Editorial
Querido Pai Natal,
Apesar de viver, hoje, no mundo dos grandes, tão formal, mesureiro e cerimonioso, contigo permito-me manter uma relação mais simples e de maior proximidade e familiaridade, iniciada ainda nos meus tempos de criança pequena, ingénua e inocente, cheia de ilusões e sonhos. Aquela criança que encontrava no teu saco de prendas a concretização dos seus pedidos e desejos. Pois, em parte assim continuo. E é essa “criança” que hoje se dirige a ti, nesta carta ao Pai Natal. Esta é a época em que todos a ti recorrem, na esperança de conseguires realizar os sonhos, alguns impossíveis, que comandam a nossa vida e ajudam a construir o nosso futuro. E todos nós, de forma mais ou menos consciente, entendemos, nesta altura, ser justos merecedores da tua benevolência e condescendência, para que os pedidos sejam satisfeitos. Uns mais materiais, outros mais espirituais. Uns mais modestos, outros mais pomposos. Uns mais ostentosos, outros mais filantropos. Uns mais fugazes, outros mais duradouros. Uns mais reais, outros mais difíceis de alcançar. Também eu estou a escrever-te para te apresentar uma lista de pedidos que gostava que conseguisses incluir no teu saco de prendas, a distribuir neste Natal. Também nesta lista há pedidos que sei serem difíceis de satisfazer.
Por isso, recorro a ti, para, com os teus poderes mágicos e “divinos”, ajudares na luta pela concretização destes sonhos. Podes contar com a nossa participação, o nosso compromisso, o nosso empenho, a nossa vontade de, com a tua ajuda, tornar estes sonhos reais. Pois ,como escreveu Fernando Pessoa, “Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso”.
Deixo a minha lista de desejos para a FMUC:
- Muita saúde, paz e felicidade para todos os membros da FMUC, pessoal técnico, estudantes, professores, investigadores, tanto a nível pessoal quanto profissional;
- Manter boas relações entre as pessoas e as instituições, pondo de lado egolatrias, interesses e agendas pessoais, para que no final saiamos todos a ganhar;
- Fazer da FMUC um espaço de ensino, investigação e inovação, de ainda mais qualidade e reconhecido valor;
- Maior colaboração entre membros da comunidade científica e clínica, para ajudar a encontrar soluções mais eficazes para tratar os doentes;
- Mais sucesso na investigação, com melhores publicações e mais financiamento, para ajudar a construir um mundo melhor;
- Maior sensibilidade dos decisores para a necessidade de acreditar e apostar na ciência e investigação, através do aumento do emprego científico e do investimento em recursos materiais;
- Melhores condições para os nossos estudantes, nomeadamente em termos de espaços de ensino e aprendizagem.
Para te mostrar que somos merecedores da tua generosidade, a Voice*MED traz algumas provas de que nos portámos bem durante este ano. Bem sei que são exigentes e difíceis de satisfazer, mas peço o teu maior empenho para nos deixares no sapatinho o maior número possível de pedidos.
Em “Do curso de Medicina”, vamos sentir o ritmo de Rui Providência, o menino introvertido e tímido que, mantendo a paixão pela Física, deixou Coimbra e se tornou, “lá fora”, um expoente máximo da cardiologia mundial. Em “Isto é FMUC”, o DRIVE vai guiar-nos pelo caminho da inovação e mostrar-nos como, em conjunto e com o esforço de todos, podemos chegar mais longe. Em 4’33’’, o vice-Reitor da Universidade de Macau (UM), Rui Martins, vai deixar-nos com os olhos em bico, com os projetos que se estão a estabelecer entre a FMUC e a UM, em diversas áreas da saúde. Nesta edição da Voice*MED, as “Publicações em destaque” são apresentadas pelos estudantes do Mestrado em Investigação Biomédica, que nos presenteiam com os trabalhos desenvolvidos por elementos da FMUC. Em Lucerna, a estudante do Programa de Doutoramento em Ciências da Saúde, Gabriela Ribeiro, diz-nos de forma categórica “Sim, sim, é isto!”, acerca de cada etapa da sua vida. Em “Fora da Medicina”, vamos até ao Ninho dos Pequenitos, onde se acolhem e aconchegam crianças que se encontrem numa situação de maior vulnerabilidade. Por fim, Belmiro Parada prescreve-nos ainda um contato com a melancolia de uma cascavel e uma visita ao passado, através da magia do cinema.
Por fim, quero desejar a toda a comunidade FMUC, e às suas famílias, umas Festas Felizes, com muita saúde, paz, tranquilidade, felicidade e amor.
Henrique Girão