Lucerna | Diego Veloso

Desde que me recordo, o interesse por cuidar do próximo sempre me fascinou. Admito, no entanto, que medicina nem sempre foi a primeira opção. Na infância, a ideia de ajudar o próximo sempre andou a vaguear pelas profissões alheias, passando por nadador-salvador, veterinário, polícia, biólogo, até que por volta dos meus doze anos, a mente repousou por medicina. Claro, na altura, não teria bem a noção do caminho a percorrer ou do tempo de formação, mas também acredito que não teria alterado a minha decisão, visto que sempre fui curioso e incentivado a aprender e a utilizar os recursos em meu redor.


Acredito que medicina se tornou uma opção quando eu tinha doze anos, pois foi um ano repleto de mudanças, físicas, geográficas e ambientais; um ano onde deixei de ser um aluno com boas notas, mas nem sempre excelentes, para ser um aluno onde a disciplina começara a fazer sentido, sobretudo num caminho onde deveria passar a ser um aluno cada vez mais dedicado e com notas a alcançarem o patamar exigido pelas faculdades de medicina.


Os anos foram passando e a vontade por medicina foi crescendo, embora o mantivesse em “segredo”. Sempre fui alguém de fortes convicções e, portanto, tinha as minhas escolhas académicas todas feitas no 12º ano, até que no último instante, prestes a enviar a inscrição, veio-me à memória o desejo do menino de doze anos, recém-chegado a Portugal e que quando falavam em faculdade apenas lhe surgia a ideia da Universidade de Coimbra. Então, prestes a enviar a inscrição, segui o instinto e provavelmente a emoção e coloquei a FMUC na segunda opção em vez da terceira opção, tendo em plena consciência de que provavelmente esta seria a minha casa pelos próximos anos.


Os meses de verão foram-se passando e a ideia de que Coimbra se poderia tornar numa realidade cada vez mais próxima era quase constante. Na verdade, para além do renome de Coimbra para os estudos de medicina, toda a tradição chamava a minha atenção, os alunos trajados, as cerimónias académicas, a própria história do local que eu passaria a frequentar, eram suficientemente motivadores para me tranquilizarem acerca do futuro que estava à porta. Eventualmente a notícia chegou: “Boa tarde, a tua futura faculdade será a FMUC”. E juntamente com a notícia, uma realização de finalmente estar a alcançar o sonho do menino de doze anos submergiu-me.


Agora, passado um ano na FMUC, embora ainda tenha muito para descobrir e para vivenciar, sinto que as minhas escolhas e horas de estudo investidas foram bem aproveitadas e tudo valeu por um objetivo final que me deixa ansioso por continuar neste percurso. Uma vez que, em medicina, posso perseguir esta sede por conhecimento e servir a sociedade de alguma forma, procurando ser sempre o meu melhor.


Diego Veloso

é estudante do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.