Dia da Sociologia
10 de fevereiro de 2026
Democracia e Populismo


Programa
10h30
Auditório da FEUC
Mesa de Abertura

José Manuel Mendes
Diretor da FEUC
Tiago Santos Pereira
Diretor do CES
Hermes Augusto Costa
Coordenador do Núcleo de Sociologia
Madalena Duarte
Cocoordenadora do Doutoramento em Sociologia
Rosa Monteiro
Coordenador do Mestrado em Sociologia
André de Brito Correia
Coordenador da Licenciatura em Sociologia
Beatriz Ramos
Presidente da Direção do Núcleo de Estudantes de Sociologia da AAC

11h
Estudar o populismo numa perspetiva democrática pós-colonial
Cristiano Gianolla (Centro de Estudos Sociais)
Moderação: Rosa Monteiro

Resumo:
O populismo constitui um tema central e controverso nas sociedades contemporâneas e um objeto imprescindível para a compreensão dos processos democráticos. Surge da ideia de que o povo está no centro da política democrática e ganha relevância ao definir as fronteiras de inclusão e da exclusão tanto no seio do povo como no perímetro de exercício do seu poder. Ao confrontar o elitismo, o populismo introduz um sentido mobilizador, agregador e de urgência nas demandas populares, gerando dinâmicas de mobilização social e de polarização. Constrói discursos e narrativas das emoções que redefinem o contrato social, questionando a hegemonia cultural e política. O caráter autoritário ou democrático do populismo depende do modo como reproduz ou desafia os padrões hierárquicos, classificatórios e coloniais que estruturam as desigualdades persistentes. Esta palestra propõe, assim, problematizar o populismo como um campo de disputa conceptual, cultural e política que, a partir de processos de identificação social, tanto pode reiterar legados coloniais como abrir espaços de resistência, reconhecimento e democratização pós-colonial.


Auditório
15h

Mesa redonda: Olhares críticos sobre Democracia e Populismo
Inês Amaral (Faculdade de Letras da UC e Centro de Estudos Sociais)
Guya Accornero (ISCTE)
Mariana Santos (Doutoranda em Sociologia da FEUC)
Jaime Roque (Doutorando em Sociologia da FEUC)
Moderação: Daniel Francisco

Inês Amaral (FLUC e CES)
Populismo, redes sociais e a normalização do discurso de ódio no espaço público digital
Resumo:

Esta comunicação propõe refletir criticamente sobre o impacto das dinâmicas comunicacionais das redes sociais na relação entre democracia e populismo, com particular atenção aos processos de circulação, legitimação e normalização do discurso de ódio no espaço público digital. Partindo de uma abordagem das Ciências da Comunicação, procura analisar-se como é que as lógicas algorítmicas, os regimes de visibilidade e as práticas discursivas populistas contribuem para a polarização do debate público e para a erosão de princípios democráticos fundamentais como o pluralismo, a deliberação racional e a proteção de grupos socialmente vulnerabilizados. Propõe-se ainda discutir de que modo é que o discurso de ódio, que é frequentemente apresentado sob a retórica da liberdade de expressão ou da autenticidade popular, se articula com estratégias populistas de construção do "nós" e do "outro", reforçando desigualdades simbólicas e hierarquias sociais.


Guya Accornero (ISCTE-IUL)
Movimentos sociais e práticas democráticas: quando a mensagem é a organização
Resumo:

Frente a um fenómeno complexo como a percebida crise da representativa, grupos e atores populistas se erguem a defensores de formas diretas de participação democráticas. Na maioria dos casos, estas se resolvem em relações organizacionais verticais entre indivíduos e líderes, sustentadas por una narrativa de denigração dos corpos intermédios de mediação e de agregação dos interesses, assim como da ‘expertise’ a estes associada (políticos de profissão, partidos, associações científicas e profissionais, etc.).
A adoção de práticas participativas e deliberativas – frequentemente adotadas por movimentos sociais progressistas – assim como a valorização do conhecimento e da expertise, podem por outro lado ser respostas mais eficazes, embora mais exigentes, para esta crise.
Com base nesta reflexão, a apresentação se debruçará sobre os valores e as mensagens que diferentes tipos de dinâmicas organizacionais veiculam, prestando também atenção a como estas se refletem no tipo de plataformas digitais utilizadas e no seu desenho.


Mariana Matias dos Santos (doutoranda em Sociologia-FEUC)
Democracia e populismo: a feminização estratégica da direita radical em Portugal
Resumo:

A intervenção analisa o discurso de género do partido Chega a partir dos principais resultados da minha dissertação de mestrado. Com base na análise dos programas eleitorais e do discurso parlamentar das deputadas Rita Matias e Cristina Rodrigues, argumenta-se que o aumento da visibilidade feminina no partido não corresponde a uma transformação substantiva das suas posições ideológicas em relação às questões de género. Pelo contrário, os discursos das deputadas reproduzem, com variações discursivas, agendas conservadoras e anti-género, funcionando assim a presença feminina como um recurso de legitimação política e democrática. A análise evidencia as implicações desta estratégia para o pluralismo, a igualdade de género e a qualidade da democracia em Portugal.

Jaime Roque (doutorando em Sociologia-FEUC)
Das margens para o mainstream? Notas críticas sobre a normalização discursiva da extrema-direita em Portugal
Resumo:

A intervenção analisa as estratégias de comunicação do partido Chega mobilizadas para produzir consentimento sobre o seu programa ideológico e propostas parlamentares. Partindo dos debates internacionais sobre o papel do populismo autoritário na consolidação da hegemonia neoliberal e recrudescimento das ideias da extrema-direita desde a década de 1970, as primeiras páginas do Folha Nacional (semanário publicado pelo Chega) revelam como a construção dos problemas sociais aí presentes – corrupção, (in)segurança, crise económica e desastres naturais – representam uma dialética entre crise societal e soluções autoritárias incrustada simultaneamente na trajetória neofascista do ideário salazarista e no repertório discursivo do Thatcherismo. Em poucas palavras, convida-se assim a problematizar os principais lugares-comuns sobre a ascensão eleitoral e normalização discursiva da extrema-direita no século XXI. Mais do que um epifenómeno populista oriundo das margens das democracias liberais, a ideologia e práticas comunicacionais da extrema-direita devem ser entendidas como uma parte integral das dimensões materiais e simbólicas do estado neoliberal.


Biblioteca da FEUC
17h30m


Lançamento da newsletter Prisma.Soc nº 13

Momento Musical com João Gentil

Lanche-Convívio


Organização:
Núcleo de Sociologia da FEUC
Núcleo de Estudantes de Sociologia da AAC