Clube de Leitura Teatral | Maio 2023

A leitura dos textos traduzidos no âmbito da rede europeia EURODRAM: Eurodram — European network for drama in translation 2023 Honours — Selection of translated texts. A comissão portuguesa selecionou três traduções: Um Fêmeo, de Rubén Sabbadini, traduzido do Castelhano por Marta Sofia Mota Moreira; Às sete da tarde, quando morrem as mães, de AveLina Pérez, traduzido do Galego por Sofia Lobo; Baby Steps, by Deborah Pearson, traduzido do Inglês por Ricardo Correia.

16 abril, 2023≈ 10 mins de leitura

Quer ter uma nova experiência? O Clube de Leitura Teatral Coimbra convidou o/as 3 premiado/as do Eurodram PT para trabalharem com a comunidade durante 2 dias.

As incrições estão abertas! Para mais informações contacte.

clube.leitura.teatral@gmail.com

As três traduções premiadas serão agora lidas publicamente na sessão de maio do Clube de Leitura Teatral, promovido pelo Teatro Académico de Gil Vicente e A Escola da Noite, bem como no âmbito do ciclo Leituras no Mosteiro/ Teatro Nacional São João.

O Clube de Leitura Teatral é um projeto conjunto do Teatro Académico de Gil Vicente e A Escola da Noite que tem como objetivo a divulgação, o conhecimento e a promoção da dramaturgia.

UM FÊMEO posiciona-se como obra ecologista na medida em que narra como um grupo “bio-terrorista” saiu a semear as ruas e os edifícios das cidades provocando uma nova ordem na distribuição dos alimentos, nos transportes e na distribuição do tempo. Soma-se uma discussão atual sobre a impossibilidade de poder determinar qual é o género que está a levar a cabo esta revolução. Será homem? Será Mulher? Fará sentido seguir com a discussão binária? No enquadramento ficcional proposto pela peça, os frutos da terra são oferecidos gratuitamente e, no entanto, os personagens esforçam-se por discutir, não importa o quê. A obra transforma-se no espelho de uma sociedade que pretende discutir o que quer que seja desatendendo às suas necessidades básicas.

Marta Moreira Licenciada em Belas Artes – Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, iniciou o seu multifacetado percurso como artista plástica (representada pela Galeria Módulo desde 2002) e no apoio à criação artística no Atelier Real, em 2013. Em 2015 criou com Gonçalo Pena, Luísa Barreto, Candela Varas e Bruno Humberto a Associação Irreal da qual é directora de produção. Foi produtora do Teatro do Bairro entre 2016 e 2019 e em 2019 reiniciou a sua colaboração com João Fiadeiro e o Atelier Real. Na produção executiva trabalhou com Jean Paul Bucchieri, Carlota Lagido, Rui Catalão, Miguel Castro Caldas, Tiago Vieira, Gaya de Medeiros, entre outros, e na direcção de produção com Rubén Sabbadini, tendo também feito a tradução de algumas das suas peças, nomeadamente “Um Disfarce Magnífico”, “80 coisos de um minuto” e “Um Fêmeo”. Fez também produção do filme “Nada Pode Ficar”, de Maria João Guardão e da curta-metragem de Pedro Paiva – baseada na peça de teatro “Um Disfarce Magnífico” – que comissionou. Em 2019 ilustrou o livro “Se o Mundo é Redondo, o Pensamento é ao Quadrado”, de Rui de Almeida Paiva.

Conheci o trabalho da Deborah nas suas passagens pela Culturgest. Mais tarde codirigi uma peça sua para o Grupo Juvenil de Teatro Virgínia de Torres Novas e tive o prazer de a conhecer pessoalmente no meio do palco da sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II , onde foi levada à cena a sua peça Os Anciãos no projeto Panos.

Ter alguém do Reino Unido, apesar do Brexit, é um gesto de cumplicidade artística com os camaradas da ilha. Os nossos contactos foram esporádicos. O primeiro zoom durou menos de 10 minutos. A Deborah tinha sido mãe e, tal como eu, andava perdido entre biberões, fraldas, e noites mal dormidas. O Félix e a minha Maria Concha foram apresentados via digital. Um dia, às 04 da manhã recebi o seu texto, escrito durante a madrugada, enquanto o seu filho dormia ao seu lado. Chamou-lhe um rascunho, mas continha em si o olhar da sua janela durante o confinamento, a questão dos meios de produção por quem faz teatro, a nossa precariedade e a ideia de começar, recomeçar sempre. — Ricardo Correia. (Este texto integra o projeto Peças Breves sobre a Ascensão e Queda de uma Egoísta chamada Europa)

Ricardo Correia Diretor Artístico da Casa da Esquina, estrutura de criação e programação de Coimbra, onde desenvolve trabalho de criação transdisciplinar em regime colaborativo, investindo numa dramaturgia original, de mediação entre o real e a ficção, do arquivo como prática, implicando o documental, o autobiográfico, a pós-memória e o questionamento do território.
Desde 2001 que trabalha em teatro, cinema e televisão como ator, dramaturgo e encenador. Representado pela Agente a Norte. Encenou mais de uma vintena de espetáculos, e é autor de cerca de uma dezena de textos para teatro. Uma compilação de peças de 2014-2017, com o título O meu país é o que o mar não quer e outros peças está editada pela Imprensa da Universidade de Coimbra, na coleção Dramaturgo| 2019. A sua peça Call Center, foi editada pelo Teatro Nacional D. Maria II & Bicho do Mato, no volume Laboratório de Escrita para Teatro – Textos 2017/2018 (coord. Rui Pina Coelho). A peça Exílio[s] 61-74 está editada em França com edição bilingue pela editora Les Presses universitaires du Midi da Universidade de Toulouse – Jean-Jaurès (UT2J) da antologia Frontières da Colecção Nouvelles Scènes, 2020. Pelos Livrinhos dos Artistas Unidos está editado o livro Eu uso Termotebe e o Meu Pai Também e outras peças, 2021. Coordenou com Sónia Ferreira para o projeto #ECOS o livro Laboratório de Escrita para Teatro – Dramaturgias Políticas Contemporâneas, edição ECOS e Casa da Esquina. E coordenou o livro Peças Breves sobre a ascensão e queda de uma egoísta chamada Europa editado pela Húmus, 2022.

As seis personagens de Às sete da tarde… não têm nome. Há uma atriz e cinco elementos do público, três homens e duas mulheres, que vão ao teatro para preencherem o seu vazio. A peça foca-se na receção (do teatro, da arte?) através da exploração de elementos metateatrais. As personagens (numeradas de 1 a 5) expõem a sua identidade/intimidade no meio de lugares comuns, exigindo à atriz que os satisfaça, pois foi para isso que pagaram bilhete. É da pertinência da arte e/ou da sua utilidade que se fala, com diálogos de um humor irónico e corrosivo.

Sofia Lobo começou a fazer teatro cedo, no Teatro Experimental de Mortágua (TEM), tendo continuado no Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC). Co-fundadora d’A Escola da Noite, entre 1992 e 2021 integrou os elencos de 45 espetáculos, encenados por António Augusto Barros, Nuno Carinhas, Konrad Zschiedrich, Pierre Voltz, Rogério de Carvalho, Sílvia Brito, António Jorge. Trabalhou autores clássicos e contemporâneos, de Ésquilo e Eurípides a Gil Vicente, de Lorca e Sinisterra a Pinter. Encenou Play, com peças curtas de Samuel Beckett, que traduziu; Noite de amores efémeros, com peças curtas de Paloma Pedrero, que traduziu; Nunca estive em Bagdad, de Abel Neves; Desmesura, de Hélia Correia (com Igor Lebreaud e Jarbas Bittencourt); A mulher como campo de batalha, de Matéi Visniec, que traduziu com Ana Teresa Santos. Traduziu ainda A Canoa, de Cándido Pazó, com o autor, para o espetáculo por este dirigido, e O Cartógrafo, de Juan Mayorga (Livrinhos de Teatro Artistas Unidos/Cotovia). Ainda n’A Escola da Noite, foi formadora em várias ações: Uma Aula Vicentina, oficina sobre Gil Vicente para professores; Tchékhov em Um Acto, para grupos de teatro amador; Oficina de Artes para alunos de Estudos Artísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Sócia da Cena Lusófona, trabalhou com atores brasileiros e africanos, participou em espetáculos em Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e Brasil, fez produção executiva em São Tomé e Príncipe e foi formadora no III Estágio Internacional de Atores. Traduziu, para a edição bilingue Antologia de Teatro Galego Contemporâneo recentemente editada por esta associação, Às sete da tarde, quando morrem as mães, de AveLina Pérez, As Certezas de Ofélia, de Luísa Villalta, Pó e Batom, de Esther Carrodeguas, Nome: Bonita, de Vanesa Sotelo, e Judite, de Marcos Abalde. Entre 2016 e 2019 esteve sete vezes na Grécia como voluntária em campos de refugiados, experiência que desde então partilha com alunos de vários graus de ensino. Trabalha atualmente na Escola Secundária de Avelar Brotero, em Coimbra, como artista residente, valorizando a multiculturalidade enquanto fator de inclusão.

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