As Humanidades enfrentam hoje um conjunto de desafios que as obrigam a repensar-se para o futuro. Recorrentemente, ouvimos falar da crise das Humanidades, com cortes no financiamento de departamentos, centros de investigação ou programas, e se questiona a sua utilidade. Face a esse cenário, a defesa das Humanidades faz-se, muitas vezes, notando o valor intrínseco da formação humanista (Ordine) e apontando as suas virtudes para a formação do pensamento crítico e da cidadania democrática (Nussbaum). Simultaneamente, esta é uma área em profunda transformação, tendo em conta o desenvolvimento das “novas Humanidades” (Braidotti et al.), incluindo desenvolvimentos multi- e interdisciplinares (Humanidades Digitais, Ambientais ou Médicas). A isto acrescenta-se o esforço autorreflexivo para (re-)definir as Humanidades e pensar o seu papel face às grandes questões sociais dos nossos tempos.
Associando-se às comemorações do 75º aniversário do CIPSH e do Dia Mundial da Filosofia, e tendo em conta a necessidade de continuar a pensar o futuro das Humanidades, a Conferência “A Racionalidade Hermenêutica e o Futuro das Humanidades”, que terá lugar de 26 a 28 de Novembro de 2024 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tem um duplo objetivo. Por um lado, inquirir de que forma o paradigma hermenêutico das Humanidades (Schleiermacher, Dilthey, Gadamer, Ricœur, Taylor), o qual sublinha o núcleo interpretativo destas disciplinas e a sua contribuição para a formação moral do humano, ainda é frutífero para pensar estes novos desafios. Por outro lado, intervir, de forma reflexiva e crítica, no debate sobre o valor, necessidade e configurações possíveis das Humanidades do futuro.
Organização:
CECH, Universidade de Coimbra em parceria com o Conseil International de la Philosophie et des Sciences Humaines (CIPSH), a Sociedade Portuguesa de Filosofia (SPF) e o Philosophy Program of the Department of International Studies, American University of Sharjah
Com o apoio de:
Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Fourwaves