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Grupo de Geociencias José Bonifácio d’ Andrada e Silva

José Bonifácio d'Andrada e Silva



José Bonifácio Andrada Silva

Nascido 13 de junho de 1763, no município de Santos, São Paulo, concluiu os seus primeiros estudos nesta cidade, com 14 anos, mudando-se para S. Paulo para prosseguir os estudos.

Continuou os seus estudos em S. Paulo até 1783, quando a falta de uma Universidade Brasileira, o levou a sair para Portugal, ingressando na Universidade de Coimbra, no curso de estudos jurídicos e um ano mais tarde nos cursos de matemática e filosofia natural. Foi nesta altura que começou a escrever poesia, e que começou a movimentar-se por causas, nomeadamente contra o tráfico humano e escravatura.

A sua vocação pela atividade cientifica manifestou-se cedo, com o seu interesse virado pela exploração mineira, tendo terminado o curso de Filosofia Natural em 1787, e no ano seguinte o curso de leis. Foi admitido na Academia das Ciências de Lisboa em 1789, iniciando, um ano depois, uma viagem pela Europa para aperfeiçoar os seus conhecimentos de mineralogia e filosofia e história natural. Esteve em Paris a estudar Química e Mineralogia, durante o início da Revolução Francesa, tendo sido eleito sócio da Sociedade Filomática de Paris e membro da Sociedade de História Natural. Frequentou a Escola de Minas em Freiberga, Saxónia, em 1792, tendo também estudado siderurgia. Foi na Suécia e na Noruega, em 1796, que deu o seu maior passo como cientistas, tendo caracterizando quatro novas espécies minerais e oito variedades de espécies já conhecidas. A sua viagem termina em 1800, com o regresso a Portugal, e foi no ano seguinte, a 18 de maio de 1801, que ficou responsável pela cátedra de “Geologia e Minas”, cátedra esta criada especificamente para este, e que seria a primeira cátedra de geociências lecionada em língua portuguesa. Também foi pela mesma altura que foi nomeado intendente-geral das Minas e Metais do Reino e administrador das antigas minas de carvão de Buarcos, entre outros cargos de relevante importância em Portugal, chegando mesmo a ser nomeado secretário perpétuo da Academia Real, em 1812.

Regressa ao Brasil em 1819, levando ideais de liberdade, propondo a abolição da escravatura. Nesta altura, recebeu convite como ajudante do ministro, tendo recusado, e voltado para a sua cidade natal, onde seu irmão era Diretor de Minas e Matas da Capitania de São Paulo.

Em 1821, inicia o seu percurso politico no Brasil, após o anúncio do regime constitucional do Brasil pelo na altura Governador, João Carlos Augusto de Oyenhausen-Gravenburg.

Em 1822, D. Pedro nomeia José Bonifácio d’Andrada e Silva, Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, tendo chefiado o governo durante a ausência do príncipe regente durante uma viagem deste a Minas Gerais. Aquando o novo governo, foi nomeado ministro do Interior e dos Negócios Estrangeiros, até ter sido substituído a 28 de outubro de 1822 e reintegrado oito dias depois como ministro do Império, acabando por ser demitido pelo imperador a 15 de julho de 1923, mas nunca se tendo afastado dos assuntos políticos do Brasil.

A 12 de novembro de 1823, José Bonifácio d’Andrada e Silva foi preso após o imperador ter forçado um golpe de dissolução da Assembleia, tendo sido obrigado ao exilio. Residindo, entre 1824 e 1828, em Talence, perto de Bordéus, dedicou-se novamente a poesia, publicando a obra “Poesias Avulsas de Américo Elísio”, em 1825. Em 1829, foi permitido o seu regresso ao Brasil, após a sua absolvição e liberdade conseguidas no ano anterior.

Apesar das desavenças dos últimos anos, D. Pedro acabou por nomear José Bonifácio d’Andrada e Silva, na altura com 68 anos, tutor do seu filho D. Pedro II. Devido às suspeições do governo no envolvimento de José Bonifácio em levantes armados, foi novamente preso em casa. Nesta altura, abandona a vida política e passa o resto da sua vida em reclusão.

Apesar da lustrosa carreira, não possuía grandes bens materiais, destacando-se no entanto, e de modo muito característico, uma biblioteca com mais de seis mil volumes.

Baseado em Pinto, J., Marques, J. (1999) Catálogo da Galeria de Minerais José Bonifácio D'Andrada e Silva. Museu Mineralógico e Geológico. Coimbra