Este site utiliza cookies para lhe proporcionar uma melhor experiência de utilização. Ao navegar aceita a política de cookies.
OK, ACEITO

Publicação de "Gigantes em Cena"

"Gigantes em Cena", com tradução e posfácio de Rosa Branca Figueiredo
Gigantes em Cena
Gigantes em Cena
© Cláudia Morais

Gigantes em Cena (A Play of Giants) é o primeiro livro que a Coleção Dramaturgia edita do autor africano Wole Soyina. Este volume teve tradução e posfácio de Rosa Branca Figueiredo.

Gigantes em Cena mostra um quadro estático no qual os “gigantes” do título, Kamini, Gunema, Kasko e Tuboum – representações levemente disfarçadas de Idi Amin Macias Nguema, Jean-Bedel Bokassa e Mobutu Sese Seko, respetivamente – se apresentam como constituintes dos produtos pós-coloniais das superpotências do ocidente. Kamini, por exemplo, é colocado no poder pelos britânicos, financiado pelos americanos, militarmente armado pelos soviéticos e, no final, abandonado por todos, quando os serviços de um ditador insano já não lhes é conveniente. Gigantes em Cena constitui, deste modo, uma fantasia surreal de justiça poética internacional em que os sistemas de apoio económico e político dos governos ocidentais respondem, a seu tempo e bel-prazer, de forma catastrófica, aos monstros que eles próprios criaram e sobre os quais, consequentemente, perderam o controlo.

Nesta peça, Soyinka consegue reunir num só local todos os infames ditadores de África. O Secretário-Geral das Nações Unidas e dois delegados, da Rússia e dos Estados Unidos da América, constituem as outras personalidades que dão o caráter internacional a Gigantes em Cena. O pretexto para tal encontro é uma reunião das Nações Unidas. À medida que a peça se desenrola, assistimos ao papel que as superpotências desempenham na sustentação dos ditadores no poder e, simultaneamente, à verdadeira natureza destes ditadores africanos – as suas confusões, perversões sexuais, os conceitos errados que têm do poder e respetivas complexidades.

Wole Soyinka (n.1934), dramaturgo nigeriano, poeta laureado, ensaísta, pensador, crítico, ativista político, é um dos maiores escritores africanos de expressão inglesa. A sua obra interceta, de forma exemplar, mas também controversa, histórias do mundo contemporâneo. Preso político durante quase todo o período da guerra civil nigeriana, é dele a célebre frase “A justiça é a primeira condição da humanidade”. Recebe o prémio Nobel da Literatura em 1986 e dedica-o a Nelson Mandela. É nomeado pela UNESCO como Embaixador da Boa Vontade entre 1994 e 2009. De entre a sua obra dramática destacam-se peças como A Dance of the Forests, Death and the King’s Horseman, A Play of Giants e From Zia with Love. É reconhecido pela sua mestria na utilização de um idioma trágico, simultaneamente africano e europeu, e por ser um autor que assume a universalidade das experiências humanas. Galardoado com diversos prémios literários e doutor honoris causa por diversas universidades de todo o mundo, tem dedicado, nos últimos meses, os seus frequentes discursos, artigos e entrevistas a apontar o fracasso do presidente Goodluck Jonathan no combate ao Boko Haram.

A coleção Dramaturgia da Imprensa da Universidade de Coimbra (IUC) acolhe alguns dos textos para teatro associados às atividades desenvolvidas no âmbito do LIPA/TAGV. Com esta coleção a IUC pretende contribuir para a afirmação de novos autores e promover a escrita para teatro em Portugal. O catálogo integral pode ser consultado no sítio da Imprensa da Universidade de Coimbra. Mais informações sobre a coleção e descarga dos volumes,por favor siga o link. Os volumes editados em parceria com o TAGV/Laboratório LIPA encontram-se também para venda no Teatro Académico de Gil Vicente.