Sinopse
Foi em março de 2020 que, de um dia para o outro, as escolas fecharam e o ensino passou a fazer-se à distância, quase sem tempo de preparação, através de computador. Houve que mudar, adaptar, rever, recriar, repensar, reinventar a escola, a casa, a família, a vida. O nosso campo lexical foi assaltado por expressões como plataforma, chat, zoom, on-line, coronavírus, aula síncrona e assíncrona, distanciamento, máscara, desinfeção, confinamento, ... Desde a Segunda Guerra Mundial que os sistemas educativos não eram afetados de maneira tão incisiva, por todo o mundo. Que Desenho e que Projeto foram estes que tivemos de ensinar à distância? Onde ficou a natureza prática, instrumental, dos trabalhos que requerem acompanhamento aos alunos in loco? O que foi feito da ação direta sobre o trabalho dos estudantes? E da interação entre colegas? Que marcas ou cicatrizes deixam estas experiências no tecido pedagógico do Projeto e do Desenho? E no corpo recém‑formado dos alunos? Em novembro desse ano, a sala T2 do Departamento de Arquitetura voltou a abrir-se à comunidade escolar. Colegas e estudantes, desta vez mascarados, meticulosamente afastados uns dos outros, participaram massivamente, circunspectos, apreensivos, atentos. Abria-se também o link da reunião por Zoom para quem participava ou assistia a partir de casa, vicissitude dos novos tempos.