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Fainas Épicas do Mar Português

O novo livro de Álvaro Garrido editado pelos CTT
1 julho
© CTT

Álvaro Garrido, investigador do CEIS20 e diretor da FEUC, apresentou o seu mais recente livro ontem, em Lisboa.
A este livro, editado pelos CTT Correios de Portugal, junta-se uma emissão filatélica com o mesmo nome.


Num tempo em que a “nova economia do mar” parece esquecer a dimensão humana e social da vida marítima que marca a paisagem costeira, esta edição invoca três grandes fainas do mar português: a pesca do bacalhau na Terra Nova e na Gronelândia, a caça à baleia nas ilhas dos Açores e a pesca do atum com armações na costa do Algarve. Num registo de História cultural, o livro inclui um ensaio preliminar sobre as representações da relação de Portugal com o mar e um estado da arte sobre o estudo histórico das pescas e as suas imagens na memória social. Seguem-se três capítulos monográficos sobre as três pescarias eleitas, uma secção de conclusões e bibliografia.

Atividade económica ligada à exploração de recursos vivos do mar, as pescas são um domínio da cultura marítima cujo património é frágil. Precisamente por isso, e por desconhecimento, as pescas e as fainas do mar, em geral, são objeto de mitificações persistentes.

As fainas do mar cujo imaginário tomou um sentido épico estão cheias de imagens superlativas, de um certo primitivismo ou de uma beleza cruel. É o caso das grandes pescarias transatlânticas e de outras fainas civis que implicavam longas jornadas de navegação e verdadeiras comunidades de risco. Os traços de odisseia das três grandes fainas analisadas neste livro criaram uma dimensão lendária e despertaram uma curiosidade internacional, que cresceu à medida que essas atividades definharam e que o tempo as condenou ao desaparecimento.

A pesca do bacalhau pela mítica “frota branca”, que marcou gerações e gerações de pescadores em todo o litoral português, a caça à baleia ao largo das ilhas dos Açores e a pesca do atum nas antigas armações lançadas na costa do Algarve são exemplos eloquentes dessa tremenda herança cultural.

Atividades de pesca civis, todas implicavam grande engenho humano, disciplina e desassombro num quadro institucional que conduzia à apropriação irrestrita dos recursos.

Não por acaso, todas terminaram nos anos setenta do século XX, num contexto de grande mudança no Direito do Mar, quando emergiram novas perceções científicas sobre o uso dos recursos marinhos e, não por acaso, quando a ditadura de Salazar e Caetano soçobrou.

Todas essas fainas têm uma expressão contundente na memória coletiva que permaneceu da relação de Portugal com o mar, mas todas pedem novas interpretações de significado, numa lógica educativa e numa perspetiva crítica que possa ir além do mito.

Dirigido a um vasto universo de leitores e redigido em língua Portuguesa e Inglesa, este livro inscreve no espaço público memórias do trabalho humano associado às grandes fainas do mar na sua ligação com os seus territórios litorâneos: Açores (pesca/caça da baleia); portos da costa ocidental portuguesa (pesca do bacalhau); praias do Sotavento algarvio (atum).

Numa edição belamente ilustrada, o livro retrata cada uma das fainas do mar nos seus aspetos mais singulares: origens históricas, organização económica e social, relações de trabalho, imagens culturais e imaginário simbólico. Trata-se de um livro que concilia a ciência com a cultura e que acrescenta uma dimensão sociocultural ao atual debate sobre os recursos do mar e papel ambiental dos Oceanos.


Álvaro Garrido é Professor Catedrático da FEUC e o seu atual Diretor. Investigador do CEIS20, tem uma vasta obra publicada sobre temas de história da economia e das instituições e história marítima contemporânea. Recentemente publicou os seguintes livros: As Pescas em Portugal (Lisboa, FFMS, 2018); A Economia Social em Movimento. Uma História das Organizações (Lisboa, Tinta da China, 2018); Queremos uma Economia Nova! Estado Novo e Corporativismo (Porto Alegre, EDIPUCRS, 2018); Too Valuable to be Lost: Overfishing in the North Atlantic since 1880 (De Gruyter, Berlim, 2020); Il Portogallo di Salazar. Politica, Società, Economia (Bologna University Press, 2020, em co-autoria com Fernando Rosas).




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