Isto é FMUC
![]() |
Unidade Curricular ‘Princípios e Práticas de Voluntariado’A unidade curricular ‘Princípios e Práticas de Voluntariado’ da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) oferece aos estudantes uma formação prática que os incentiva a desenvolver empatia, responsabilidade social e uma abordagem mais humanizada à medicina. Através de experiências de voluntariado, os alunos têm a oportunidade de se envolver com a comunidade e explorar realidades sociais diversas, complementando a sua formação científica com um foco no cuidado e na compaixão, conforme nos explica Marília Dourado, professora responsável por esta unidade curricular.
A UC ‘Princípios e Práticas de Voluntariado’ surge como o culminar, com a naturalidade esperada e na sequência, do percurso que vínhamos a fazer desde há alguns anos como professora na FMUC onde, entre outros, criámos em 2018/2019 o NUVEM (Núcleo de Voluntariado para Estudantes da FMUC).
O entusiasmo dos estudantes que nos acompanharam não só nos motivou como incentivou à criação desta UC na área do voluntariado o que, sublinho na sequência lógica do nosso percurso, veio a concretizar-se no ano letivo de 2022/2023, tendo tido a primeira edição no 2º semestre desse mesmo ano. Para a concretização deste projeto foi crucial o contributo da senhora professora Ana Teresa Almeida Santos, coregente desta UC.
Todos o feedback recebido têm sido o mais positivo possível. Prova disso é termos sempre um número superior de candidatos para as vagas que estão fixadas. São apenas 20 e não nos parece possível aumentar este número considerando toda a organização e gestão necessárias ao bom funcionamento da UC e acompanhamento dos alunos, apesar da procura.
Daniel Candal, que fez voluntariado no Lar da Graça de São Filipe e na APPACDM, disse: “Foi um gosto e uma honra ser aluno desta valência, ser voluntário, e poder contar com a ajuda de docentes imensamente prestáveis, do ponto de vista logístico e, também, emocionalmente. Recomendo esta experiência a todos os estudantes do MIM [Mestrado Integrado em Medicina da FMUC], e arrisco-me a extrapolar esta recomendação a todos os estudantes e profissionais da área da saúde. É deveras fundamental o exercício do altruísmo sincero e do humanismo, princípios basilares de qualquer atividade profissional desta área.”
Acontecimento com empenho, compromisso e ética, que se traduziu numa motivação de ajudar o próximo desprovida de estereótipos ou preconceito”.
Com as atividades de voluntariado, em particular se efetuadas por estudantes, neste caso do MIM, não se pretende negar a legítima ambição profissional aos jovens, mas ajudá-los e guiá-los e assim contribuir para que consigam alcançar plenamente os seus objetivos, através do trabalho competente, honesto e ético, respeitando sempre o outro.
A UC Princípios e Práticas de Voluntariado, dirigida a alunos dos primeiros anos do MIM, permite que precocemente, no seu percurso académico e em contexto real, tenham a oportunidade de, na comunidade, explorarem vocações através da participação em atividades desenvolvidas por algumas instituições da cidade de Coimbra, com as quais estabelecemos parcerias. Este contacto com realidades quase sempre suas desconhecidas, por vezes amargas, tem despertado diversas reações transformadoras que, acreditamos, no futuro como médicos se traduzirão por uma abordagem mais humanizada ao seu semelhante fragilizado pela doença. Através desta UC, contribuímos para a formação social e humana dos futuros médicos e para a prática da medicina mais humanizada e atenta aos problemas sociais.
Partilhamos, a título de exemplo, o projeto organizado e realizado por um grupo de alunos que consistiu na preparação de sessões de esclarecimento para ajudar mães/pais desfavorecidos, alguns muito jovens, a melhor cuidarem dos seus filhos recém-nascidos e no primeiro ano de vida, chamado “1º Ano de vida – Cuidados com o bebé” (solicitado pela ADAV).
Outro, no lar da Graça de São Filipe, o projeto para os idosos com mobilidade teve por objetivos: auxiliá-los nas AVDs básicas, procurando não interferir com a autonomia e aptidão física; estimulação sensorial; leitura e “momentos de conversa”, entre outras atividades; para aqueles sem mobilidade/acamados, o projeto objetivou a prestação de auxílio nas refeições, ajuda na higiene, etc.
Integrar o voluntariado nos diversos cursos de ensino superior seria não só uma forma de contribuir para o desenvolvimento de competências pessoais importantes para a integração e aceitação do outro nas suas diferenças, participação cívica para resolução de problemas, etc., mas também uma oportunidade para a aquisição de um conjunto de competências transversais decisivas no momento de os estudantes entrarem no mercado de trabalho.
Entendemos que esta é uma área que deveria ser mais valorizada em escolas como as Faculdades de Medicina, considerando o seu objetivo mais nobre que é a formação de médicos. Se queremos Médicos com práticas mais humanizadas, atentos à pessoa nas suas diferentes dimensões e atentos aos detalhes, temos de começar cedo na formação a introduzir esta matéria, que deveria ser consolidada ao logo do restante percurso académico através da participação dos alunos em atividades de voluntariado devidamente enquadradas na formação e reconhecidas no suplemento ao diploma.
Iniciei o meu percurso na carreira de Docente Universitária como assistente estagiária na FMUC, em 1992, por concurso público, portanto, há 32 anos. Doutorei-me em Medicina na Universidade de Coimbra, na especialidade de Patologia - Fisiopatologia/Patologia Geral, em maio de 2001. Sou, atualmente, Professora Associada com Agregação, com um percurso feito de trabalho dedicado em que todos os lugares que ocupei e ocupo, o foram e são por competência demonstrada.
Criei na FMUC duas áreas de ensino e investigação: Cuidados Paliativos, graças ao que existe hoje na FMUC um Mestrado em Cuidados Paliativos, um curso de Cuidados Paliativos não-Oncológicos; um Centro de Estudos e Desenvolvimento dos Cuidados Continuados e Paliativos (CEDCCP), que além da organização de cursos, congressos (Congresso Internacional de Cuidados Paliativos; Congresso Multidisciplinar da Dor, e outras reuniões científicas com a Conferência Nacional de Canábis Medicinal), organiza anualmente, em parceria com a IM3M e a Universidade de Cabo Verde, um curso de formação básica em Cuidados Paliativos e Dor na Cidade da Praia. Criei ainda a UC de Cuidados Paliativos (MIM) em Coimbra e no curso Básico na Universidade dos Açores.
Sempre gostei muito de trabalhar, retiro do trabalho uma grande satisfação só superada pela que retiro do convívio com a minha família e os meus amigos. Os desafios sempre estiveram presentes, sempre os encarei, com postura positiva. Um dos grandes desafios para a concretização mais efetiva dos objetivos da UC de ‘Princípios e Práticas de Voluntariado’ seria conseguir que fosse libertado tempo letivo para as atividades de voluntariado, o que permitiria consolidar as aprendizagens e mais facilmente acompanhar os alunos nas atividades práticas que decorrem na comunidade. Talvez o maior de todos os desafios seja (tem sido) o de conseguir lidar com a falta de respeito, de valores e de ética, infelizmente cada vez mais frequente.
fotografias gentilmente cedidas por Marília Dourado |
voltar à newsletter |






