Mérito

Candidato a medicamento para o tratamento do cancro mais letal do sistema urológico vence Prémio Inovação

O projeto vencedor tem como base uma plataforma de síntese de novas moléculas com atividade anticancerígena, destacando-se a molécula (SM001), segura e eficaz, com um modo de ação inovador, diferente dos outros medicamentos atualmente em uso no cancro.

22 junho, 2022≈ 3 mins de leitura

O projeto, liderado por Marta Costa, da Escola de Medicina da Universidade do Minho, é o vencedor do Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2021, e consiste numa nova solução para os doentes oncológicos, sendo um tratamento menos agressivo e com o potencial de aumentar a taxa de sobrevivência destes doentes.

O tratamento baseia-se na molécula SM001, que tem um modo de ação inovador, diferente de todos os outros medicamentos atualmente em uso no cancro, e demonstrou uma atividade notável em cancros agressivos e com mau prognóstico, como o carcinoma de células renais (CCR).

A SM001, já testada em modelos animais, inibe a proliferação e a capacidade de invasão das células malignas, incluindo as resistentes à terapêutica, e induz a sua morte.

Esta molécula reduz significativamente o tamanho dos tumores e os vasos sanguíneos que o suportam, apresentando um excelente perfil de segurança.

O CCR é o cancro mais letal do sistema urológico e é frequentemente diagnosticado em fases avançadas da doença. A mortalidade aos 5 anos [após o diagnóstico] é alta: 47% e 92% para os estádios III e IV, respetivamente. Os doentes com carcinoma de células renais apresentam baixas taxas de resposta à terapêutica, alta frequência de recidiva e resistência às terapias, o que reforça a necessidade de novas soluções terapêuticas. O CCR é ainda considerado uma doença rara, pelo que a SM001 pode ainda beneficiar das vantagens associadas à designação de “medicamento órfão”, tornando o processo de desenvolvimento do medicamento mais rápido.

O grupo de investigação da Universidade do Minho, que inclui as investigadoras Fátima Baltazar (Escola de Medicina) e Maria Fernanda Proença (Escola de Ciências), acredita ter descoberto uma molécula segura e eficaz, com um modo de ação inovador, que tem o potencial de aumentar a sobrevivência e melhorar a qualidade de vida dos doentes oncológicos.

O projeto vencedor vai receber um prémio monetário de 20 mil euros, que no futuro poderá ainda traduzir-se num investimento suplementar de 30 mil euros. O júri do Prémio, constituído por alguns dos melhores investigadores do país, destaca a sua originalidade, inovação e potencial criação de valor para a sociedade, razão pela qual lhe atribuiu o primeiro lugar entre os 13 projetos concorrentes.

A cerimónia de entrega do Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2021 realizou-se esta quarta-feira, dia 22 de junho, na Sala do Senado da Reitoria da Universidade de Coimbra (UC). Presidida pelo Reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, a cerimónia contou com a presença de Paulo Barradas Rebelo, Presidente da Bluepharma, empresa promotora do Prémio, e de Fernando Seabra Santos, Presidente do Júri, entre outras individualidades.

Com periodicidade bienal, o Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra visa distinguir projetos científicos de excelência ao nível internacional na área das Ciências da Saúde, que apresentem elevado potencial de transformação em produtos ou serviços, com real interesse para a sociedade.

O júri do Prémio Inovação Bluepharma | Universidade de Coimbra 2021 foi formado por elementos de reconhecido prestígio nacional: Luís Pereira de Almeida (Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra), Luís Almeida (BlueClinical), Miguel Botto (Portugal Ventures), Sérgio Simões (Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra e Bluepharma) e Fernando Seabra Santos (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra), enquanto Presidente do Júri.