BRUNO MOLINERO

a leitora

181. Não perca o seu equilíbrio interno. Por maior que seja a tempestade que o envolve, não perca o seu equilíbrio. Todas as.

não lembro. não sei como continua. molhou tudo. encharcou o miolo. acho que seguia com alguma coisa sobre jesus. jesus deitado no fundo da barca. não sei. vazio. oco. mofo. acho que jesus nunca andou de barco. caminhou sobre as águas, isso sim, um milagre. sem afundar nem molhar as unhas dos pés, a barra da túnica, os pelos das pernas. não lembro. não lembro. página um oito um. ilegível. zero. borrão. pode jogar fora. papel bíblia decomposto, dissolvido na maré, na ressaca, aqui, onde eu flutuo. desbeiçado. retalhado. agarrado a pneu, pedaço de pau, rato mijado, bueiro lotado de tralha, sofá iceberg. a água me revirando do avesso. me abrindo sem pedir licença, sem cerimônia. rasgando minhas juntas. soltando minhas peles. uma a uma. folha a folha. orelha a orelha. empapando minha goela, empanturrando minhas intimidades com bolhas marrons. página um oito um. não perca o seu equilíbrio. interno. ou será que era externo. todas as. não sei. não lembro. a última coisa que tenho na memória é aquele carro. a água escorreu sei lá de onde. começou garoa fina. foi depois que desceu o toró. a tempestade derrubou árvores, fez bocas de lobo vomitarem, arrastou cachorros, faiscou postes. lojas baixaram as portas e subiram as proteções de aço rentes aos rodapés. guarda-chuvas ganharam asas. pombas flutuaram de barriga para cima, tontas, tostadas pelos raios. carros trombaram na diagonal, fecharam cruzamentos, desrespeitaram faixas e placas. alguém pegou um jet ski, transformou geladeira em canoa. tudo alagado. inundado. molhado. pingando. rios subterrâneos tragaram ruas e avenidas. foi quando apareceu o carro. preso. sem ter como se mexer. para onde ir. bem ali, na esquina da major diogo com a nove de julho, em frente às obras do metrô. aquela água toda por todos os lados. as correntezas do dilúvio arrastaram a carroceria pelo asfalto úmido num rodopio e prenderam as rodas num redemoinho enlameado, num ralo faminto para o inferno de jonas. quando demos conta, a maré já estava no meio da lataria, amassando a ilha de quatro portas. o nível escalava com força, decidido, marchava firme, prestes a lamber as janelas fechadas. lá dentro, uma mulher gritava. mas não ouvíamos. descabelada. a baba pelos cantos da boca. ao lado dela, uma criança. rosto vermelho. ranho gotejando do nariz. a moça apontava para o garotinho como se dissesse, olha, acuda, olha, estou presa aqui com meu filho. os dois tinham os olhos assim, ó, do tamanho de um balde transbordando. os braços socavam as janelas e o para-brisa, como se pudessem impedir poseidon de desvirginar aquele carro e jorrar lá dentro o seu cuspe viscoso. como se estivesse nos bíceps o poder de evitar o afogamento. a plateia assistia imóvel à cena, do outro lado da rua, embaixo do viaduto quatorze bis. ninguém se arriscava a atravessar, dar o primeiro passo, se aproximar da ilhota que mantinha mãe e filho reféns. a tromba d'água já ia pelo peito, forte, sedenta para arrastar alguém em direção ao córrego. não perca o seu equilíbrio. um oito um. ninguém se movia. nem nós. mas estávamos lá, no gargarejo. o menino se sustentava na ponta dos pés, descalço, na corda bamba do meio-fio. eu, dentro do bolso dele, rezando para que a chuva não embolorasse as minhas páginas. transparentes. reumáticas. mas isso foi antes. antes de minhas tintas aquarelarem, palavras dissolverem, parágrafos diluírem, sintaxes e ortografias amarelarem, colas perderem o visco, encadernações ruírem, margens grudarem. antes de o colofão descascar, de a capa abalroar a lombada molenga. sobre a guia, sob a marquise do viaduto, diante do carro que se afogava, seco nas trevas do bolso do menino, eu já sabia. tinha entendido que ele era o único que poderia esgrimir contra as ondas, incorporar a loucura de ahab, mergulhar no maremoto e salvar a mãe e o garotinho encurralados pela enchente.

171. Quem é corajoso não foge da batalha da vida. Todos temos nossas lutas, mas só quem sabe suportá-las pode ser classificado de herói.

página um sete um. lembro de cor. lemos várias vezes juntos. porque não são apenas as pessoas que leem os livros. nós, do outro lado, também lemos quem nos lê. é um espelho. no instante em que as pontas dos dedos humanos levantam a extremidade de nossas margens inferiores para virar a página, a celulose se agarra com força proporcional às falangetas vestidas de digitais. assim que os olhos passam a investigar nossas linhas impressas e se grudam a elas feito ímãs enfeitiçados por uma fina barra de metal, da esquerda para a direita, de cima para baixo, abre-se uma fresta pela qual entrevemos o fundo de quem está na nossa frente. encaramos a nossa própria alma refletida. contemplamos a nossa natureza nas pupilas dilatadas. no colorido das íris. e, então, nesse instante, nesses segundos, nós e os leitores nos tornamos um. eles nos penetram. nós os prendemos. é por isso que eu sabia, tinha certeza. o menino era o único que poderia fazer alguma coisa para salvar o carro que se afogava. leio seus olhos há anos. todos os dias. é meu único espelho desde aquela noite. a mãe tinha saído para trabalhar, como sempre fazia, depois de inundar o quarto onde os dois dormiam na mesma cama com um cheiro doce. o menino já estava deitado. madrugada. sonhava no lusco-fusco. veio sem aviso o estrondo. no começo, não entendeu muito bem. abriu os olhos sem largar o sono. achou que a mãe tinha voltado mais cedo e derrubado alguma coisa na cozinha. virou de lado. mas aí começou o terremoto. o menino saltou da cama, o coração disparado, as paredes do sobrado tremendo no ritmo de um infarto. vizinhos gritavam, corre, corre, sai daí, menino. pedregulhos rolavam pelo quarto. pedaços de reboco saltavam do teto. um trator surgiu no meio da sala. homens de uniforme irromperam com capacetes de astronauta. marretas abriram crateras nos cimentos. tijolos esfacelados brincaram de bolas de gude. armário fatiado. roupas no chão, pisoteadas por botas, galochas, pneus grossos. pia em cacos cubistas. privada em lascas agudas. sobrados transfigurados em entulhos e montes pontiagudos. não deu tempo de pegar nada. quase nada. o menino disparou descalço mesmo, veloz para que o trator não passasse por cima dele. tinha medo que a máquina comprimisse seu corpo com as mesma calma, indiferença e ódio com que derrubou vigas, partiu colunas, rasgou treliças e soprou telhas. deu tempo só de me pegar. na correria, passou a mão pelo altar da mãe, que flutuava onde até poucos minutos antes era a sala. me apertou com força, amassou meus cantos, vincou minhas folhas, me socou dentro do bolso da bermuda. me salvou. as picaretas logo fraturaram a nossa senhora aparecida de gesso, trucidaram a vela acesa, esfrangalharam as contas do terço, emporcalharam a toalhinha branca bordada. o dono vendeu o terreno pra construtora, cochichavam os vizinhos lá fora, de pé na calçada, coral de fantasmas sob as remelas da lua. vão subir um prédio aqui. mas essa segunda parte o menino nem ouviu. já tinha descido a rua. tropeçado pela ladeira. barata sem cabeça. lagartixa sem rabo. galinha guardada viva dentro na geladeira. atravessou a nove de julho deserta sem nem olhar para os lados. o açougue fechado. a loja de materiais de construção fechada. a banca de jornal fechada. não notou. quando se deu conta, estava cercado pelo amontoado de barracas armadas embaixo do viaduto. os pés incrustados de preto fuligem se aproximaram das folhas de papelão que um dia foram caixotes do sacolão e berços de frutas frescas. embaixo delas, quatro garotos deitados, amontoados, sem camisa. mas acordados. despertos por causa do barulho da demolição. o menino não disse nada. agachou-se. sentou-se com eles. precisava de companhia. só até a mãe voltar do trabalho, dali a poucas horas, quando o dia clarear, seis, no máximo sete da manhã. ela vai encontrar a casa derrubada. vai se desesperar, vasculhar o bairro inteiro, até topar com o menino embaixo do viaduto. é óbvio. onde mais uma criança iria se esconder. a mãe teria um plano. um abraço. certeza. casa nova. armário com roupas passadas. novo altar com toalha branca. nova nossa senhora. cama feita onde o menino pudesse continuar o sonho interrompido, demolido. foi nesse instante que ele me tirou do bolso. no escuro mesmo. antes de encostar a cabeça no cimento, com os dois cotovelos apoiados nos pedriscos, de barriga para baixo no chão que parecia um tapete de cacos de vidro, a vista embaçada pelo sereno que vinha de dentro, afogado no silêncio cujo cordão umbilical saía do ventre da destruição de cinco sobradinhos geminados no centro de são paulo, o menino abriu uma página minha. aleatória. e lemos. juntos. olhos dados.

226. Faça da leitura um hábito diário. Acostume-se a ter sempre um bom livro à mão e verificará que ele é o seu melhor amigo, que conversará com você quando o desejar.

a mãe não apareceu. nem de manhã. nem no dia seguinte. nem depois. nem na outra semana. ou na outra. no aniversário do menino. no mês seguinte. deve ter se perdido, estar me procurando feito doida, puxando os cabelos, ele pensava. falava baixo. o menino passava todos os dias em frente ao pedaço de terra que um dia embalou a sua casa. quem sabe ela não está lá, na calçada, plantada, colando cartazes nos muros. primeiro, os funcionários da construtora limparam o terreno, encheram as caçambas com restos, os caminhões de lixo com sobras, os sacos de estopa com pedaços daquela gente. olha, pivete, aqui, embaixo do viaduto, quem manda é o pitbull, aquele ali, na barraca com a tevê ligada direto no poste, tá vendo, vai lá falar com ele. na semana seguinte, chegaram os pedreiros, os mestres de obra, os arquitetos e suas pranchetas, os engenheiros e seus esquadros, concretaram o chão, fizeram as fundações, trouxeram o maquinário, o betão, as britadeiras, os quilos de areia, as massas corridas, as colunas de ferro, as armações entrelaçadas de cobre. eu sou o maionese, aquele ali é o pouca ideia, esse é o cochilada e aquele lá, segurando o cachorro sem rabo, é o prensadinho, e você, qual é o seu nome. não demorou muito para que a fila de betoneiras interrompesse o fluxo da via, impedisse o trânsito e empilhasse o concreto mole numa escultura de mais de vinte andares, com corredores, varandas, três quartos, duas salas, área para churrasqueira, garagem com vagas cobertas, pet place, playground, jardim de inverno, piscina olímpica, coworking, lavanderia completa, espaço fitness, quarto de empregada reversível. vem cá, magrelo, você mesmo, isso, ajoelha aqui pro seu batismo, fecha os olhos, abre a boca, a partir de agora você vai se chamar leitora, leitora, ouviu bem, porque não larga esse livrinho de baitola, leitora, tá entendendo, esquece seu nome de antes, ele morreu.

113. Não desanime! Aprenda a começar e a recomeçar. Não se deixe arrastar pela indiferença; se caiu, levante-se e recomece. Se errou, e recomece.

o menino quis voar no pescoço do pitbull. rasgar a jugular com gilete. leitora. só porque todos os dias de manhã ele me abria, lia uma página, igual sempre fazia com a mãe. é pra desatravancar os caminhos do dia, ela falava. quando você estiver triste ou com algum problema, leia. leitora. leitora. boiola. bichinha. afrescalhada. viado. marica. acordava cedo, sentava no concreto, engolia os risinhos dos outros, ignorava os assovios e escolhia religiosamente um capítulo meu, um ensinamento, uma passagem, um minuto de sabedoria. conversava com ela nas minhas entrelinhas. pedia um conselho, uma profecia. eu, do outro lado, lia no menino o vazio. o fosso. o vácuo. o silêncio. nós dois. as costas dele curvadas, meu corpo envergado feito calha. leitora. livrinho.

99. Mantenha a amizade de seus amigos. Saiba com gratidão os benefícios que.

água dissolve lembranças. sempre soube de cor tudo o que estava escrito. mas agora. e olha que o menino me lia todos os dias antes do trabalho. não falhava. de manhã, quando o trânsito apertava, os cinco degredados já corriam para seus postos, cada um em um ponto diferente do bairro. degredados. era como o pitbull chamava os cinco garotos sem família que moravam embaixo do viaduto e eram protegidos por ele. maionese. prensadinho. pouca ideia. cochilada. e leitora. o menino trabalhava ali na nove de julho mesmo, mas longe da quatorze bis, para não dar bandeira. batia ponto no começo da avenida, em frente ao antigo joelma, o prédio dos suicidas que pegaram fogo. ainda me lembro do primeiro dia. o pitbull entregou para ele uma vela de motor de carro, pequena, da altura de um santinho, que foi guardada no bolso junto comigo. o óleo ensebava minhas páginas, o cheiro de cigarro invadia minha trama. caminhamos devagar. eram poucos metros até o ponto combinado, mas íamos como se andássemos para trás. ancorados. o menino apertava aquele pedaço de metal e cerâmica com força. quando chegamos, ele apoiou um dos ombros no poste e assistiu por alguns minutos o balé arriscado de carros, ônibus, carretas, caminhões. analisou o trançado das motos que equilibravam motoboys circenses e mochilas recheadas de pedidos de delivery. antes de o farol fechar, acender suas luzes vermelhas, engarrafar o trânsito e congelar o formigueiro, ele me tirou da escuridão. foi ótimo ganhar um respiro. ficamos lá, eu e ele, sob o sol cinzento e engordurado de são paulo. o menino, de pé, imerso na sauna de fuligem e escapamento, lia cada letra minha, não as palavras inteiras, não os fonemas formados, como se cada um dos símbolos escondesse um criptograma, cada espaço vazio ocultasse um grito guardado, cada espirro de tinta fosse uma garrafa lançada ao mar com uma carta dentro.

141. Não procure colecionar tesouros apenas nesta terra, porque os ladrões podem roubá-lo e seu tesouro pode envelhecer. Além disso, não se esqueça de que, quando partir da terra, aqui deixará tudo, até o seu próprio corpo.

era lindo. a vela saía da mão do menino, flutuava insolente contra a gravidade, boiava na névoa. osso que virava foguete e espatifava em milhões de pedacinhos as janelas fechadas dos carros parados no sinal vermelho. cada caco de vidro refletia o olhar surpreso dos motoristas, perdidos, sem entender o estrondo, sem saber de onde tinha saído aquele pequeno curupira dos pés descalços, dos braços tortos, do olhar de fogo. o menino tinha nascido para aquilo. era deslumbrante. antes mesmo de a cerâmica da vela estilhaçar as películas, seu corpo já havia se transformado em flecha. assim que o buraco negro se formava, metade de seu torso já tinha sido engolido pelo automóvel. as mãos ágeis. os dedos colantes. baba de sapo. sua pele usava o suor para grudar o que estivesse pela frente. celular, bolsa, carteira, moeda, corrente, computador, chave, qualquer badulaque brilhante. nada escapava. com a prenda da pescaria embaixo dos braços e segura nos bolsos, saíamos correndo. ziguezagueávamos entre os carros parados no congestionamento. desviávamos das motos, dos gritos, do pega ladrão. sumíamos na contramão. inalcançáveis. todo dia. no mesmo lugar. a pm sabia, as viaturas conheciam o menino e os outros garotos, mas não se metiam com os degredados do pitbull, que ficava com a maior parte do que era garimpado. só que sempre sobrava um troco. às vezes um cordão, um boné, um maço de cigarro. um dia, o menino voltou com a bolsa, o celular e o colar de uma perua. o pitbull sorriu. deixou cinquenta reais com ele. mais ou menos naquela época, ganhei um marcador de páginas. já veio com foto, dois bebês sorrindo e letras cor-de-rosa que desejavam feliz dia das mães. era lindo. o mimo passou a indicar o capítulo lido antes do serviço. eu, o grilo falante. o menino, meu pinóquio.

37. Por que está tantas coisas inúteis? Para que em seus armários, quando seus irmãos vazios?

eu sabia. sabia que ele era o único que poderia nadar até o carro, submergir nas águas barrocas, vestir as roupas de nemo e as barbatanas de netuno, usar a vela para gerar uma cratera, como fazia todas as manhãs. teria forças para puxar a mãe e o garotinho lá de dentro, do mesmo jeito com que agarrava celulares e mochilas. a mesma rapidez. os mesmos ganchos nas unhas. era fácil. na ponta dos pés, à beira-mar, na margem do rio, o menino olhava o carro engolfado pelo oceano. mãe e filho adornavam, mexidos pela tsunami, claustrofóbicos no aquário de vidro. foi quando ele me tirou do bolso. me apertou de um jeito estranho. mais forte. mais firme. mais tempestuoso. ele ficou ainda mais na ponta dos pés, com os dedões em ponta, a cabeça empinada, tentando respirar acima da arrebentação, sobre a multidão petrificada e protegida do aguaceiro pelo viaduto. parecia flutuar. pigarreou. cuspiu na terra molhada. rangeu os dentes. limpou a saliva do queixo. levantou os braços até encostar nas nuvens carregadas. a plateia ficou hipnotizada. ninguém falava. nenhum vivente respirava. ele então me abriu. página qualquer. capítulo ao acaso. lance de dados. nessa hora, quando me olhei nos seus olhos, não li o vazio de sempre. me vi gordo. esponjoso. esgoto vertendo das orelhas. folha de rosto salpicada de leptospirose. cólera na guarda. pus no posfácio. o menino fechou as pálpebras, como se mirasse nossa senhora molhada de chuva, santo antônio afogado em copo d’água. gritou. fez o concreto trovejar. a multidão vibrava em êxtase com as nascentes que jorravam de seu rosto. ele me chacoalhava com a indisciplina de jonas, a arrogância de gilgamesh, o descontrole de jasão, a convicção de noé.

288. Não acumule em seu coração desejos de vingança, detritos do mal.

então me arremessou. longe. com toda a fúria que tinha guardado. voei na direção do carro ilhado. no caminho, minhas folhas se soltaram da cola, capítulos se libertaram da lombada, páginas se embaralharam no ar, literaturas ganharam outras ordens. cânhamo perfurado pelo frenesi sanguinário dos pingos ácidos. a tempestade arrancava minha carne, assim como os tubarões devoraram o peixe amarrado no barco de santiago. o urro do menino se afastava e derretia à medida que eu traçava o curso da parábola que me fazia levitar. transformava-se em eco mudo. os rostos da mãe e do filho dentro do automóvel se aproximavam. mas logo não vi mais nada. sumiram. molhou tudo. encharcou. mergulhei.


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