Editorial

A Voice*MED está finalmente de volta aos escaparates, depois de um longo interregno de férias. Neste período muitas coisas relevantes aconteceram. A começar por um “novo” Diretor da FMUC, Carlos Robalo Cordeiro, reconduzido no cargo, para mais um mandato de dois anos. É a prova e o reconhecimento do excelente trabalho que vem sendo desenvolvido em prol da Escola, nas suas várias dimensões, nomeadamente ensino, investigação, prestação de serviços à comunidade, internacionalização e abertura à sociedade. Muito haveria, aqui, para elogiar, mas não me parece necessário fazê-lo, tal é o impacto imediato, visível e sentido que estas mudanças têm tido na vida da Faculdade. Resta-nos, nesta altura, desejar as maiores felicidades ao Diretor, para o exercício deste exigente cargo, na esperança de que, apesar dos sucessos já alcançados, o melhor ainda esteja para vir. De facto, com as sementes que foram lançadas, com as muitas mudanças já introduzidas, é legítima a esperança de que grandes conquistas ainda nos aguardam. É um orgulho fazer parte desta história que, juntos, estamos a construir. A “obra” que está a ser erguida é, no essencial, para preparar a FMUC para os desafios que se avizinham, para que estes possam ser encarados com esperança e otimismo. Não tenho dúvidas que, com o contributo, compromisso e empenho de todos, o futuro da FMUC está garantido e será, por certo, risonho e glorioso.

Uma mudança muito significativa na vida da Faculdade, foi a abertura do bar do iCBR, o Hug Cafe. O impacto que teve nas nossas vidas não foi apenas pelos cafés e refeições que passaram a disponibilizar ou ao facto de ser local de encontro e convívio. Mais importante que tudo isso, tem sido a alegria, a amizade, o carinho com que sempre somos recebidos, pelos colaboradores da APPDA. Naquele espaço a tristeza não está autorizada a entrar. Pode acompanhar-nos até à porta, mas aí, o olhar meigo, a palavra ternurenta, o abraço afetuoso do Carlos ou do Filipe fazem com que tudo fique para trás. A nossa vida é muito melhor na sua companhia. Trouxeram-nos alegria e contagiaram-nos com a sua autenticidade, a sua generosidade, a sua boa disposição... a sua amizade. Obrigado por tornarem os nossos dias tão melhores, mesmo aqueles que nos pareciam estar irremediavelmente condenados ao cinzentismo.

Outro momento alto dos últimos tempos foi a eleição, para Reitor da Universidade NOVA de Lisboa, de Paulo Pereira. Para que não fiquem dúvidas ou suspeitas no ar, o Paulo foi meu orientador, mentor, inspirador e é, com muito orgulho, meu Amigo. Por tudo isso, poderão compreender a forma enviesada como falo do homem que começou a sua carreira científica e académica na FMUC, onde ocupou diversos cargos, entre os quais de subdiretor para a Investigação, e onde deixou uma marca, que não se esgota naquilo que deixou feito (e foi muito), mas também através daquilo que eu hoje tento fazer e implementar na Faculdade, servindo-me do Paulo como exemplo, referência e inspiração. Pela primeira vez, em Portugal, um Investigador chega a Reitor de uma Universidade. Dúvidas ainda houvessem, fica provado, para os mais céticos, que os Investigadores, tantas vezes considerados um parente pobre do nosso sistema científico e académico, têm capacidade para ocupar, com distinção e por mérito, os mais elevados cargos das nossas Instituições Universitárias. O Paulo conhece, como poucos, o mundo da academia e da ciência. Como seu primeiro orientando tive não apenas a oportunidade privilegiada de testemunhar uma carreira científica e académica brilhante, mas também a honra de aprender, crescer e fazer-me homem, cientista e pedagogo (para não indignar aqueles para quem chamar Professor, porque ensina, pode ser uma ofensa). É um sinal de mudança, de progresso, de frescura, de esperança nas nossas Instituições universitárias. É uma oportunidade para dar lugar ao futuro, para, de uma vez por todas, acabar com uma certa cultura atávica, atitudes plácidas, conservadorismos bacocos, provincianismos retrógrados ou pensamentos bafientos, que em nada ajudam à melhoria, ao desenvolvimento e ao progresso. Desde os seus primeiros passos na investigação, quando se dedicava ao estudo dos mecanismos implicados no desenvolvimento da catarata, o Paulo logo evidenciou a sua apetência para combater vistas curtas, visão estreita, pensamento turvo ou opacidade no carácter. Pautou-se, sempre, por uma postura de elevada integridade, rigor, lealdade e respeito. Não tenho dúvidas que o percurso feito pelo Paulo servirá para agitar e desafiar o conformismo reinante e permitirá abrir caminho a uma academia mais justa, onde prevaleça o valor, a qualidade, o mérito, em detrimento de favorecimentos e poderes instalados. Só espero que esta lufada de ar fresco possa chegar a outras instituições, contribuindo para termos uma academia onde investigação e docência caminhem lado a lado.

Nesta Voice*MED vamos dar voz, e palco, a um dos últimos jubilados da nossa Faculdade, Filipe Caseiro Alves, uma figura marcante, como académico, clínico e cientista. São poucas as pessoas que conheço que reunam tanto consenso, no que diz respeito à admiração, respeito, estima e consideração que conseguem granjear. O Professor Filipe Caseiro Alves é um homem que deixa um legado singular na FMUC, não apenas por tudo aquilo que fez em prol da Instituição, mas também, e mais importante, pela marca profunda que deixa em cada um daqueles que com ele têm a honra de conviver. É um exemplo de elegância no trato, de gentileza na postura, de encanto na amizade. Convido-vos a descobrir como o Professor Filipe Caseiro Alves nos pode ensinar a ultrapassar barreiras e saltar obstáculos.

Num mundo cada vez mais global, em que há cada vez menos espaço para abordagens e experimentalismos individualizados, pois os problemas são comuns e partilhados e as soluções têm que ser encontradas em conjunto, vamos ouvir, em 4´33´´, Filipe Froes, o responsável pela Cátedra de Saúde Global, da FMUC. É bom não esquecer a COVID-19, pois apesar de termos aprendido a viver com ela, o mundo “explosivo” em que vivemos, em termos geopolíticos, climáticos ou sociais, é propício ao aparecimento de outras pandemias.

Em Fora da Medicina visitamos a quase centenária Associação das Cozinhas Económicas Rainha Santa Isabel, um projeto de solidariedade social que presta apoio a pessoas em situação de sem-abrigo, famílias economicamente desfavorecidas, adultos mais velhos, jovens e migrantes.

Em Isto é FMUC, vamos conhecer o programa SORRISOS (Con)SENTIDOS, onde de uma forma didática e lúdica se pretende promover a saúde oral em crianças.

Em Lucerna, a estudante do Programa de Doutoramento, Rita Leal, guia-nos pelo seu percurso académico e clínico, destacando momentos e pessoas que foram determinantes para as suas decisões e escolhas.

Por fim, Pedro Guimarães, prescreve uma boa dose de hortelã para nos fazer voltar à realidade.

Henrique Girão

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