização’ (Bernard Wasserstein) e exigindo uma ‘história em fragmentos’ (Richard Vinen).

Como estes títulos sugerem, a dramatização do século foi para muitos uma dimensão inseparável das formas narrativas que ao longo dele proliferaram. É neste sentido que se pode falar em ‘acontecimentos modernistas’ (Hayden White), ou seja, acontecimentos cuja dimensão exige a inventividade do modernismo, ou das próprias formas modernistas como expressão de um século percorrido pelo ‘antagonismo’ (Alain Badiou). No limite, a imagem do século pode coincidir com o olhar de uma arte moderna, o cinema (Francesco Casetti falou do ‘olho do século’), ou mesmo com uma das suas técnicas artísticas mais marcantes, como quando Georges Didi-Huberman fala da montagem como o ‘olho da história’ no século XX.

O próprio século XXI pensa-se e representa-se a partir das muitas versões com que o século anterior é visto como ‘a última catástrofe’ (Henry Rousso), um marcador temporal da história do tempo presente. Ao longo das últimas duas décadas, a historiografia, a filosofia, a ciência política, os estudos artístiscos, entre inúmeras outras disciplinas, têm insistentemente refletido sobre o presente a partir das múltiplas narrativas produzidas ao longo, ou a propósito, do século XX. Mais do que um período histórico específico, o século passado constitui-se aí como um conceito, ou imaginário, que determina formas de pensamento político e representações sociais e artísticas. A sua proximidade, por outro lado, o dramatismo dos seus acontecimentos mais marcantes, bem como a profusão de formas audiovisuais que o percorreram, fazem do século XX um objeto particularmente propício à produção de memória e à emergência de novas fontes, arquivos e mediações históricas.

O congresso Pensar o Século XX. Olhares do século vinte e um procura situar-se nos debates contemporâneos sobre a história, memória e herança do século XX, contribuindo para a diversificação e complexificação das suas narrativas e representações. Convida, nesse sentido, participações a partir de múltiplas áreas científicas que reflitam sobre o século XX – e sobre o tempo presente a partir do século XX –, incluindo (entre outras) a história e a memória, a história de arte, os estudos culturais, artísticos e literários, a filosofia, as ciências da comunicação, a pedagogia, as humanidades digitais, a economia e as ciências sociais, os estudos do clima e do ambiente, as ciências naturais e a tecnologia, os estudos urbanos e das mobilidades.

Datas 1, 2 e 3 de fevereiro de 2023

Local Universidade de Coimbra

Organização Centro de Estudos Interdisciplinares

Critérios para submissão As propostas deverão ser enviadas em forma de resumo, entre 300 e 500 palavras, em português, inglês, francês ou espanhol para o endereço pensarseculoxx@uc.pt

Data limite para envio de propostas 18 de novembro de 2022




Symposium Thinking the Twentieth-Century. Perspectives from the twenty-first century

Call for papers

The twentieth century emerged as a problem in different fields of the social sciences and humanities, even before the end of 2000. The coincidence between the end of the century and some of its most emblematic political phenomena – such as communism in Eastern Europe and the Cold War – seemed to reinforce the need for examination and new narratives. The century thus appeared as an ‘age of extremes’ (Eric Hobsbawm) – and twentieth-century Europe as a ‘dark continent’ (Mark Mazower) –, a world of ‘dreamworld and catastrophe’ (Susan Buck-Morss), in-between utopian promise and fall into the abyss, or, to quote the titles of some more recent histories, a journey ‘to hell and back’ (Ian Kershaw), swaying between ‘barbarism and civilization’ (Bernard Wasserstein), in need of a ‘history in fragments’ (Richard Vinen).

As these titles suggest, the century’s dramatic dimension was inseparable, for many, of the narrative forms unfolding throughout the period. It is in this sense that one can speak of ‘modernist events’ (Hayden White), that is, events whose scope requires the creativity of modernism, or of modernist forms themselves as the expression of a century traversed by ‘antagonism’ (Alain Badiou). The image of the century could even coincide with the gaze of a modern art form, cinema (Francesco Casetti wrote about the ‘eye of the century’), or even with one of its most striking artistic techniques, as when Georges Didi-Huberman speaks about montage as the ‘eye of history’ in the twentieth-century.

The twenty-first century itself is often thought and represented in relation to the many versions in which the previous century is seen as ‘the last catastrophe’ (Henry Rousso), a temporal marker of contemporary history. Over the two last decades, historiography, philosophy, political science, the arts, among many other fields, have insistently reflected on the present from the multiple narratives produced throughout the twentieth century or using the twentieth century as its referent. More than a specific historical period, last century is thus constituted as a concept, or imaginary, one that defines forms of political thought and social and artistic representations. Its proximity, on the other hand, the tragic aspects of some of its most recognizable events, along with the proliferation of audiovisual forms traversing it, turn the twentieth century into an object particularly prone to the production of memory and to the deployment of new sources, archives and historical mediations.

The symposium Thinking the Twentieth-Century. Perspectives from the twenty-first century aims to intervene in current debates on the history, memory and heritage of the twentieth century, contributing to diversify and complexify its narratives and representations. It, therefore, invites contributions from multiple fields of research on the twentieth century – and on the relation between the twentieth and twenty-first centuries –, including (but not restricted to) history and memory, art history, cultural studies, literature, philosophy, media studies, pedagogy, digital humanities, economy, social sciences, climate and the environment, sciences and technology, urban studies and mobilities.

Date 1st, 2nd and 3rd of February 2023

Venue University of Coimbra

Organization Centre for Interdisciplinary Studies – CEIS20

Submission Criteria Proposals should be sent in the form of an abstract, between 300 and 500 words, in Portuguese, English, French or Spanish to pensarseculoxx@uc.pt

Deadline for proposals 18th of November 2022