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Mesa-Redonda #2


Sexta-feira, 19 de novembro de 2021

9h30

#2 Conhecimento da dúvida e dúvida como conhecimento

A credibilidade da informação e das fontes de informação tem sido reforçada como essencial para a gestão de uma sociedade democrática. Que capacidades terão de ser convocadas para que os cidadãos assegurem uma avaliação crítica da informação e do conhecimento?

Moderação


 Maria Manuel Borges [FLUC, CEIS20]


Oradores


 Armanda Matos [FPCEUC, CEIS20] 

Media, informação e construção de sentido: a importância da educação mediática

Vivemos enredados numa teia de fios invisíveis, que coconstruímos tecendo mais um segmento, suspendendo outros ou espessando o seu fluxo. Identificar a origem de cada fio, perceber em que nó foi interrompido ou, por outro lado, foi reforçado e disseminado, multiplicando-se assim fios e nós, e compreender as intenções e as evidências mobilizadas nessa coconstrução labiríntica configuram um exercício complexo, mas necessário.

Nesta sociedade hiperconectada, em que os media digitais e sociais medeiam a comunicação humana, a partilha de informação, de opiniões e de crenças, entrelaçadas com emoções, importa pensar sobre como promover hábitos e competências de análise e de questionamento crítico, que deem sentido à ação, individual e coletiva. Interessa, também, observar a importância do conhecimento neste processo. Essencial é, ainda, refletir sobre o contributo que a educação mediática pode oferecer.

Buckingham, D. (2019) Teaching media in a ‘post-truth’ age: Fake news, media bias and the challenge for media/digital literacy education. [La enseñanza mediática en la era de la posverdad: Fake news, sesgo mediático y el reto para la educación en materia de alfabetización mediática y digital]. Cultura y Educación, 31(2), 213-231. https://doi.org/10.1080/11356405.2019.1603814

Potter, W. J. (2019). Media Literacy (9th ed.). SAGE


João Figueira [FLUC, CEIS20] 

Ceticismo, media e conhecimento

A esfera pública deixou de ser o lugar central do debate para se transformar no cenário onde tudo se expõe e encena — qual media life ansiosa e próxima de uma “infoxicação” (Romero-Rodriguez, 2018) com ambições de mercado. Numa era marcada pelo excesso de informação, o que problematiza a ideia de verdade informativa (Kovack & Rosenstiel, 2010), a sacralização do instantâneo e da ideia de que todos temos acesso a ver tudo porque tudo é exibido, conduz à negação do conceito de transparência, no sentido em que a “hiperinformação e a hipercomunicação não injectam luz na obscuridade” (Chul Han, 2014). Como compreender, por exemplo, que num tempo sem precedentes quanto a um excesso de informação e ao seu acesso, a ciência seja tão atacada e a democracia posta em causa? Esta substituição do “conhecimento especializado pela sabedoria das multidões” (Kakutani, 2021) ou pela valorização do “elitismo invertido” (Shils, 1996) que ao espalhar a desconfiança incute a ideia de que o povo é melhor que os políticos que o governam, coloca forçosamente em causa o poder, a influência e o papel dos media e, em particular, do jornalismo, como fonte de conhecimento, na atual aceleração contemporânea, antecipada no início do século por Pierre Lévy.

Por último, mas não menos relevante, importa indagar acerca do lugar da cidadania e da sua corresponsabilidade num processo que exige dos cidadãos um conhecimento e um ceticismo — e sobretudo uma literacia mediática —consentâneos com a sofisticação e a complexidade das sociedades que habitamos.

Chul Han, B.- (2012). A sociedade da transparência. Lisboa: Relógio D´Água.

Kovach, B.; Rosenstiel, T. (2010). Blur. How to know what´s true in the age of information overload. NY: Bloomsbury.

Romero-Rodriguez, L.M.; Casas-Moreno, P. de; Caldeiro-Pedreira, M. C. (2018). Desinformación e intoxicación em las cuatro pantallas. In Ignacio Aguaded e Luis Miguel Romero-Rodriguez (coords.), Competencias mediáticas em médios digitales emergentes, pp. 73-92. Salamanca: Comunicación Social.