Gengibre
O gengibre (Zingiber officinale Roscoe) é uma planta herbácea da família das Zingiberaceae. O rizoma de gengibre (raiz) é utilizado na culinária e validado enquanto fármaco vegetal pela Agência Europeia do Medicamento (European Medicines Agency, Committee on Herbal Medicinal Products (HMPC) – EMA) no alívio de náuseas e vómitos causados pelo movimento (carro, barco)
Este fármaco também possui propriedades anticoagulantes devido à inibição da síntese de tromboxano e da agregação plaquetária, podendo aumentar o risco de hemorragias e aborto, especialmente em doses elevadas ou no final da gestação. Além disso, pode causar hipoglicémia e hipotensão.
O uso associado a outros medicamentos deve ser sempre avaliado, uma vez que pode inibir as enzimas do citocromo P450, como a CYP3A4, CYP2C9 e CYP2D6, que são essenciais para a metabolização (desintoxicação) de muitos fármacos. Isso pode aumentar as concentrações plasmáticas de fármacos coadministrados, elevando o risco de toxicidade e/ou reduzindo a eficácia terapêutica no caso dos pró-farmacos.
Assim, o uso de gengibre, embora benéfico em doses moderadas para o alívio de sintomas de náuseas e vómitos, deve ser monitorado por profissionais de saúde, especialmente durante a gravidez e a amamentação, para evitar interações medicamentosas e complicações associadas.
Curcuma
Impacto da curcuma em doentes oncológicos
O fármaco vegetal Curcuma raiz, também conhecido como Açafrão-da-Índia, é constituído pela raiz da planta Curcuma longa L. que pertence à família das Zingiberaceae. Também se usa em pequenas quantidades como condimento na confeção de alimentos.
Estudos feitos em humanos revelaram que a curcumina, principal constituinte bioactivo da Curcuma, tem a capacidade de inibir as isoenzimas do citocromo P450 (CYP) nomeadamente 1A2, 2C9 e 3A4, e ainda induzir a CYP 2A6.
A inibição dessas isoenzimas pode resultar numa sobredosagem de outros fármacos que a(o) paciente possa estar a tomar, e que sejam alvo destas subfamílias de enzimas, como é o caso de vários medicamentos anti-inflamatórios não esteróides, ansiolíticos, antidepressivos, assim como alguns antitumorais, tornando-os mais tóxicos.
Por sua vez, a indução da CYP 2A6 pode levar a uma passagem de determinados medicamentos pelo organismo muito mais rápida, uma vez que a sua atividade está aumentada, podendo levar a uma ineficácia terapêutica.
Por exemplo, os fármacos Paclitaxel, Ciclofosfamida e o Tegafur (pro-fármaco do Fluorouracilo) são exemplos de antineoplásicos (medicamentos para o cancro) cujo tempo de semi-vida pode ser alterado. O Paclitaxel pode ter a sua concentração mais elevada (tornando-se mais tóxico), a Ciclofosfamida pode ser eliminada mais rapidamente deixando de ser eficaz, mas no caso do Tegafur pode atingir quantidades tóxicas por se gerar Fluorouracilo mais rapidamente do que o esperado.