Oncobiologia

ALDH: Uma Nova Abordagem no Tratamento do Cancro do Endométrio

Sobre o estudo


O cancro do endométrio é frequentemente diagnosticado em fases iniciais, mas uma parte dos doentes desenvolve doença recorrente e metastática, que não responde aos tratamentos convencionais. Esta resistência é, em parte, atribuída à presença de células estaminais cancerígenas (CEC), que são uma subpopulação de células tumorais com características semelhantes às células estaminais, ou seja, com a capacidade de regeneração e de diferenciação em diversos tipos celulares. Estas propriedades contribuem para a tumorigénese, a progressão e para a formação de metástases. Tratar as CEC é essencial para melhorar os resultados terapêuticos, dado o seu papel central na recorrência e na resistência aos tratamentos.

A enzima ALDH é essencial para a sobrevivência das células cancerígenas, ajudando-as a sobreviver e a crescer, desempenhando um papel fundamental na sua resistência aos tratamentos quimioterapêuticos. Níveis elevados de ALDH estão associados a um comportamento agressivo das CEC, tornando-a um alvo promissor para novas terapias.

Neste estudo, os investigadores analisaram como a inibição da atividade da ALDH poderia impactar as células estaminais cancerígenas no cancro do endométrio. Para tal, utilizaram o composto N,N-dietilaminobenzaldeído (DEAB), que bloqueia a ALDH, em dois tipos de células de cancro endometrial, ECC-1 e RL95-2. Ao inibir a ALDH, o DEAB provoca a acumulação de substâncias tóxicas nas células, o que resulta na morte destas, limitando assim o crescimento do tumor. Além disso, o DEAB interferiu com a proteína P53, que regula a sobrevivência das CEC, tornando-as mais sensíveis aos tratamentos. Este estudo procurou também determinar se estas alterações afetam a capacidade das células de formar novos tumores, explorando assim o impacto abrangente da inibição da ALDH no comportamento destas células.

Resultados e impacto


Os resultados demonstraram que o inibidor de ALDH, DEAB, reduziu significativamente tanto a atividade, como os níveis de ALDH nas células do cancro. Esta inibição resultou na diminuição de marcadores típicos das CECs, como CD24, CD44 e CD133, que indicam a presença destas. Além disso, destacaram-se ainda três proteínas – ALDH18A1, SdhA e UBAP2L – como biomarcadores promissores para o cancro do endométrio, podendo melhorar as estratégias de diagnóstico e tratamento.

Adicionalmente, as células tratadas com DEAB apresentaram uma redução na capacidade de formar aglomerados tridimensionais, típicos das CEC, e uma diminuição da sua auto-renovação. Estas observações foram complementadas pela análise da área de superfície das esferas celulares, o que evidenciou uma diminuição da capacidade das mesmas em crescer e manter as suas propriedades estaminais.

Este estudo fornece informações cruciais sobre o papel das CEC no cancro do endométrio, destacando o potencial da inibição da ALDH como uma estratégia terapêutica eficaz. Ao identificar a enzima como um elemento central na manutenção das propriedades destas células, como a auto-renovação e a formação de esferas, os investigadores sublinham a utilidade de inibidores como o DEAB no combate a estas células resistentes. Efetivamente, esta abordagem não só se refere à resistência ao tratamento e à recorrência tumoral, como também abre caminho ao desenvolvimento de novas terapias capazes de melhorar os resultados clínicos e reduzir o risco de recaída.

Além disso, os resultados deste trabalho contribuem para uma compreensão mais aprofundada do comportamento das células estaminais cancerígenas e o seu papel na tumorigénese, oferecendo informações valiosas sobre os mecanismos metabólicos que sustentam estas células. A identificação de biomarcadores específicos reforça a precisão do diagnóstico e apoia a criação de terapias dirigidas para cancros recorrentes e metastáticos.

Finalmente, esta investigação sublinha a relevância de continuar a explorar terapias focadas nas células estaminais cancerígenas endometriais, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes e personalizados, capazes de melhorar o prognóstico de doentes com cancros agressivos.

por Madalena Geraldo, Clara Duarte, Munnawara Fatima Syeda, Daniela Madureira

MDPI- Cancers jornal

Influence of Aldehyde Dehydrogenase Inhibition on Stemness of Endometrial Cancer Stem Cells

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