Investigação salienta necessidade de implementação de um registo nacional de pessoas com EM

Sobre o estudo


A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória crónica, desmielinizante e neurodegenerativa do sistema nervoso central, sendo a principal causa de incapacidade de causa não traumática em adultos jovens.


A crescente prevalência da EM a nível global torna crítico o reconhecimento do número absoluto de doentes com EM, exigindo a implementação de uma política de saúde sustentável. Em Portugal, foram publicados apenas seis estudos com avaliação das taxas de EM, sendo desta forma internacionalmente reconhecida uma prevalência nacional de 64 casos por 100.000 pessoas e uma incidência de 3,1 casos por 100.000 pessoas/ano. Contudo, não existem dados publicados acerca das taxas de mortalidade.


Assim, este estudo observacional, transversal, teve como objetivo avaliar a prevalência, incidência e mortalidade da EM na cidade de Coimbra. Para esse efeito, foram recrutados pacientes que preencheram os Critérios de Diagnóstico de McDonald (2017) para EM. Os resultados obtidos revelaram uma taxa de prevalência de EM em Coimbra de 143,45 casos por 100.000 habitantes. Além disso, entre 2018 e 2021, a incidência cumulativa foi de 8,52 novos casos por 100.000 pessoas/ano. Adicionalmente, a taxa de mortalidade entre 2018 e 2021 foi de 2,84 mortes por 100.000 habitantes.

Resultados e impacto


A prevalência e incidência de EM em Coimbra são mais altas do que as relatadas em estudos portugueses anteriores e comparáveis à média europeia de prevalência (142.81 por 100.000 habitantes) e incidência (6.8 novos casos por 100.000 pessoas/ano). De facto, enquanto nos resultados nacionais anteriores foi calculada em cerca de 1 caso por cada 1560 pessoas, de acordo com os nossos resultados, a prevalência da EM é de cerca de 1 caso por cada 700 pessoas, representando um aumento muito significativo da prevalência, sendo equiparável à da média europeia. Por outro lado, este foi o primeiro estudo português a reportar a taxa de mortalidade em EM.


Com este trabalho, demonstrámos que a epidemiologia da EM em Portugal não é homogénea nem estática, sendo atualmente uma doença consideravelmente mais frequente do que era previamente reconhecido. Assim, reforça a necessidade de implementar um registo nacional de pessoas com EM em Portugal para tornar possível revelar e antecipar as tendências epidemiológicas da doença no país e, consequentemente, implementar uma estratégia de saúde adequada às verdadeiras necessidades dos nossos doentes com EM.

Inês Correia


Neuroepidemiology

Prevalence, Incidence, and Mortality of Multiple Sclerosis in Coimbra, Portugal



Fotografia de Carolina @ Unsplash