A flora portuguesa conta com 12 espécies e subespécies de cravos silvestres, incluindo três que não existem em mais nenhum país do mundo. Das serras transmontanas aos vulcões extintos da Península de Lisboa, esta mostra é uma síntese do território de Portugal continental em que celebramos o sucesso evolutivo dos nossos cravos e cravinas.
Em exposição
Dianthus broteri Boiss. & Reut.
PT-0-COI-2024/00016
Nome comum: cravina-de-brotero
Descrição breve: Distingue-se pela combinação de um hábito subarbustivo com as pétalas fundamente laciniadas e as brácteas do epicálice aplicadas ao cálice
Distribuição: endemismo ibérico, com distribuição litoral entre as Terras de Sicó e a Catalunha
Curiosidades: É o cravo com maior diversidade de estrutura genómica, mas a delimitação da espécie carece ainda de estudos avançados. O exemplar do JBUC (PT-0-COI-2024/00016) é proveniente de Casais da Serra (Loures)
Dianthus cintranus Boiss. & Reut. subsp. cintranus
PT-0-COI-2024/00017
Nome comum: cravina-de-sintra
Descrição breve: Distingue-se pelas pétalas glabras, não laciniadas, e pelas brácteas do epicálice atenuadas no ápice e relativamente largas (2–3 mm) na base.
Distribuição: endemismo lusitano, restrito à Península de Lisboa, onde ocorre em solos ácidos derivados de rochas magmáticas.
Curiosidades: Espécie colhida pela primeira vez por Friedrich Welwitsch. As plantas da coleção do JBUC (PT-0-COI-2024/00017) são oriundas do Monte Atalaia (Mafra), no limite norte da sua distribuição. Está avaliado como Em Perigo na Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental.
Dianthus cintranus subsp. barbatus R.Fern. & Franco
PT-0-COI-2024/00018
Nome comum: cravina-de montejunto
Descrição breve: Distingue-se pelas pétalas barbadas, não laciniadas, e pelas brácteas do epicálice subitamente constritas no ápice e relativamente estreitas (0,5–1 mm) na base
Distribuição: endemismo lusitano, restrito aos calcários da Bacia Lusitaniana entre a serra de Montejunto e o Horst de Cantanhede
Curiosidades: Subespécie codescrita por Rosette Batarda Fernandes e João do Amaral Franco em 1971. Apresenta um hábito mais prostrado que a subespécie típica de caules mais ascendentes e folhas mais largas. A localidade típica situa-se na serra de Montejunto, de onde são provenientes as plantas da coleção do JBUC (PT-0-COI-2024/00018)
Dianthus hyssopifolius L. subsp. hyssopifolius
PT-0-COI-2023/00052
Nome comum: cravina-alta
Distribuição: montanhas do sul da Europa, do terço norte da Península Ibérica aos Alpes Dináricos
Descrição breve: Distingue-se pela combinação de um hábito herbáceo vivaz com as pétalas fundamente laciniadas e as brácteas do epicálice divergentes do cálice
Curiosidades: Espécie Quase Ameaçada em Portugal, segundo a Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, restrita às serras da Peneda, Montesinho e Nogueira, vale do Paiva, maciço da Gralheira e foz do Douro. Os espécimes do JBUC (PT-0-COI-2023/00052), provenientes de Bustelo (Arouca), foram gentilmente oferecidos pela Escola Secundária de Arouca
Dianthus langeanus Willk.
PT-0-COI-2024/00020
Nome comum: cravina-montesa
Distribuição: endemismo ibérico, restrito às montanhas do Noroeste peninsular
Descrição breve: Distingue-se pela combinação do hábito cespitoso com os dentes obtusos do cálice
Curiosidades: O epíteto específico comemora o botânico dinamarquês Johan Lange, que publicou com Moritz Willkomm o Prodromus florae hispanicae. Em Portugal ocorre nas serras do Centro e Norte, maioritariamente acima dos 1000 m de altitude. Os exemplares cultivados no JBUC (PT-0-COI-2024/00020) são oriundos da serra da Nogueira (Bragança)
Dianthus laricifolius Boiss. & Reut. subsp. laricifolius
PT-0-COI-2023/00033
Nome comum: cravina-do-douro
Distribuição: endemismo ibérico, distribuída pelo Centro-Norte da Península, do Baixo Douro à Rioja
Descrição breve: Distingue-se pela combinação do hábito cespitoso com o cálice longo (˃ 1,5 cm) de dentes agudos
Curiosidades: Os exemplares cultivados no JBUC (PT-0-COI-2023/00033) são provenientes da serra da Boneca (Penafiel)
Dianthus laricifolius subsp. marizii (Samp.) Franco
PT-0-COI-2024/00019
Nome comum: cravina-de-bragança
Distribuição: endemismo lusitano, quase exclusivamente restrito aos solos ultrabásicos dos Maciços de Morais e Bragança-Vinhais
Descrição breve: Distingue-se pela combinação do hábito cespitoso com o cálice relativamente curto (˂1,5 cm), violáceo, com dentes agudos
Curiosidades: Subespécie serpentinícola dedicada a Joaquim de Mariz, botânico e médico coimbrão. Os exemplares cultivados no JBUC (PT-0-COI-2024/00019) são provenientes do baldio de Samil (Bragança)
Dianthus lusitanus Brot.
PT-0-COI-2023/00002
Nome comum: cravina-portuguesa
Distribuição: endemismo iberomagrebino, amplamente distribuído pelos afloramentos de rochas ácidas regionais
Descrição breve: Distingue-se pelas folhas glaucas, de aparência carnuda e cilíndrica, e pela cepa bem lenhosa
Curiosidades: Espécie broteriana muito frequente em Portugal, em afloramentos de xisto, quartzito e granito. Os exemplares cultivados no JBUC (PT-0-COI-2023/00002) são provenientes da Penha do Vieiro (Oliveira do Hospital)
Algures no Jardim Botânico...
Dianthus nudiflorus Griff.
PT-0-COI-2024/00021
Nome comum: cravina-palhinha
Distribuição: Região Mediterrânica, Cáucaso e Região Irano-Turaniana
Diagnose: Distingue-se por ser uma planta anual com um cálice estreitamente cilíndrico
Curiosidades: Anteriormente incluída no género Velezia (sob o nome Velezia rigida), faz parte de uma linhagem que cedo divergiu dos restantes cravos e cravinas. As plantas cultivadas no JBUC (PT-0-COI-2024/00021) são oriundas do baldio de Samil. Procure-a no Portugal Botânico
Outras cravinas de Portugal
Dianthus armeria L.
Nome comum: cravina-dos-prados
Distribuição: Europa, Cáucaso, Norte do Irão
Descrição breve: Distingue-se por ser uma planta anual coberta de longos pelos, pelo menos, ao nível da inflorescência
Curiosidades: Representa uma linhagem que divergiu cedo das restantes cravinas. Em Portugal ocorre apenas no Nordeste Transmontano
Dianthus crassipes R.Roem.
Nome comum: cravina-mariânica
Descrição breve: Distingue-se pelas inflorescências que tendem a formar um glomérulo de flores com pétalas não laciniadas e com as brácteas do epicálice longamente acuminadas
Distribuição: endemismo ibérico, restrito à cordilheira mariânica, desde a serra algarvia a Segura-Cazorla
Curiosidades: Apresenta uma história nomenclatural confusa. O nome mais antigo aplicável a esta espécie é Dianthus ferrugineus, descrito a partir de plantas cultivadas no Chelsea Physic Garden. Porém, como este nome não foi historicamente aplicado às plantas silvestres da Península Ibérica, propôs-se, em abono da estabilidade, a conservação do uso do nome D. crassipes. Esta proposta não foi, todavia, bem acolhida pelo Comité de Nomenclatura que recomenda o uso do nome D. ferrugineus. É fácil de observar em Mértola
Dianthus laricifolius subsp. caespitosifolius (Planellas) M.Laínz
Nome comum: cravina-do-minho
Descrição breve: Distingue-se pela combinação do hábito cespitoso com as folhas relativamente grandes (até 15 cm × 2 mm) e os dentes acutíssimos do cálice
Distribuição: endemismo ibérico, restrito ao Baixo Minho e Sil
Curiosidades: Avaliada como Vulnerável na Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental, é observável nas pesqueiras do Minho. Foi descrita na primeira Flora da Galiza da autoria de José Planellas Giralt, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela