Lucerna | Gabriela Ribeiro

As nossas vidas e escolhas são moldadas por momentos marcantes e decisivos. Quantas vezes nos perguntaram: "O que queres ser quando crescer?". E será que a nossa primeira resposta corresponde à realidade de hoje? No meu caso, confesso que sempre soube o que queria ser, algo que acredito distinguir-me de muitos outros.

A ciência sempre foi uma área de grande interesse para mim, pela busca por respostas ao desconhecido, a inquietação perante questões atuais e a ânsia pelo conhecimento. Este interesse ganhou uma forma concreta no ensino secundário, quando a minha professora de Biologia sugeriu cursos extracurriculares promovidos por investigadores da Universidade de Coimbra, no Instituto de Educação e Cidadania. Foi lá que descobri, pela primeira vez, o que realmente faz um investigador: as metodologias que utiliza, os desafios que enfrenta e o impacto que o seu trabalho pode ter na sociedade e no mundo. Foi nesse momento que pensei: “Sim, sim, é isto!”.

O meu percurso seguiu a via tradicional. Ingressei na Universidade de Coimbra, no curso de Biologia. No final da licenciatura, fui mais uma vez confrontada com uma decisão crucial para o meu futuro: “E agora? Qual é o próximo passo?”. Após um curso tão abrangente, sabia que tinha de me focar e especializar. A investigação continuava a ser o meu objetivo, e o Mestrado em Investigação Biomédica na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) surgiu como a escolha certa. Com uma coordenação excecional e uma orientação mais do que ideal, tive a experiência laboratorial que tanto ansiava, desenvolvi o pensamento crítico e elaborei um projeto que me fez sentir realizada cientificamente. Mais uma vez, concluí uma etapa com a certeza renovada: “Sim, sim, é isto!”.

Atualmente, encontro-me no terceiro ano do programa de Doutoramento em Ciências da Saúde na FMUC, inserida no Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR), no grupo "Tumor Microenvironment and Metastasis", liderado pela Doutora Célia Gomes. No âmbito deste grupo, iniciei um projeto numa área inovadora: a cardio-oncologia. Em colaboração com o Doutor Henrique Girão, desenvolvemos um projeto ao qual quero tentar responder a várias questões relativas à formação de metástases, tratamento oncológico e doença cardiovascular.

Cada etapa do meu percurso tem trazido desafios cada vez maiores, mas também um profundo sentimento de evolução pessoal e científica. Embora exigente, acredito que é precisamente na complexidade que encontramos as maiores oportunidades de crescimento. Perguntam-me se mudaria a minha resposta à velha questão sobre o que queria ser quando crescesse. A minha resposta é um categórico “não”. Este foi, é e continuará a ser o meu objetivo. E a cada etapa concluída, anseio por repetir, com orgulho e convicção: “Sim, sim, é isto!”.


Gabriela Ribeiro

é aluna do Doutoramento em Ciências da Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.