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Imprensa da Universidade

Aires Barbosa na cosmopólis renascentista

airesbarbosa

Coordenadores: Italo Pantani; Margarida Miranda; Henrique Manso
Língua: Português
ISBN: 978-989-721-043-3
ISBN Digital: 978-989-721-044-0
DOI: http://dx.doi.org/10.14195/978-989-721-044-0
Editora: Imprensa da Universidade de Coimbra
Edição:
Data: Março 2014
Preço: 22,00 €
Dimensões: 260 mm x 130 mm
N.º Páginas: 162

Sinopse:

A centena e meia de páginas que compõe este volume corresponde à intenção do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos e da Associação Portuguesa de Estudos Neolatinos da Universidade de Coimbra, juntamente com La Sapienza – Universidade de Roma, de celebrar condignamente o quinto centenário do início da produção humanista de Aires Barbosa. Uma homenagem justa, porventura tardia, passados 500 anos sobre a sua primeira publicação, o De Verbis Obliquis (Salamanca, 1511).
Sai agora a lume o presente livro, exatamente meio milénio depois de o célebre humanista aveirense ter iniciado, em 1513, na universidade salmantina, um curso sobre a epopeia de Arátor, Historia apostolica, que materializaria num extenso e minucioso comentário ao poema, publicado três anos mais tarde – trata-se da sua obra-prima e a que mais estudos tem suscitado por parte dos poucos (hélas) investigadores barbosianos.
Este merecido tributo é prestado na cidade de Coimbra, onde também Barbosa publicou, em 1536, a Antimoria, medindo-se com o humanista de Roterdão ao rebater o famoso Encomium Moriae. Era de facto preciso ser-se grande para desafiar os maiores. E Aires Barbosa era-o... Um grande poeta, um grande conhecedor dos antigos e dos modernos, um grande pedagogo que, pela excelência e pioneirismo do seu ensino, obrigaria doravante a academia a apelidá-lo Mestre Grego, pois foi ele o primeiro a ensinar a língua de Homero nas universidades ibéricas.
A abrir este conjunto de estudos, Nair Castro Soares traça-nos o cenário da primeira etapa da aventura humanista portuguesa, desde a corte de Avis até ao final do primeiro quartel do séc. XVI, período a que a autora chama com propriedade “Primeiro Humanismo ibérico” e onde o nome do Comentador da Historia apostolica tem o devido destaque. E tal como Aires Barbosa fez soprar os ventos humanistas em Salamanca inspirado pelo seu mestre florentino Ângelo Policiano, não poderia esta publicação dispensar um olhar italiano sobre a obra do renascentista português. Italo Pantani dá-nos a conhecer esse panorama de influências adquiridas em Itália que se repercutiram mais tarde na atividade de Aires Barbosa como docente e, sobretudo, como poeta.
Sebastião Pinho apresenta dois textos, o primeiro acerca da atividade pedagógica e poética de Aires Barbosa, brindando-nos com traduções de alguns epigramas; o segundo sobre a viagem marítima como metáfora da criação literária, um topos muito frequente na obra em prosa e em verso do humanista aveirense. A intensa dedicação que Sebastião Pinho tem votado a Aires Barbosa, seu conterrâneo, tem produzido frutos substanciais, materializados em artigos, livros, dissertações e teses acerca da obra do humanista. É sobre uma dessas publicações, o Comentário à Historia apostolica, que Henrique Manso, díscípulo e orientando de Sebastião Pinho durante mais de uma década, reflete no seu artigo, dando a conhecer, principalmente, aspetos editoriais e tipográficos da obra, publicada na cidade de Salamanca em 1516. Ana María Tarrío também aborda o Comentário barbosiano, analisando detalhadamente uma citação de Lucrécio, no contexto da receção do filósofo latino durante o período renascentista, particularmente em Itália, onde Barbosa fez a sua formação humanista.
Se entre os grandes humanistas lusos Aires Barbosa ocupa um lugar pioneiro, pois quase toda a sua obra é publicada no início de Quinhentos, Luís da Cruz é um nome incontornável nos começos do século seguinte. Da sua obra e dos seus méritos literários nos fala detalhadamente Manuel Barbosa, que reflete ainda sobre o papel crucial da Companhia de Jesus no humanismo seiscentista em Portugal.
Impõe-se finalmente a questão: com esta homenagem colocaremos devidamente Aires Barbosa na cosmópolis renascentista? É um primeiro passo, sobretudo quando  se aproximam efemérides importantes da vida e obra do Aveirense que urge celebrar. Contamos, por isso, com o contributo dos que se dedicam às humaniores litterae para prestarmos a Aires Barbosa o devido reconhecimento, ou, para usar as palavras de Camões, “o bem que outrem merece e o Céu deseja” (Lus., I, 39).

Apresentação de José Henrique Manso

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