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Joelho #14 Cultura Digital. O que vem depois?

Editores: Armando Rabaça e Bruno Gil
Edição: Coimbra: e|d|arq
Data: 2023
Nº de páginas: 147
ISSN: 1647-2548

Sinopse

Vivemos numa era marcada por transformações profundas na forma como percecionamos e interagimos com o mundo, impulsionadas pela força motriz das tecnologias digitais — um fenómeno que muitos autores não hesitam em classificar como a Quarta Revolução Industrial. Por mais diversas que estas transformações possam ser no campo da arquitectura, encontram-se inevitavelmente inseridas numa longa negociação de códigos formais, como é sugerido em Digital Culture in Architecture (2010), de Antoine Picon, e The Alphabet and the Algorithm (2011), de Mario Carpo, levando Reinhold Martin a questionar: “Será a cultura digital secular?” Apesar dos vínculos inevitáveis com códigos do passado, as tecnologias de “arquitectura suave” baseadas em inteligência especulativa estão a deixar para trás aquilo a que Nicholas Negroponte chamou de “Máquinas de Arquitectura Suave” — nas quais o hardware ainda dominava — e a abrir caminho a uma nova era, nitidamente distinta da Primeira ou da Segunda Era das Máquinas, tal como identificadas por Reyner Banham. De facto, estas transformações digitais fazem parte de uma mudança histórica mais profunda. Assistimos a uma crescente instabilidade política à escala global, onde a desigualdade social se acentua, enquanto a população urbana mundial ultrapassou, pela primeira vez, a população rural. Estes fenómenos deram origem a desafios significativos nas políticas urbanas, como a falta de habitação condigna, a segregação social e o crescimento informal das cidades. Paralelamente, o fenómeno evolutivo — e quase inevitável — das alterações climáticas tem sido acompanhado por uma crescente consciencialização dos efeitos da atividade humana sobre o planeta e da necessidade urgente de alcançar uma medida de sustentabilidade ambiental. Todas estas transformações têm consequências diretas na prática da arquitetura. Depois de ter refletido, na edição 13, sobre como a memória pode atuar como catalisador do pensamento arquitetónico dentro da mente singular do indivíduo criativo, o interesse específico da Joelho – Journal of Architectural Culture #14 centra-se em como os processos partilhados e colaborativos, conduzidos pelo arquiteto que opera dentro desta cultura digital, estão a motivar práticas arquitetónicas e urbanas experimentais que procuram enfrentar as preocupações políticas, ambientais e sociais associadas. Para além da viragem digital promovida por uma retórica assente na novidade estética ou em formas conceptuais e inovadoras de fazer, a força inegável das ferramentas digitais reside em como — e por que meios — estas podem contribuir para uma prática arquitetónica mais ambiental, política e socialmente responsável.