Nas margens da antiga laguna e paleoestuário da Boca do Rio a investigação arqueológica detectou uma intensa ocupação pesqueira e salineira ao longo de mais de dois mil anos, com localizações que alternaram entre a praia e as terras interiores, e onde é possível observar a evolução dos instrumentos e das artes de pesca. Em paralelo, as suas características naturais permitem excelentes condições para a observação da geodinâmica costeira e respectivos efeitos sobre as comunidades litorais ali instaladas. Acresce ainda que, na região envolvente, os geo-indicadores de antigos cataclismos costeiros e suas consequências estão muito bem conservados. A investigação geo-sedimentológica tem, aliás, demonstrado a frequente invasão do paleoestuário por eventos marinhos de alta energia, como o tsunami de 1755, cujo impacto e força destruidora é possível medir.
Posto isto, o projecto FISGA pretende, mediante um trabalho transdisciplinar na região de Sagres, esclarecer a milenar convivência das populações pesqueiras do extremo sudoeste peninsular com as dinâmicas geo-costeiras e com as comunidades de mareantes em trânsito.
Projecto financiado pelas Universidades do Algarve e Marburg, Município de Vila do Bispo e Associação Arqueológica do Algarve.
Investigadores responsáveis:
João Pedro Pereira da Costa Bernardes
Félix Teichner | Phillips University of Marburg