40 Anos de Teoria da Literatura em Portugal

40 Anos de Teoria da Literatura em Portugal

Autor(es)

Ricardo Namora

Data de publicação

2011

Sinopse

A consagração definitiva (embora comparativamente tardia) da Teoria da Literatura enquanto disciplina em Portugal acontece, em finais da década de 1950, com a publicação da obra epónima do então Professor da Universidade de Coimbra Vítor Aguiar e Silva. Desde então, uma extensa linhagem pedagógica e teórica parece ter florescido, até aos dias de hoje, a partir dos ensinamentos dessa conformação pioneira dos tópicos e propósitos da Teoria. Bastante mais tarde, surgiu num outro ponto do país académico uma tendência teórica que, pelo seu fulgor pedagógico e intelectual, se constituiu como uma alternativa de pleno direito à primeira. Será, no entanto, legítimo falar-se de duas escolas distintas de Teoria da Literatura no espaço intelectual português? Como se constitui, aliás, uma “escola” de pensamento nas Humanidades modernas? Será, de outro modo, aceitável descrever estas duas escolas (a existirem) sob uma lógica de antagonismo, de complementaridade, de contiguidade ou, para todos os efeitos práticos, sob outra lógica qualquer?



Mais do que construir uma perspectiva histórica (que o título talvez indicie), o propósito desta obra é o de tentar dar resposta a estas interrogações. Será sugerido, entre outras coisas, que a constituição de “escolas” escapa, por vezes, aos desígnios dos seus fundadores; que vínculos de ideias à sua proveniência geográfica ou intelectual resultam de exercícios ociosos cuja validade é limitada; que rótulos comuns de largo curso não sobrevivem, na maioria das vezes, a uma inspecção cuidadosa; e que, por fim, a Teoria da Literatura não é um monólito intratável votado à incompreensão, mas antes um sítio onde pessoas se esforçam para compreender o que é a arte.



Num tempo em que a “Crise das Humanidades” parece ter regressado, em todo o seu esplendor, às preocupações institucionais, pedagógicas e políticas de todos quantos se ocupam da literatura, é importante perceber que o discurso intelectual que gira em torno desta pode ser, ao mesmo tempo, útil e frutífero. Não se proporá uma solução milagrosa para a propalada “crise”, nem se tentará uma lauda asséptica aos méritos dos estudos literários, nesta obra. Apenas se testemunhará, tenha isso o efeito que tiver, que pessoas que se preocupam a sério com livros e com ideias sobre livros são, no fundo, cultores dessas formas de diálogo intelectual livre de que se constituem as Humanidades. E neste sentido, talvez, se possa falar de uma dimensão histórica particular neste livro: a de relembrar, “para memória futura” como agora se diz, que as Humanidades não são uma ciência, mas uma conversa.

Detalhes
Tipo de publicação: Livro nacional
Número de Páginas: 115
Editora: Almedina
ISBN: 978-9724044941